terça-feira, 3 de maio de 2016

Caso WhatsApp: País precisa de sistema ágil para rever decisões judiciais 'desproporcionais', diz analista

  • 2 maio 2016
Foto: EPAImage copyrightEPA
Image captionEspecialista diz que Justiça deveria revisar de forma rápida decisões desproporcionais
Decisões que podem ser consideradas “desproporcionais” – como o bloqueio do WhatsApp no Brasil por um juiz do Sergipe – deveriam passar por uma revisão rápida da Justiça. Essa é a opinião de Carlos Affonso Souza, especialista em direito e diretor do centro de estudos ITS-Rio (Instituto de Tecnologia & Sociedade do Rio).
Segundo ele, faz parte do jogo democrático que a decisão de um único juiz de primeira instância, como Marcel Montalvão, da comarca de Lagarto (SE), repercuta no cotidiano de milhões de pessoas pelo país. Contudo, agrega Souza, o Judiciário tem que ser célere o suficiente para revisar e eventualmente derrubar aquelas que sejam desproporcionais.
Ao mesmo tempo, é preciso que o sistema de recursos judiciais não sirva apenas para protelar uma decisão final.
No caso específico do bloqueio ao WhatsApp, ele sugere que se implemente um acordo de assistência judiciária firmado entre o Brasil e os EUA – em vigor no país desde 2001 e que facilita a cooperação dos Judiciários dos dois países – como uma solução mais adequada a esse tipo de enfrentamento entre empresas de tecnologia e Poder Judiciário.
Leia trechos da entrevista de Souza à BBC Brasil:
BBC Brasil – Que tipo de consequências essa decisão judicial que bloqueia o WhatsApp pode gerar?
Carlos Affonso Souza – Não conheço o conteúdo da decisão (que corre em sigilo de Justiça), mas podemos tirar duas conclusões. A primeira é: a decisão é um caso em que um juiz demanda uma providência que a tecnologia não permite, como o encaminhamento de uma comunicação realizada dentro do aplicativo.
Vale lembrar que recentemente o WhatsApp migrou suas comunicações para um nível de criptografia que aparentemente torna difícil, se não impossível para a própria empresa ter acesso à comunicação que corre em seu aplicativo.
(Em segundo lugar), não tendo a dificuldade tecnológica, eu posso encontrar um desafio de natureza jurídica, sobre a forma pela qual dados de um usuário de uma plataforma como essa podem ser requisitados. E aí vale lembrar que muitas das empresas não possuem representação no Brasil. E aí fica a disputa se o WhatsApp teria ou não representação no Brasil.
Mas, em se considerando que não existe representação do WhatsApp no Brasil e que a sua operação é feita de forma independente do Facebook, a via regular para se solicitar informações que estão localizadas nos Estados Unidos é por meio do acordo de cooperação entre Brasil e EUA, internalizado na legislação brasileira como um decreto no início da década passada.
Então já existe acordo que permite a comunicação de dados, de provas que podem ser úteis em um processo que corre no Brasil, mas cujos dados dos usuários estão nos Estados Unidos. O que o WhatsApp pode alegar é que o Judiciário não pode recorrer diretamente à empresa. Ele precisaria encaminhar a comunicação tal qual prevista no acordo de cooperação.
Image copyrightITS Rio
Image captionCarlos Affonso Souza
BBC Brasil – Como o sr. vê a cooperação de empresas como o Facebook? Existe algum caminho viável para que possam colaborar com a Justiça?
