quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

È ruim a classificação do Brasil na àrea de qualidade da sua democracia.

Crise política derruba Brasil para sua pior posição em ranking de qualidade democrática

  • Há 7 horas
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Foto: ThinkstockImage copyrightThinkstock
Image caption'Não me lembro de ter visto atmosfera tão pessimista no Brasil', diz autor do estudo

A crise política envolvendo o escândalo de corrupção na Petrobras e a tramitação do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, bem como o pessimismo nacional com o cenário político, fizeram com que o Brasil caísse para sua pior posição em um ranking da Economist Intelligence Unit (EIU) sobre a "qualidade democrática" de 167 países.
A 10ª edição do estudo, publicado pela empresa de análise e consultoria pertencente ao grupo da revista The Economist, traz o Brasil em 51º lugar, sete postos abaixo de sua melhor posição, ocupada entre 2013 e 2015.
O Brasil se encaixou na categoria de "democracia falha" e ficou atrás de diversos vizinhos latino-americanos, de países africanos e mesmo do Timor Leste, nação asiática que se tornou independente da Indonésia há apenas 14 anos.
A nota dada pelo ranking à democracia brasileira caiu de 7,38 em 2014 para 6,96 (de um máximo de 10) no ano passado.
Além das análises de especialistas, houve pesquisas de opinião pública para medir os níveis de satisfação do público com a política. E, de acordo com Rodrigo Aguilera, analista de América Latina da EIU, as respostas dadas pelos entrevistados no Brasil foram marcadas pelo desânimo.
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'Fraqueza'

"Estou envolvido com o estudo há oito anos e não me lembro de ter visto uma atmosfera tão pessimista no Brasil. Os dados são muito ruins", disse Aguilera à BBC Brasil.
Sob o título de A Democracia em Tempos de Ansiedade, o estudo levou em conta um grupo de cinco fatores para determinar a classificação dos países: processo eleitoral e pluralismo, liberdades civis, funcionalidade governamental, participação política e cultura política.
Com base nos pontos em cada quesito, os países foram classificados como "democracias completas", "democracias falhas", "regimes híbridos" e "regimes autoritários".
"Democracias falhas" seriam países que, apesar de terem eleições livres e respeito às liberdades civis básicas, apresentam o que os autores do estudo classificam como "fraquezas significativas" em outros aspectos da democracia - problemas de governança e de cultura política, assim como baixos índices de participação política da população.
"O problema do Brasil não é uma questão de eleições livres e com credibilidade, mas sim um quadro em que as pessoas parecem ter perdido a fé no voto como forma de combater a corrupção. É isso que chamamos de uma democracia falha", diz Aguilera.

Pontuação

O Brasil recebeu sua pior nota justamente no quesito de cultura política (3,75 de um máximo de 10, uma pontuação influenciada por uma metodologia que desconta pontos de nações em que o voto é compulsório). A maior nota do país foi em processo eleitoral (9,75).
Mas ficou atrás, por exemplo, de Ilhas Maurício, Uruguai, Costa Rica, Botsuana, Chile, Taiwan e Argentina. O Uruguai foi a única nação sul-americana a aparecer na categoria de "democracia completa".
Diversos outros países apareceram como "democracias falhas": a classificação foi aplicada a nações que obtiveram menos que média 8 no ranking - no caso, os que ficaram colocados entre a 21ª (Itália) e 79ª (Montenegro) posições da lista.
O Brasil foi citado especificamente pela Economist Intelligence Unit por causa da crise política detonada pelo escândalo de corrupção da Petrobras e a abertura do pedido de impeachment de Dilma Rousseff.
O estudo alerta que as populações na América Latina historicamente toleraram níveis menores de democracia em troca de progresso econômico. "Mas como essa troca não é mais possível, as atitudes públicas contra os líderes políticos serão cada vez mais hostis", diz o texto.
Aguilera, porém, acredita que os recentes desdobramentos da operação Lava Jato, em especial a prisão de políticos e empresários, poderão restaurar um pouco da confiança da população. "O Brasil está fazendo um trabalho melhor que o México, por exemplo. E não creio que a situação possa ficar pior do que está".
De acordo com a classificação da EIU, mais de um terço da população mundial (2,6 bilhões de pessoas) vive sob algum tipo de ditadura e apenas 8,9% da população mundial vive em "democracias completas".
Os países com a melhor pontuação - e, portanto, as democracias consideradas mais completas - são os países nórdicos Noruega, Islândia e Suécia. Os piores colocados no ranking são Chade, Síria e Coreia do Norte.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Biografia não autorizada resgata Vandré: "Muitos achavam que ele tinha morrido" - Palavra - iG

