quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Novo artigo do professor Benayon.


     MENSALÃO E CORRUPÇÃO
Adriano Benayon * - 13.08.2012
Os principais jornais, revistas e  TVs, sempre alinhados com os interesses imperiais,  dão grande destaque ao julgamento, no Supremo Tribunal Federal, do mensalão, levado adiante nas instâncias do Estado, porque atinge principalmente José Dirceu, um líder centralizador de poder, e tido por ser de esquerda.  Além disso, pode abalar a popularidade de Lula
2. Em todo o mundo, os oligarcas estrangeiros e seus agentes e laranjas locais tratam de minar quaisquer lideranças que aspirem a voos próprios e se tornem, assim, menos dependentes dos dinheiros daqueles.
3. O sistema de poder mundial trata de fazer alternar no Executivo partidos que cumpram suas determinações. No Brasil, conquanto tenha como agentes preferenciais o PSDB e aliados, a oligarquia anglo-americana -  para dar espaço a Lula – se valera, em 1994, das fraudes que alijaram Brizola do segundo turno.
4. E ela não fez virar a mesa, quando, em 2002, Lula derrotou o candidato de FHC,  desgastadíssimo pelos efeitos sobre a  população dos desastres causados pelo governo do PSDB.  Lula foi logo anunciando nomeações de agentes da oligarquia, como Meirelles para presidir o Banco Centra e Marina Silva, ministra do Meio-Ambiente.
5. Por outro lado, embora o PSDB não seja palatável para a maioria dos eleitores, a oligarquia conta com o tempo decorrido desde 2002 e com a amnésia ministrada pela grande mídia para fazer esquecer a devastação tucana.
6. E, para ajudar nisso, nada melhor que expor a responsabilidade do PT num grande esquema de corrupção, não  porque o PT não esteja atendendo os interesses do poder mundial,  mas porque os concentradores preferem manter viva sua alternativa mais segura, o PSDB.
7. Ademais, a corrupção está entre os temas que têm suscitado maior preocupação ao povo brasileiro, e não apenas no seio da classe média, tradicionalmente moralista.
8. Alguns blogs independentes ou patrocinados pelo atual governo lembraram que os tucanos cometeram, nos oito anos de FHC, atos de corrupção causadores  de danos muito mais profundos para o País, e nisso esses blogs têm razão.
9. Falta, porém, razão aos que negam o mensalão. Mais relevante que isso: deixam de observar que a corrupção do mensalão comprou parlamentares de partidos menores, não para aprovar propostas favoráveis à sociedade brasileira, mas para aprovar emendas constitucionais e leis que deram continuidade à agenda do império, a do Consenso de Washington e do FMI.
10. Isso parece até contraditório, já que, para esse tipo de coisa, o PT poderia ter o apoio da “oposição”, PSDB, DEM, PPS e outros, fieis à agenda entreguista, embora houvesse a possibilidade de se oporem, como fez o PT, no período FHC, sabendo que ela seria adotada de qualquer modo.
11. Mais que isso: o PT julgou necessário garantir maioria estável no Congresso, ameaçada pela flutuação dos votos de grande parte dos parlamentares do PMDB e de outros partidos cujo apoio depende de cargos e vantagens.
12. De qualquer forma, o mensalão não passa de um caso da corrupção de varejo. Mas esse teve grande repercussão, ao contrário do mensalão tucano em Minas Gerais e da ainda mais grave compra de deputados para votarem a favor da emenda constitucional que permitiu a reeleição de FHC.
13. E que dizer dos casos de mega-corrupção tucana com as privatizações,  evasão de divisas no escândalo do BANESTADO etc.?
14. O que o povo brasileiro precisa saber, para agir em consequência, é que a corrupção no País é sistêmica. Que quer dizer isso? Que ela decorre da estrutura econômica, social e política existente.
15. E o que caracteriza essa estrutura? A concentração da propriedade dos meios de produção em mãos de grupos econômicos, hoje, basicamente estrangeiros ou desnacionalizados.
16. Provém desses grupos a corrupção ativa, os abusos do poder sobre o mercado, as fraudes em prejuízo dos consumidores e outras formas de corrupção. Corrompem não só políticos e agentes públicos, mas gente do setor privado dentro desses próprios grupos e em outras empresas.
17. Tudo isso resulta no empobrecimento da grande maioria dos brasileiros, apesar de o País ser extremamente rico em terras férteis, água, minérios preciosos e estratégicos.
18. Passa, em geral, despercebido  que a corrupção no setor público parte, amiúde, do setor privado. Concorre para essa falta de percepção a atitude seletiva da grande mídia, a qual  enfatiza a corrupção no âmbito do Estado. Embora aponte também casos com empresários no pólo ativo da corrupção, trata de acobertar grandes transnacionais e bancos.