Souza – As empresas têm colaborado com as investigações policiais. Existem formas para que isso ocorra e vem ocorrendo.
Eu sou otimista, eu acho que esse diálogo vem sendo aperfeiçoado, mas discussões e casos extremos acontecem aqui e ali, mas é bom que eles sejam a exceção.
BBC Brasil – Então a suspensão do WhatsApp é algo fora do padrão, um ponto fora da curva?
Souza – Esse é o problema: dizer que isso foi uma falha na curva fica cada vez mais difícil quando você pensa que foi a terceira ordem de bloqueio do WhatsApp no Brasil.
Ou seja, isso só reforça o ponto do acordo de cooperação com os Estados Unidos. Ele está velho e precisa ser revisado de forma a permitir que esses dados sejam processados de forma mais célere, especialmente em tempos de internet. Casos como esse mostram a falha do acordo de cooperação entre Brasil e Estados Unidos. Um acordo que foi assinado em 1997 e entrou em vigor como decreto no Brasil em 2001 não está considerando a velocidade da internet para tráfego de dados.
BBC Brasil – Como o sr. vê a decisão de um juiz de primeira instância de um dos Estados da Federação afetando usuários do serviço no país inteiro? Há poder demais nas mãos de uma pessoa só em vez de um grupo ou um colegiado?
Souza – O fato de essa determinação passar por um magistrado é algo natural da democracia. Decisões como essa precisam vir do Poder Judiciário e não do Executivo – acho que isso é uma conquista democrática.
Mas é também uma conquista democrática que as decisões possam ser revistas e que exista um sistema de recursos que não seja indutivo à protelação de uma decisão final. Que possa ser rápido para revisar decisões de um magistrado que eventualmente falham em passar nos testes de proporcionalidade.
Acho que esse é um desses casos, em que há uma decisão de um magistrado que falha gravemente em fazer o adequado teste de proporcionalidade. Ou seja, em nome de obtenção de algumas informações ou de algum provimento judicial que a gente não sabe qual é, se remove um aplicativo que é dos mais usados no Brasil inteiro. As pessoas o utilizam para fins educativos, profissionais e pessoais.
É claro que sempre existem outros aplicativos e que as pessoas podem migrar para outras soluções, mas ao mesmo tempo é importante perceber que se um aplicativo consegue angariar uma margem tão expressiva de usuários é porque ele faz sua função de forma correta. Simplesmente catapultar toda essa base de usuários para uma solução alternativa não parece ser uma ponderação adequada.
BBC Brasil – Muitas vezes essas empresas são criticadas por serem fechadas e supostamente não colaborar com a Justiça. O sr. vê algum lado positivo desse episódio?
Souza – Acho que tem um lado positivo sob o qual se pode analisar uma terceira ordem de bloqueio do WhatsApp no Brasil, que é evidenciar a necessidade de se reformar o acordo de cooperação judicial entre Brasil e Estados Unidos.
É importante lembrar que a internet é um recurso global. Isso aconteceu hoje com o WhatsApp e pode acontecer mais tarde com qualquer outro aplicativo que seja sucesso na internet e que a empresa não vai ter escritório no Brasil.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Minha Casa Minha Vida Rural terá novas regras para agricultores familiares