Biografia não autorizada resgata Vandré: "Muitos achavam que ele tinha morrido"

A história de um dos mais enigmáticos artistas brasileiros está sendo contada em uma das primeiras biografias não autorizadas publicadas após a decisão favorável do Supremo Tribunal Federal, em junho. Durante 10 anos, o jornalista Vitor Nuzzi investigou a vida reclusa do cantor e compositor paraibano Geraldo Vandré e reuniu tudo em “Geraldo Vandré – Uma Canção Interrompida”, lançado no último mês pela Editora Kuarup.
Recluso desde os anos 1970, Geraldo Vandré tem sua história contada em uma biografia não autorizada
Reprodução
Recluso desde os anos 1970, Geraldo Vandré tem sua história contada em uma biografia não autorizada
Fã declarado, Nuzzi investigava a vida de Vandré há 30 anos, mas a ideia de fazer o livro veio só em 2005 e por um motivo nobre: reviver o artista na memória dos brasileiros.
“Pensava que ele seria esquecido aos poucos. Muitas pessoas não lembravam dele, ele não aparecia, não lançava nada”, contou o jornalista ao iG sobre a vontade de contar a história do autor de clássicos como “Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores” e “Disparada”, hinos entoados durante a ditadura brasileira, nos anos 1960.
Entretanto, a proposta do paulistano não agradou o músico, que não quis colaborar com o projeto. “Ele disse que não tinha interesse, que se quisesse um livro, ele mesmo escreveria”, lembrou.
Apesar da negativa, ele nunca atrapalhou o trabalho do autor. “Ele nunca tentou impedir, só disse que não tinha interesse”, deixou claro Nuzzi.
A recusa do artista fez o projeto esbarrar na questão das biografias não autorizadas. O autor começou a escrever o livro na época em queRoberto Carlos conseguiu tirar de circulação sua biografia “Roberto Carlos em Detalhes”, escrita por Paulo Cesar de Araújo. O livro sobre Vandré só foi publicado por uma editora após a decisão do STF.
Conhecido por
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Conhecido por "Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores", Geraldo Vandré não lança nenhum disco desde os anos 1970. Foto: Reprodução
Sem a ajuda do principal personagem, Nuzzi intensificou o trabalho. Se não tinha Vandré contando a própria história, o jornalista recorreu a mais de 100 fontes para que eles remontassem a vida do artista, desde gente consagrada como Jair Rodrigues e Caetano Veloso a membros da família, passando por quem trabalhou no Festival Internacional da Canção de 1968, o evento que fez o músico ser conhecido nacionalmente.
Mitos pós-exílio
Em seu trabalho, o escritor buscou investigar mitos sobre a vida de Geraldo Vandré. O principal deles é sobre a volta do cantor ao Brasil, em 1973, após ter sido exilado, quando lançou apenas um disco e depois desistiu da música.
Capa do disco
Divulgação
Capa do disco "Geraldo Vandré", lançado originalmente em 2964
“O que me despertou a curiosidade sobre ele foi o porquê de ele nunca ter voltado como artista”, disse Nuzzi.
Em suas investigaçãoes, o jornalista descobriu que a família negociou com os militares para que o músico voltasse — e eles ainda forjaram uma entrevista exibida pelo Jornal Nacional. “A entrevista foi feita por policiais e ele foi orientado a dar uma declaração sobre não ter pertencido a nenhum grupo político”, contou o autor.
Mas a declaração não foi totalmente falsa. Apesar da música mais famosa de Geraldo Vandré ter sido uma das mais conhecidas canções de protesto contra a ditadura, Vitor Nuzzi defende que o cantor nunca foi engajado politicamente. “Ele sempre foi muito independente e ele mesmo declarava que a arte não podia ser panfleto, tinha que ser livre”, disse o escritor. “[A música dele] Era uma crônica da realidade, não era um hino contra as forças armadas. Mas naquela época, era 8 ou 80, e ele entrou na lista [de artistas perseguidos pela ditadura]”, explicou.
Amante da liberdade
Um dos objetivos de Nuzzi em “Uma Canção Interrompida” é mostrar um outro lado de Vandré e tirar o estigma de cantor de protesto. “Hoje eu vejo o Vandré como um artista livre e libertário, ele era um cantor das liberdades. Ele ficou marcado como um cantor de protesto, mas ele estaria contra qualquer regime totalitário. Ele é um amante da liberdade”, afirmou o jornalista.
Mas, o objetivo principal é fazer o recluso Vandré voltar a ser assunto. “Ele ficou esquecido na medida em que os discos não tocam, que você não vê a pessoa se apresentando”, disse o autor. “Muita gente achava até que ele tinha morrido, já que ele não aparece. Então a tendência é o esquecimento”, continuou.
Além de elucidar a história de Vandré, o livro de Nuzzi também abre caminho para novas biografias não autorizadas no Brasil. Depois de publicar a obra de maneira independente, só com 100 exemplares, o autor finalmente conseguiu um contrato com uma editora.
“Depois do julgamento do Supremo, as editoras se animaram e perderam o receio. É importante pela história, é mais um pedaço da história. Ajuda a por um pouco de luz na história de um artista tão lembrado e tão pouco conhecido”, afirmou o jornalista.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Chove em 83 municípios do RN.

07/01/2016 13h23 - Atualizado em 07/01/2016 13h28

Chove em 83 municípios do RN; em oito, chuvas passaram dos 50mm

Dados são da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte.
Em Lucrécia, na região Oeste, choveu 76,5 milímetros.

Do G1 RN
Chuvas também alegraram a população de Jucurutu  (Foto: Edilson Silva)Chuvas também alegraram a população de Jucurutu (Foto: Edilson Silva)
Chuvas acima de 50 milímetros caíram nas últimas horas em 8 cidades do interior potiguar. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), o maior índice - de 76,5mm - foi registrado na cidade de Lucrécia, na região Oeste. Ainda de acordo com a Emparn, choveu em 83 municípios do estado entre as 7h da última terça (5) e as 7h desta quinta-feira (7). 
Também choveu bastante nos municípios de Coronel João Pessoa (65mm), Encanto (60mm), São Miguel (60mm), Serrinha dos Pintos (57mm), Frutuoso Gomes (55mm) e Pau dos Ferros (50mm), ambos também no Oeste do estado. Em Jaçanã, na região Agreste, choveu 55,2 milímetros.
O Rio Grande do Norte enfrenta a pior seca dos últimos 100 anos. Dos 167 municípios, 153 estão em estado de emergência por causa da estiagem prolongada. Atualmente, 17 cidades estão em situação de colapso no abastecimento d'água e outras 74 em sistema de rodízio.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

MEU ENCONTRO COM “SEU” LUNGA: PENSE NUM VELHO BRUTO!

Por Gerson de Castro*

Foto reproduzida do página do facebook do jornalista
Adepto, que sou, de um bom papo, regado muitas vezes a boas piadas, tive a oportunidade de conhecer há poucos dias, em Juazeiro do Norte, a figura já lendária de Seu Lunga, citado em muitas histórias, a maioria das quais ficticiamente atribuída a ele. Mas pude comprovar que o homem é mais seco que a vegetação da caatinga em época de seca. Conto, a seguir, o meu brevíssimo encontro com tal figura. Brevíssimo mesmo, porque durou, se muito, uns dois minutos.

Estávamos eu, mulher e filho e nossa amiga Ana Lúcia no centro de Juazeiro quando decidimos ir até a casa ou a loja do homem que é citado por tudo que é humorista, é figurinha carimbada em livros de cordel e já foi personagem de reportagens de tevê e até da revista Playboy.

Pouco depois das 16h30, no centro de Juazeiro do Norte. Abordo um guarda municipal e pergunto a ele onde mora seu Lunga. Ele me dá todas as coordenadas. Para, logo em seguida, dizer que seu Lunga não estaria em casa naquele horário, mas em sua loja na rua Santa Luzia, a alguns quarteirões dali.
Decidimos ir até lá. Descobrimos que o centro de Juazeiro é só nome de santo. São Pedro, São Paulo, Santa Luzia e outros santos de que já nem me lembro. Mas são muitos, garanto.

No caminho, para me certificar de que estamos no rumo certo, abordo um mototaxista e um vendedor de loja. Diante da pergunta sobre o endereço da loja de seu Lunga escuto, além da confirmação do endereço, advertências bem-humoradas do tipo “cuidado com o que vai perguntar a ele”. Ou “cuidado, que o homem é brabo”.

Achando tudo aquilo muito divertido, seguimos adiante. Quando nos aproximamos da loja de seu Lunga percebemos que o homem já está fechando sua loja. São 16h50. Rosa e Gabriel se aproximam da calçada, mas, temerosos, não abordam o homem. Ana Lúcia, amiga de velhos tempos, nos faz companhia. Decido cruzar a rua e abordar o homem que a esta altura já fechou, pelo lado de dentro, a primeira porta de rolo de sua loja e se prepara para fechar, pelo lado de fora, a segunda porta.