 
O acesso de beneficiários da reforma agrária e quilombolas ao Programa Minha Casa Minha Vida Rural para construção ou recuperação de habitações no campo será modificado por meio de portaria do Ministério das Cidades, que deve ser publicada nos próximos dias. 
 
As alterações incluem novas regras para habilitação de entidades organizadoras, elevação da renda familiar bruta para acesso ao programa e reajuste dos valores para construção ou recuperação de moradias. O objetivo das medidas é ampliar o acesso de agricultores familiares aos recursos da política de habitação do Governo Federal. As novas regras vão regulamentar o acesso à terceira fase do Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), lançada no último dia 3 de abril pela presidente Dilma Rousseff. 
 
As modificações foram anunciadas pela ministra das Cidades, Inês da Silva Magalhães, nesta terça-feira (26), à presidente do Incra, Maria Lúcia de Oliveira Falcón, na sede do ministério, em Brasília. O encontro ocorreu durante audiência conjunta com o governador de Sergipe, Jackson Barreto, que discutiu recursos para habitações e saneamento básico no estado.
 
Inês Magalhães disse ainda que assentados e quilombolas integram o público prioritário do MCMV Rural e que a meta deste ano é financiar a construção/recuperação de 35 mil moradias na zona rural. 
 
MCMV Rural
O Programa tem a finalidade de subsidiar famílias para construção ou reforma de imóveis residenciais localizados em áreas rurais. Podem participar agricultores familiares, trabalhadores rurais e comunidades tradicionais (quilombolas, extrativistas, pescadores artesanais, ribeirinhos e indígenas) com renda familiar bruta anual até R$ 78.000,00, pela regra atual, comprovada por meio da Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP).
 
O MCMV Rural prevê a participação de entes públicos e entidades privadas sem fins lucrativos habilitadas, que atuam como entidades organizadoras, responsáveis pela mobilização das famílias e apresentação dos projetos para análise e aprovação junto ao Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
 
Os beneficiários que tenham renda familiar bruta anual até R$ 17.000,00 são atendidos com valor máximo de subsídio de R$ 36.600,00. Quem contrata crédito nessa faixa vai pagar 4% do valor contratado, em até quatro parcelas anuais.
 
Já aqueles que recebem anualmente entre R$ 17.000,00 e R$ 33.000,00 brutos, são atendidos com financiamento FGTS e subsídios de até R$ 9.500,00 ou 50 por cento do valor financiado (o que for menor). Há também um subsídio da taxa de risco de R$ 4.500,00.
 
Já os beneficiários com renda familiar bruta anual entre R$ 33.000,00 e R$ 78.000,00 são atendidos com financiamento FGTS, subsidiada sua taxa de risco de R$ 4.500,00.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Encontro de delegados da PB e RN debate estratégias de combate à criminalidade.





Encontro de delegados da PB e RN debate estratégias de combate à criminalidade


Na última terça-feira (23), a Delegacia Geral de Polícia Civil (Degepol) recebeu delegados da Polícia Civil da Paraíba para discutir estratégias que visam combater crimes que ultrapassam as fronteiras dos estados, como tráfico de drogas, roubos e explosões contra bancos e caixas eletrônicos, além de furtos e roubos.

Não existe divisa para esta criminalidade e precisamos estar atentos para isto. De uma forma muito rápida, eles saem de um Estado para outro, o que exige de nós vigilância constante”, declarou Isaías Gualberto, delegado-geral adjunto da Polícia Civil da Paraíba. O grupo de delegados paraibanos, que participou da visita, era formado por titulares de delegacias especializadas e regionais.



A Divisão Especializada em Investigação e Combate ao Crime Organizado (Deicor), a Delegacia Especializada de Furtos e Roubos (Defur) e a Delegacia Especializada em Narcóticos (Denarc) têm realizado muitos trabalhos que vêm rompendo as fronteiras do Rio Grande do Norte. Para nós é de extrema importância um contato como este, com os delegados da Paraíba, para termos resultados mais exitosos”, detalhou a diretora de Polícia Civil da Grande Natal (DPGRAN), delegada Sheila Freitas. [com assessoria]


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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 24.02.2016

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Brasil e EUA pesquisam a microcefalia.

Objetivo é avaliar os riscos da infecção pelo vírus e associações com outras doenças. Serão analisadas mais de mil mães e bebês. Em reunião com o ministro da Saúde, a União Europeia anuncia 10 milhões de euros para pesquisas sobre Zika
imagem acervo ascom/divulgação
O Ministério da Saúde, em parceria com o governo da Paraíba e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças Transmissíveis (CDC) dos Estados Unidos, inicia nesta terça-feira (16) um estudo de caso controle de microcefalia relacionada ao vírus Zika no Brasil.

A pesquisa contará com a participação de 17 técnicos do CDC, nove do Ministério da Saúde, além de técnicos do governo da Paraíba. O objetivo da pesquisa é estimar a proporção de recém-nascidos com microcefalia associada ao Zika, além do risco da infecção pelo vírus. [Portal Saúde Saiba mais]

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

È ruim a classificação do Brasil na àrea de qualidade da sua democracia.