Encho-me de coragem e abordo o velho personagem que veste camisa azul, traz canetas no bolso e não consegue e nem tenta disfarçar o mau humor atrás de óculos escuros. O chapéu preto lhe confere um ar sombrio. Parece Waldick Soriano. Me vem à mente a lembrança de tipos que a gente encontra pelas feiras livres desse Nordeste de meu Deus.
- O senhor é que é seu Lunga? – pergunto. Mãos cruzadas às costas, em sinal de respeito. Ou timidez.
- É como me chamam – responde secamente sem nem olhar pra mim.
Chego à conclusão de que a conversa vai ser difícil. Decido, em milésimos de segundos, que não vou desistir.
- O senhor conhece Natal?
- Não – Outra resposta seca como uma faca atirada sem aviso prévio.
- Somos de Natal, no Rio Grande do Norte. Somos nordestinos como o senhor. E viemos aqui só para conhecer o senhor, que está famoso em todo Nordeste e no País. E queremos tirar uma foto.
Ele fica em silêncio e continua tentando fechar o cadeado da segunda porta de rolo. Quando se levanta, vira-se para o meu lado.
Estendo-lhe a mão direita e pergunto:
- Posso cumprimentá-lo?
Ele deixa a minha mão estendida no ar e, virando-se em direção à minha mulher, minha amiga Ana Lúcia e meu filho Gabriel, que está com a máquina fotográfica, diz simplesmente:
- Vamos tirar a foto.
Rapidamente, chamo Gabriel e juntos tiramos a foto com o tal personagem. Foto habilmente feita por Ana Lúcia. Na verdade, pensava em tirar mais de uma. Rosa vem em meu socorro e lembra que “seu” Lunga não vai ter tempo para mais de uma foto. Acho que ela quis dizer que ele não teria é disposição.
Feita a foto, seu Lunga sai de perto e começa a descer a rua Santa Luzia. Não tenho tempo sequer para me despedir. Acho que ele nem ouviu meu "obrigado".
Menos mal. Rosa e Ana Lúcia, que decidem tirar uma foto diante da loja fechada, comentam como o velho é bruto e seco. Eu rio somente. Já tenho o que eu queria: conheci seu Lunga e ainda tenho uma foto de recordação. Um verdadeiro troféu para acrescentar às minhas conversas com os amigos.
Lembranças de uma tarde quente no Ceará em que conheci seu Lunga e levei um tranca, ficando com a mão estendida no ar durante alguns segundos.
Mas, poderia ter sido pior. Principalmente se eu tivesse iniciado a conversa perguntando a ele “Seu Lunga está fechando a loja?”
Certamente o tranca seria muito maior e eu não teria a foto.
E você, se estivesse no meu lugar, faria a pergunta?

*Texto publicado com exclusividade no perfil do jornalista em sua página do Facebook.



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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 1/06/2016 05:55:00 PM

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

O sistema financeiro merece impeachment já!

Por Ceci Juruá | Rio de Janeiro, dezembro de 2015

Em brilhante conferencia[1] apresentada durante o  3º. Encontro Nacional  da CNTU[2], em dezembro deste ano,  o prof. Ladislau Dowbor defendeu o ponto de vista que os intermediários financeiros são, na atualidade, meros atravessadores. A economia brasileira para, e está parando segundo Dowbor, porque o sistema de intermediação financeira trava os três motores da economia: a produção a cargo dos empresários, a demanda das famílias e os investimentos públicos.
Tais questões ficariam muito claras, explica Dowbor, se dispuséssemos no Brasil de um fluxo financeiro integrado. Como este fluxo não existe, tem sido difícil quantificar os efeitos da ação dos bancos sobre os distintos setores da economia real.  Valendo-se de alguns exercícios, a partir das estatísticas disponíveis, Dowbor afirma, por exemplo:
“Abstraindo a divida pública, os bancos se apropriam de uma carga de juros anuais de R$ 880 bilhões, 15,4% do PIB. Uma massa de recursos deste porte transforma a economia (…) esterilizando a dinamização da economia pelo lado da demanda (…)  a parte da renda familiar que vai para o pagamento das dívidas passou de 19,3% em 2005 para 46,5% em 2015.”
Além de travar a demanda das famílias, os juros extorsivos cobrados pelos bancos no Brasil impedem que os empresários privados recorram ao crédito. Em média, explica Dowbor, os juros são de 24% para capital de giro, 35% para desconto de duplicatas. Enquanto isto, “na zona euro o custo médio para pessoa jurídica é de 2,20% ao ano.”
Os resultados macroeconômicos fornecidos pelo IBGE[3] confirmam a percepção do ilustre professor da USP[4]. Em média, durante os últimos 20 anos, a repartição da renda interna bruta, gerada no processo econômico, privilegiou o capital, capaz de se apropriar de um percentual que oscila em torno de 40% desta renda. Outro tanto vai para os trabalhadores. O restante entre 15% e 20% fica com o governo, incluídos nesta parcela os benefícios da previdência social pública.
Em grandes linhas, os números da macroeconomia expõem o drama do subdesenvolvimento e da concentração de renda que o caracteriza: 5% da população, empresários e rentistas, absorvem parcela da renda nacional idêntica à que sustenta 95% da população brasileira. Além disso, estes mesmos 5%, privilegiados no processo produtivo, são capazes de um comportamento que pode ser visto como indigno,  pois transferem para seus clientes, empregados e fornecedores, impostos diretos que deveriam ser de sua responsabilidade, caso do IPTU e ITR, do IPVA dos veículos luxuosos que os servem em suas empresas e, geralmente, do próprio Imposto de Renda que incide sobre ganhos empresariais. Estes impostos, diretos, deveriam constituir instrumentos de redistribuição de renda à disposição dos governos. Aqui, no entanto, eles se prestam a um novo mecanismo de extorsão, não-legal, da renda das famílias.
Também é de conhecimento público que a classe empresarial brasileira, assumindo postura de cúmplice da financeirização e do rentismo, que privilegiam particularmente bancos e atores financeiros mas também as grandes empresas, ousam uma campanha sórdida contra os trabalhadores, quando afirmam que o orçamento fiscal não suporta a democracia. Querem na verdade reduzir salários e direitos dos trabalhadores, em particular as transferências que o Governo faz para extirpar a fome e a miséria, caso do Bolsa Família. Querem também liquidar a previdência pública e deixá-la a reboque de planos privados que sugam mais dinheiro da renda familiar e o transferem ao sistema bancário.
Lideram por isto uma campanha feroz contra a atual presidente da República e contra os partidos que, com erros e acertos, vem procurando mitigar os efeitos perversos do neoliberalismo aqui reinstalado na década de 1990.  Como oligarquia, a ação anti-democrática dos plutocratas dispõe de amplo apoio nas camadas mais bem pagas da burocracia, Judiciário e Legislativo. Apoio amplo, mas não generalizado. Ainda hoje, a maioria de juízes e magistrados, de políticos, prefeitos e governadores, não se curvou às exigências da minoria que gostaria de reintroduzir no Brasil a escravidão e o sistema de agregados da “casa grande”.
Por isto é necessário um golpe, um golpe de Estado que reponha no poder senhores e vassalos da financeirização e do rentismo. Em lugar de apontar a causa real da estagnação da economia brasileira, como o faz brilhantemente o prof. Ladislau Dowbor[5], seus intelectuais orgânicos apontam como inimigos da nação a Constituição Cidadã, os direitos sociais e trabalhistas e os governantes que os respeitam.
Não passarão! Mas é preciso que o povo nas ruas e nas tribunas democráticas imponha agora e já: IMPEACHMENT PARA O SISTEMA FINANCEIRO! DEVOLVAM ÀS FAMÍLIAS DOS TRABALHADORES BRASILEIROS OS RESULTADOS DE UMA PILHAGEM QUE JÁ DURA 25 ANOS!
***
Ceci Juruá é economista, doutora em políticas públicas, membro do Forum 21, do Conselho Consultivo da CNTU e da diretoria do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos/IBEP.

[1] Ladislau Dowbor. Resgatando o potencial financeiro do Brasil.  Outubro de 2015.
[2] Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados
[3] Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
[4] Universidade Federal de São Paulo
[5] Seus livros e textos estão todos disponibilizados gratuitamente em seu blog.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Caicoense continua com estoque de cachaça disponível a colecionadores

Foto acervo colecionador/divulgação
O estoque de cachaça adquirido por caicoense continua à disposição de colecionadores do produto. Cachaças mineiras, pernambucanas, paulistas, cearenses, paraibanas, e também da região Seridó, a caicoense Samanaú, encontrada até na China. Tatuzinha, Pitu, Mijo de Moça, Rainha, Seleta, Inconfidência, Cristalina do Picão, Mucuri, Nabundinha, Fogosa, Caninha 77, Colonial, Chora Menina, Malhada Vermelha, são algumas das cachaças, umas mais conhecidas, de renome e gosto nacional, outras como produto de mercado turístico.