Crise política derruba Brasil para sua pior posição em ranking de qualidade democrática

  • Há 7 horas
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Foto: ThinkstockImage copyrightThinkstock
Image caption'Não me lembro de ter visto atmosfera tão pessimista no Brasil', diz autor do estudo

A crise política envolvendo o escândalo de corrupção na Petrobras e a tramitação do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, bem como o pessimismo nacional com o cenário político, fizeram com que o Brasil caísse para sua pior posição em um ranking da Economist Intelligence Unit (EIU) sobre a "qualidade democrática" de 167 países.
A 10ª edição do estudo, publicado pela empresa de análise e consultoria pertencente ao grupo da revista The Economist, traz o Brasil em 51º lugar, sete postos abaixo de sua melhor posição, ocupada entre 2013 e 2015.
O Brasil se encaixou na categoria de "democracia falha" e ficou atrás de diversos vizinhos latino-americanos, de países africanos e mesmo do Timor Leste, nação asiática que se tornou independente da Indonésia há apenas 14 anos.
A nota dada pelo ranking à democracia brasileira caiu de 7,38 em 2014 para 6,96 (de um máximo de 10) no ano passado.
Além das análises de especialistas, houve pesquisas de opinião pública para medir os níveis de satisfação do público com a política. E, de acordo com Rodrigo Aguilera, analista de América Latina da EIU, as respostas dadas pelos entrevistados no Brasil foram marcadas pelo desânimo.
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'Fraqueza'

"Estou envolvido com o estudo há oito anos e não me lembro de ter visto uma atmosfera tão pessimista no Brasil. Os dados são muito ruins", disse Aguilera à BBC Brasil.
Sob o título de A Democracia em Tempos de Ansiedade, o estudo levou em conta um grupo de cinco fatores para determinar a classificação dos países: processo eleitoral e pluralismo, liberdades civis, funcionalidade governamental, participação política e cultura política.
Com base nos pontos em cada quesito, os países foram classificados como "democracias completas", "democracias falhas", "regimes híbridos" e "regimes autoritários".
"Democracias falhas" seriam países que, apesar de terem eleições livres e respeito às liberdades civis básicas, apresentam o que os autores do estudo classificam como "fraquezas significativas" em outros aspectos da democracia - problemas de governança e de cultura política, assim como baixos índices de participação política da população.
"O problema do Brasil não é uma questão de eleições livres e com credibilidade, mas sim um quadro em que as pessoas parecem ter perdido a fé no voto como forma de combater a corrupção. É isso que chamamos de uma democracia falha", diz Aguilera.

Pontuação

O Brasil recebeu sua pior nota justamente no quesito de cultura política (3,75 de um máximo de 10, uma pontuação influenciada por uma metodologia que desconta pontos de nações em que o voto é compulsório). A maior nota do país foi em processo eleitoral (9,75).
Mas ficou atrás, por exemplo, de Ilhas Maurício, Uruguai, Costa Rica, Botsuana, Chile, Taiwan e Argentina. O Uruguai foi a única nação sul-americana a aparecer na categoria de "democracia completa".
Diversos outros países apareceram como "democracias falhas": a classificação foi aplicada a nações que obtiveram menos que média 8 no ranking - no caso, os que ficaram colocados entre a 21ª (Itália) e 79ª (Montenegro) posições da lista.
O Brasil foi citado especificamente pela Economist Intelligence Unit por causa da crise política detonada pelo escândalo de corrupção da Petrobras e a abertura do pedido de impeachment de Dilma Rousseff.
O estudo alerta que as populações na América Latina historicamente toleraram níveis menores de democracia em troca de progresso econômico. "Mas como essa troca não é mais possível, as atitudes públicas contra os líderes políticos serão cada vez mais hostis", diz o texto.
Aguilera, porém, acredita que os recentes desdobramentos da operação Lava Jato, em especial a prisão de políticos e empresários, poderão restaurar um pouco da confiança da população. "O Brasil está fazendo um trabalho melhor que o México, por exemplo. E não creio que a situação possa ficar pior do que está".
De acordo com a classificação da EIU, mais de um terço da população mundial (2,6 bilhões de pessoas) vive sob algum tipo de ditadura e apenas 8,9% da população mundial vive em "democracias completas".
Os países com a melhor pontuação - e, portanto, as democracias consideradas mais completas - são os países nórdicos Noruega, Islândia e Suécia. Os piores colocados no ranking são Chade, Síria e Coreia do Norte.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Biografia não autorizada resgata Vandré: "Muitos achavam que ele tinha morrido" - Palavra - iG

Biografia não autorizada resgata Vandré: "Muitos achavam que ele tinha morrido"

A história de um dos mais enigmáticos artistas brasileiros está sendo contada em uma das primeiras biografias não autorizadas publicadas após a decisão favorável do Supremo Tribunal Federal, em junho. Durante 10 anos, o jornalista Vitor Nuzzi investigou a vida reclusa do cantor e compositor paraibano Geraldo Vandré e reuniu tudo em “Geraldo Vandré – Uma Canção Interrompida”, lançado no último mês pela Editora Kuarup.
Recluso desde os anos 1970, Geraldo Vandré tem sua história contada em uma biografia não autorizada
Reprodução
Recluso desde os anos 1970, Geraldo Vandré tem sua história contada em uma biografia não autorizada
Fã declarado, Nuzzi investigava a vida de Vandré há 30 anos, mas a ideia de fazer o livro veio só em 2005 e por um motivo nobre: reviver o artista na memória dos brasileiros.
“Pensava que ele seria esquecido aos poucos. Muitas pessoas não lembravam dele, ele não aparecia, não lançava nada”, contou o jornalista ao iG sobre a vontade de contar a história do autor de clássicos como “Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores” e “Disparada”, hinos entoados durante a ditadura brasileira, nos anos 1960.
Entretanto, a proposta do paulistano não agradou o músico, que não quis colaborar com o projeto. “Ele disse que não tinha interesse, que se quisesse um livro, ele mesmo escreveria”, lembrou.
Apesar da negativa, ele nunca atrapalhou o trabalho do autor. “Ele nunca tentou impedir, só disse que não tinha interesse”, deixou claro Nuzzi.
A recusa do artista fez o projeto esbarrar na questão das biografias não autorizadas. O autor começou a escrever o livro na época em queRoberto Carlos conseguiu tirar de circulação sua biografia “Roberto Carlos em Detalhes”, escrita por Paulo Cesar de Araújo. O livro sobre Vandré só foi publicado por uma editora após a decisão do STF.
Conhecido por
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Conhecido por "Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores", Geraldo Vandré não lança nenhum disco desde os anos 1970. Foto: Reprodução
Sem a ajuda do principal personagem, Nuzzi intensificou o trabalho. Se não tinha Vandré contando a própria história, o jornalista recorreu a mais de 100 fontes para que eles remontassem a vida do artista, desde gente consagrada como Jair Rodrigues e Caetano Veloso a membros da família, passando por quem trabalhou no Festival Internacional da Canção de 1968, o evento que fez o músico ser conhecido nacionalmente.
Mitos pós-exílio
Em seu trabalho, o escritor buscou investigar mitos sobre a vida de Geraldo Vandré. O principal deles é sobre a volta do cantor ao Brasil, em 1973, após ter sido exilado, quando lançou apenas um disco e depois desistiu da música.
Capa do disco
Divulgação
Capa do disco "Geraldo Vandré", lançado originalmente em 2964
“O que me despertou a curiosidade sobre ele foi o porquê de ele nunca ter voltado como artista”, disse Nuzzi.
Em suas investigaçãoes, o jornalista descobriu que a família negociou com os militares para que o músico voltasse — e eles ainda forjaram uma entrevista exibida pelo Jornal Nacional. “A entrevista foi feita por policiais e ele foi orientado a dar uma declaração sobre não ter pertencido a nenhum grupo político”, contou o autor.
Mas a declaração não foi totalmente falsa. Apesar da música mais famosa de Geraldo Vandré ter sido uma das mais conhecidas canções de protesto contra a ditadura, Vitor Nuzzi defende que o cantor nunca foi engajado politicamente. “Ele sempre foi muito independente e ele mesmo declarava que a arte não podia ser panfleto, tinha que ser livre”, disse o escritor. “[A música dele] Era uma crônica da realidade, não era um hino contra as forças armadas. Mas naquela época, era 8 ou 80, e ele entrou na lista [de artistas perseguidos pela ditadura]”, explicou.
Amante da liberdade
Um dos objetivos de Nuzzi em “Uma Canção Interrompida” é mostrar um outro lado de Vandré e tirar o estigma de cantor de protesto. “Hoje eu vejo o Vandré como um artista livre e libertário, ele era um cantor das liberdades. Ele ficou marcado como um cantor de protesto, mas ele estaria contra qualquer regime totalitário. Ele é um amante da liberdade”, afirmou o jornalista.
Mas, o objetivo principal é fazer o recluso Vandré voltar a ser assunto. “Ele ficou esquecido na medida em que os discos não tocam, que você não vê a pessoa se apresentando”, disse o autor. “Muita gente achava até que ele tinha morrido, já que ele não aparece. Então a tendência é o esquecimento”, continuou.
Além de elucidar a história de Vandré, o livro de Nuzzi também abre caminho para novas biografias não autorizadas no Brasil. Depois de publicar a obra de maneira independente, só com 100 exemplares, o autor finalmente conseguiu um contrato com uma editora.
“Depois do julgamento do Supremo, as editoras se animaram e perderam o receio. É importante pela história, é mais um pedaço da história. Ajuda a por um pouco de luz na história de um artista tão lembrado e tão pouco conhecido”, afirmou o jornalista.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Chove em 83 municípios do RN.