Apesar de sua pouca idade, Matheus Gregório (20 anos), tem por hábito colecionar cachaça, apoiado por seu pai Reginaldo Clemente, todas originais que, segundo afirma, desde as mais antigas, classificadas em ordem alfabética enchendo todas as letras do alfabeto. Todo o estoque, perto de 300 garrafas, da chamada “água que passarinho não bebe”, ele dispõe pelo preço de 30 reais cada unidade. Uma oportunidade para quem já tem uma coleção e pretende aumentar o estoque, ou quem pretende iniciar uma nova coleção. O contato, através do telefone (84) 99820-9200.
 
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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Paraibana Lucy Alves lança CD e participa de sessão de autógrafos em Natal terça (29)





convite foto por assessoria/divulgação
A cantora Lucy Alves estará no Natal Shopping na próxima terça-feira (29) para uma tarde de autógrafos e o lançamento do CD “Lucy Alves & Clã Brasil no Forró do seu Rosil”, em homenagem ao centenário do grande compositor nordestino Rosil Cavalcanti.  Revelação do programa The Voice Brasil, da Rede Globo, a artista paraibana recebe os fãs na Livraria Leitura, das 16h às 18h.

Lucy Alves e sua família, que compõe o Clã Brasil, revivem os maiores sucessos do autor pernambucano, entre elas “Sebastiana”, “Forró na Gafieira” e “Festa de Milho”. O CD ainda apresenta três poesias inéditas, musicadas pelo músico Badu especialmente para a comemoração: "Coco x Baião", "Gibão" e "Tambaú". Rosil Cavalcanti compôs e publicou cerca de 82 músicas - baiões, xotes e côcos, em célebres parcerias com Jackson do Pandeiro, gravadas pelo parceiro ilustre e também por outros grandes artistas como Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Elba Ramalho, Marinês, Ademilde Fonseca, Genival Lacerda, Clã Brasil, entre outros.

A partir do lançamento do CD “Lucy Alves & Clã Brasil no Forró do Seu Rosil”, suas publicações totalizarão 85, com as três inéditas complementadas postumamente. O CD tem direção musical de Lucy Alves, direção executiva de Badu com arranjos dois dois e do maestro Chiquito. Lucy toca acordeon, bandolim e violino. O Clã Brasil é composto por Laryssa - Zabumba e coro; Lizete - Flauta e coro; Fabiane - Cavaquinho, violão de 12 cordas e coro; Morena - Triângulo e coro; Francisco Neto – Pandeiro e percussão; e Badu - Violão de 7 cordas. [por assessoria de imprensa]



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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 12/22/2015 02:34:00 PM

domingo, 20 de dezembro de 2015

BRASIL: PÁTRIA DISTRAÍDA?
Geniberto Paiva Campos / Brasília - dezembro,2015

Todos os dias indivíduos normalmente inteligentes e classes sociais inteiras são feitos de tolos para que a reprodução de privilégios injustos seja eternizada entre nós”. (Jessé Souza, “A tolice da Inteligência Brasileira” – Ed. Leya, 2015)

1. Há alguns anos, em um programa de TV, a atriz Kate Lyra criou um inusitado bordão, rapidamente assimilado e repetido pelos telespectadores: -“brasileiro é tão bonzinho!” No qual ressaltava a bondade e, sobretudo, a ingenuidade inata dos nossos patrícios.
Em livro recentemente publicado, o sociólogo Jessé Souza, atual presidente do IPEA, pesquisando as origens desse “jeitinho brasileiro”, relata, em sequência histórica, a participação de Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Raymundo Faoro, Roberto da Matta, os quais,agregando ideias de Max Weber, teriam contribuído com respaldo teórico-acadêmico para a confirmação da tese: os brasileiros sãomalemolentes, sensuais, cordiais, decidem com o sentimento (e não com a razão). Portanto, fáceis de serem enganados, levados na conversa. Não gostam do seu país. E nutrem uma admiração profunda, perpétua, em relação Estados Unidos e ao seu povo. Aos quais atribuem qualidades e capacidades sobre-humanas, excepcionais, na esfera moral, pessoal, técnica e acadêmica. Seres muito próximos da perfeição.
Contornando, propositadamente, o núcleo de justificativas “acadêmico/científicas” da tese – muito bem explicitadas no livro do sociólogo Jessé Souza – apresentamos algumas contribuições a esse debate, defendendo a provável ocorrência de um viés “político/operacional” no caso.Produzindo manipulações grosseiras, no intuito de criar na população uma assimilação acrítica. Ingênua e tola, de conceitos políticos e ideológicos do interesse externo, contrários aos interesses do seu país. A nosso ver, um fator muito significativo. Que poderia contribuir para aexplicar a permanência de comportamentos sociais e políticos estranhos da elite e da classe média brasileiras (e da América Latina), habilmente manipuladas pela Publicidade & Propaganda, de origem interna e externa. Todas com o mesmo objetivo: fazer os seus habitantes perderem a esperança no futuro do seu país, reduzindo a próximo de zero o seu orgulho patriótico. Talvez possa ser atribuído um papel significativo a essa lavagem cerebral permanente (e competente) dessas agências de Publicidade & Propaganda na manutenção desse estado de inconsciência coletiva das populações, vítimas, infelizmente, dessas ações deletérias.