07/01/2016 13h23 - Atualizado em 07/01/2016 13h28

Chove em 83 municípios do RN; em oito, chuvas passaram dos 50mm

Dados são da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte.
Em Lucrécia, na região Oeste, choveu 76,5 milímetros.

Do G1 RN
Chuvas também alegraram a população de Jucurutu  (Foto: Edilson Silva)Chuvas também alegraram a população de Jucurutu (Foto: Edilson Silva)
Chuvas acima de 50 milímetros caíram nas últimas horas em 8 cidades do interior potiguar. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), o maior índice - de 76,5mm - foi registrado na cidade de Lucrécia, na região Oeste. Ainda de acordo com a Emparn, choveu em 83 municípios do estado entre as 7h da última terça (5) e as 7h desta quinta-feira (7). 
Também choveu bastante nos municípios de Coronel João Pessoa (65mm), Encanto (60mm), São Miguel (60mm), Serrinha dos Pintos (57mm), Frutuoso Gomes (55mm) e Pau dos Ferros (50mm), ambos também no Oeste do estado. Em Jaçanã, na região Agreste, choveu 55,2 milímetros.
O Rio Grande do Norte enfrenta a pior seca dos últimos 100 anos. Dos 167 municípios, 153 estão em estado de emergência por causa da estiagem prolongada. Atualmente, 17 cidades estão em situação de colapso no abastecimento d'água e outras 74 em sistema de rodízio.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

MEU ENCONTRO COM “SEU” LUNGA: PENSE NUM VELHO BRUTO!

Por Gerson de Castro*

Foto reproduzida do página do facebook do jornalista
Adepto, que sou, de um bom papo, regado muitas vezes a boas piadas, tive a oportunidade de conhecer há poucos dias, em Juazeiro do Norte, a figura já lendária de Seu Lunga, citado em muitas histórias, a maioria das quais ficticiamente atribuída a ele. Mas pude comprovar que o homem é mais seco que a vegetação da caatinga em época de seca. Conto, a seguir, o meu brevíssimo encontro com tal figura. Brevíssimo mesmo, porque durou, se muito, uns dois minutos.

Estávamos eu, mulher e filho e nossa amiga Ana Lúcia no centro de Juazeiro quando decidimos ir até a casa ou a loja do homem que é citado por tudo que é humorista, é figurinha carimbada em livros de cordel e já foi personagem de reportagens de tevê e até da revista Playboy.