2. A partir da segunda metade do século 19, o Capitalismo assumiu características hegemônicas incontestes, enquanto sistema econômico,evoluindo nos anos seguintes para a esfera política, partindo em busca do controle direto e indireto do Estado e apoiando sutilmente governos favoráveis e/ou simpáticos ao sistema. O limiar do novo século mostrou que o Mundo, na defesa dos seus interesses, estaria disposto a se enfrentar em guerras totais. (Como afirmou Clausewitz, um reconhecido estadista da época: “a guerra é a política feita por outros meios”).
Na busca da hegemonia e da sua expansão, países europeus, os Estados Unidos e o Japão, se enfrentaram em duas Guerras Mundiais queeclodiram no século 20. Segundo argutos historiadores (Hobsbawm, E.J - 1977), a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais constituem a mesma guerra. E o que se seguiu, a cinzenta “Guerra Fria” seria apenas um corolário – ou consequência - das duas grandes guerras. Tais conflitos marcaram todo o século passado, e como esperado, mostram seus desdobramentos nos dias atuais.
Desses sérios enfrentamentos, um país, os Estados Unidos da América, saiu praticamente incólume em sua base territorial e em sua economia. O incremento das atividades da indústria bélica americana nos dois conflitos, colocou o país em uma situação de supremacia mundial no pós-guerra, nos planos econômico e político. E tornou-se a única e incontrastável potência nuclear mundial. Diferentemente da Europa, dilacerada, dividida e com a economia em frangalhos.
Após garantir a sua expansão territorial e conquistar áreas preciosas de terras (e do petróleo) do México, os norte-americanos confirmaram a tese do “destino manifesto”, um engenhoso e permanente mecanismo auto atribuído e auto aplicado ao país, o qual passou a justificar a apropriação de territórios e riquezas do interesse geopolítico ou econômico do governo americano.
Durante a Guerra Fria – para muitos estudiosos, ainda em plena vigência, (Moniz Bandeira. L.A, 2013) -  Washington assumiu o papel, tambémauto atribuído, de “gendarme da democracia mundial”, com o envolvimento direto e indireto em invasões territoriais, golpes de estado e levantes internos em diversos países. Sempre em nome da defesa da democracia, encobrindo interesses econômicos e geopolíticos ilegítimos e injustificáveis.
(Retomando um oportuno argumento do autor do livro, enfatizamos que não nos move nenhum tipo de sentimento antiamericano ao fazer tais constatações. Estas devem ser tomadas pelo que são: evidências históricas da formação e da evolução de um país, com inegável vocação hegemônica, implantando a ferro e fogo o seu peculiar conceito de “democracia”).

3. Simultaneamente ao desenrolar da II Guerra Mundial, ficou evidente para o governo americano, o imenso potencial da Indústria dePublicidade & Propaganda, uma arma “bélica” às vezes mais poderosa do que os canhões. Com essa arma era possível induzir comportamentos consumistas: Coca-Cola, ao invés de sucos naturais; fazer as mulheres adotarem o cigarro como expressão da sua liberdade. E, por que não? colocar “ideologias” disponíveis nas prateleiras dos supermercados.
A partir desse ponto, foi montada uma máquina de conquista de corações e mentes, de alcance mundial, dispondo de recursos financeiros inesgotáveis, utilizando todos os meios de comunicação possíveis: rádios, tvs, jornais, revistas (incluindo os “comics” ou revistas em quadrinhos). E ainda a superpoderosa indústria do cinema, com o envolvimento dos magnatas da meca cinematográfica de Los Angeles com interesses geopolíticos de Washington, sendo criada o que ficou conhecida como a “Universidade de Hollywood”. Perfeitamente apta a interpretar fatos e criar versões convincentes. Se necessário, reinterpretar a própria História. Ações com a incrível propriedade de iludir mentes ingênuas e suscetíveis, de todos os quadrantes e origens.
Diante de tão formidável e bem articulado poderio no campo de Comunicação, tornou-se difícil, quase impossível, qualquer tipo de discurso contraditório. E foi a partir de tal conteúdo político/ ideológico do pós-guerra, norteador da Guerra Fria, que o Mundo foi submetido a um ataque insidioso da indústria de Publicidade & Propaganda, defendendo e divulgando valores, transcendentes em sua roupagem externa, mas cujo objetivo essencial era o domínio de territórios e países de interesse do novo Império. E claro, defendendo, por todo sempre, o Mercado e a Livre Iniciativa.
São múltiplos, incontáveis, os exemplos da aplicação dessa política neoimperial no Mundo. Nos mais longínquos rincões do Planeta.
Em meados do século 20, o império americano dispunha-se a lutar contra o Comunismo e pela implantação universal do seu conceito deDemocracia. E, no limiar do novo século, após o ataque às Torres Gêmeas, essa pauta foi ampliada para o combate ao “terrorismo islâmico”, ou “Eixo do Mal”, no qual os limites da guerra convencional foram deixados de lado, passando a valer ações “antiterroristas” que desrespeitariam os Direitos Humanos e regras elementares de combate definidos na Convenção de Genebra. Talvez fazendo valer, mais uma vez, os fundamentos do “Destino Manifesto”. O centro de torturas implantado na base de Guantánamo, até hoje em funcionamento, seria o mais perfeito corolário dessa constatação.

4. “Palimpsesto” é um termo pouco usual. De acordo com o dicionário Houaiss significa “o papiro ou o pergaminho cujo texto primitivo foi raspado para dar lugar a um outro”.
A lembrança do termo surge naturalmente, quando decorrido pouco mais de cem anos do início do período das grandes guerras do século 20, a humanidade continua a reescrever essa história. Cujo texto primitivo não esmaece. Por mais que se tente apagá-lo, raspando-o até à medula,seu conteúdo teima em voltar, se fazendo presente nos dias atuais. Os conflitos bélicos registrados no século passado, dividiram (talvez demaneira inconciliável) a Humanidade entre correntes políticas e ideológicas antagônicas.
Para os que imaginavam que a morte sem glória de Adolf Hitler, numa Alemanha que agonizava frente aos invasores russos, significou o fim do Nazismo, a História mostrou que este apenas hibernava. E gradualmente, reassumia o seu lugar no comportamento humano.
Manifestações de abusos, intolerância, desrespeito aos direitos humanos, quebra da ordem jurídica, tortura, atos de violência extrema contra populações indefesas, submissão do setor judiciário ao totalitarismo, ao “clamor das ruas” ou às pressões da mídia, extinção do estado democrático de direito. Enfim, o abandono consentido de práticas civilizatórias, veio a evidenciar que o Nazismo, redivivo, está sim presente nos mais diversos países. E que para assegurar o lucro, mesmo indevido e garantir os interesses ilegítimos de Estados e Nações, estaria permitida a prática de métodos persuasórios ilícitos ou da força militar explícita para a consecução de tais objetivos.
Caberia, portanto, à consciência crítica da Sociedade fazer a denúncia bem fundamentada de tais métodos e manipulações. Como o fez – de maneira serena e corajosa – o sociólogo Jessé Souza em “A Tolice da Inteligência Brasileira”. Demonstrando seu elevado grau de ousadia acadêmica, desde a escolha do título, o autor revisa conceitos estabelecidos por acadêmicos consagrados, ícones inquestionáveis da Sociologia brasileira. Submetendo-os ao escrutínio científico atual. Bem distante de uma iconoclastia oportunista e superficial, procura demonstrar possíveis vieses e equívocos de mestres do conhecimento sociológico. Num país em que estes reinam soberanos. Tranquilos, intocáveis, absolutos no pensamento acadêmico. Que nunca ousou criticá-los.
E o mais importante, denunciando, de maneira firme e inteligente, nos limites da ortodoxia acadêmica, a forma insidiosa de dominação exercida pelos impérios financeiros. Fazendo cidadãos adultos - crédulos e atilados- de países aparentemente livres e soberanos, assimilarem conceitos equivocados e manipuladores, que servem, tão somente, aos interesses escusos desses Impérios.
Este, talvez, o mérito maior do corajoso livro do sociólogo Jessé Souza: mostrar que o Brasil não é uma pátria assim tão distraída.
Ainda há vida inteligente na nação tupiniquim.