Pouco depois das 16h30, no centro de Juazeiro do Norte. Abordo um guarda municipal e pergunto a ele onde mora seu Lunga. Ele me dá todas as coordenadas. Para, logo em seguida, dizer que seu Lunga não estaria em casa naquele horário, mas em sua loja na rua Santa Luzia, a alguns quarteirões dali.
Decidimos ir até lá. Descobrimos que o centro de Juazeiro é só nome de santo. São Pedro, São Paulo, Santa Luzia e outros santos de que já nem me lembro. Mas são muitos, garanto.

No caminho, para me certificar de que estamos no rumo certo, abordo um mototaxista e um vendedor de loja. Diante da pergunta sobre o endereço da loja de seu Lunga escuto, além da confirmação do endereço, advertências bem-humoradas do tipo “cuidado com o que vai perguntar a ele”. Ou “cuidado, que o homem é brabo”.

Achando tudo aquilo muito divertido, seguimos adiante. Quando nos aproximamos da loja de seu Lunga percebemos que o homem já está fechando sua loja. São 16h50. Rosa e Gabriel se aproximam da calçada, mas, temerosos, não abordam o homem. Ana Lúcia, amiga de velhos tempos, nos faz companhia. Decido cruzar a rua e abordar o homem que a esta altura já fechou, pelo lado de dentro, a primeira porta de rolo de sua loja e se prepara para fechar, pelo lado de fora, a segunda porta.

Encho-me de coragem e abordo o velho personagem que veste camisa azul, traz canetas no bolso e não consegue e nem tenta disfarçar o mau humor atrás de óculos escuros. O chapéu preto lhe confere um ar sombrio. Parece Waldick Soriano. Me vem à mente a lembrança de tipos que a gente encontra pelas feiras livres desse Nordeste de meu Deus.
- O senhor é que é seu Lunga? – pergunto. Mãos cruzadas às costas, em sinal de respeito. Ou timidez.
- É como me chamam – responde secamente sem nem olhar pra mim.
Chego à conclusão de que a conversa vai ser difícil. Decido, em milésimos de segundos, que não vou desistir.
- O senhor conhece Natal?
- Não – Outra resposta seca como uma faca atirada sem aviso prévio.
- Somos de Natal, no Rio Grande do Norte. Somos nordestinos como o senhor. E viemos aqui só para conhecer o senhor, que está famoso em todo Nordeste e no País. E queremos tirar uma foto.
Ele fica em silêncio e continua tentando fechar o cadeado da segunda porta de rolo. Quando se levanta, vira-se para o meu lado.
Estendo-lhe a mão direita e pergunto:
- Posso cumprimentá-lo?
Ele deixa a minha mão estendida no ar e, virando-se em direção à minha mulher, minha amiga Ana Lúcia e meu filho Gabriel, que está com a máquina fotográfica, diz simplesmente:
- Vamos tirar a foto.
Rapidamente, chamo Gabriel e juntos tiramos a foto com o tal personagem. Foto habilmente feita por Ana Lúcia. Na verdade, pensava em tirar mais de uma. Rosa vem em meu socorro e lembra que “seu” Lunga não vai ter tempo para mais de uma foto. Acho que ela quis dizer que ele não teria é disposição.
Feita a foto, seu Lunga sai de perto e começa a descer a rua Santa Luzia. Não tenho tempo sequer para me despedir. Acho que ele nem ouviu meu "obrigado".
Menos mal. Rosa e Ana Lúcia, que decidem tirar uma foto diante da loja fechada, comentam como o velho é bruto e seco. Eu rio somente. Já tenho o que eu queria: conheci seu Lunga e ainda tenho uma foto de recordação. Um verdadeiro troféu para acrescentar às minhas conversas com os amigos.
Lembranças de uma tarde quente no Ceará em que conheci seu Lunga e levei um tranca, ficando com a mão estendida no ar durante alguns segundos.
Mas, poderia ter sido pior. Principalmente se eu tivesse iniciado a conversa perguntando a ele “Seu Lunga está fechando a loja?”
Certamente o tranca seria muito maior e eu não teria a foto.
E você, se estivesse no meu lugar, faria a pergunta?

*Texto publicado com exclusividade no perfil do jornalista em sua página do Facebook.



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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 1/06/2016 05:55:00 PM