19. O aspecto social da estrutura econômica mostra-se na concentração da renda, com 60% da população sem renda ou ganhando menos de dois salários mínimos. O quadro é tão deplorável, que os “especialistas” da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República definem como de classe média as famílias com renda, por pessoa, entre R$ 291 e R$ 1.019 mensais.
20. Do outro lado, são colossais os ganhos das transnacionais e dos bancos, que comandam a economia e a política. As transferências das transnacionais ao exterior descapitalizam o País de forma aguda, inviabilizando que os ganhos do mercado sejam reinvestidos na economia produtiva. 
21. Até mesmo os brasileiros ricos, que têm muito menos poder e incluem servidores oficiais e extra-oficiais dos concentradores, já detinham, no final de 2010, recursos financeiros em paraísos fiscais no exterior de US$ 520  bilhões.
22. Claro está que os partidos políticos e os resultados das eleições são controlados pelos grupos concentradores, os quais determinam, ademais, o acesso das pessoas aos meios de comunicação e o que, através destes, se “informa” e desinforma aos cidadãos.
23. É de concluir, pois, que a estrutura política é incompatível com o Estado democrático de direito e decorre da estrutura econômica concentrada e desnacionalizada.
24. As normas democráticas da Constituição permaneceram letra morta, como a que limita os juros reais a 12% aa., enquanto as favoráveis aos concentradores são rigorosamente aplicadas e foram acrescidas das reformas de FHC, instituídas conforme as receitas do Consenso de Washington, FMI e  Banco Mundial e mantidas e prorrogadas nos governos petistas.
25. Deveria também ser conhecido de todos que a Constituição de 1988 foi fraudada para privilegiar o “serviço da dívida” no Orçamento Federal e realizar descomunal sangria, que já passa de R$ 7 trilhões,  esvaziando do País os seus recursos.
26. Ninguém, entre os constituintes, reparou na fraude. Será? Se alguém notou, fingiu que não notou. Nem o  relator nem o presidente da Assembléia Constituinte, nem seus assessores, nem líder de partido algum.
27. O estelionato foi cometido através de requerimento de fusão de emendas  de redação aos atuais artigos 165/167, inserindo no 166 o dispositivo fraudulentamente acrescentado ao texto aprovado no primeiro turno, ao submetê-lo para aprovação em segundo turno.
28. Na página do requerimento em que o texto foi adulterado, está a rubrica de Nelson Jobim, agora nomeado por Sarney, presidente do Senado, para liderar o grupo de “notáveis” que elabora revisão do pacto federativo. Constituição cidadã? Não, demagogia!  
29. A concentração e a desnacionalização da economia intensificaram-se desde 1954, e, desde 1988, esse processo acelerou-se.  Daí vem a inviabilidade de ser praticado no País qualquer sistema de governo democrático.
30.  Está arraigada, nas universidades e nos demais meios de comunicação social a falsa ideia de que pluralismo de partidos, “liberdade” de imprensa e de informação e eleições periódicas são suficientes para caracterizar a democracia.
31. Que essas condições não garantem democracia alguma está sendo mais percebido nos países “desenvolvidos” abalados pelo colapso financeiro e pela depressão (recessão é eufemismo, mal fundamentado através da manipulação de dados estatísticos).
32. Naquelas “democracias”, como no Brasil,  os partidos e as eleições são controlados pelos concentradores financeiros “privados”, os grandes bancos e transnacionais, que são de propriedade privada, mas exercem poder público.
33. Isso está na raiz dos colapsos econômicos e não só impediu de moderar a natural tendência à concentração do sistema capitalista, mas a agravou através da legislação e da política econômica.
34. Desde a crise de 2007, os concentradores privados ganharam recursos e vantagens governamentais da ordem de US$ 30 trilhões, enquanto as condições sociais se agravavam.
35. Portanto, é a oligarquia financeira que origina a corrupção sistêmica e dela se beneficia. Ademais as “formas democráticas” não evitaram sequer que fosse instituído nos EUA o Estado policial, principalmente a partir do golpe de 11 setembro de 2001.
36. Só os menos informados ignoram ter havido, nesse dia, um golpe da oligarquia para facilitar novas guerras e agressões imperiais e eliminar as garantias constitucionais, a pretexto de combater um terrorismo inexistente ou facilmente contível.
37. A “democracia” brasileira  é calcada nesses modelos nada exemplares, e a iniquidade social é maior que nos países “desenvolvidos”. E, como se isso tudo não bastasse,  há, ainda,  a urna eletrônica sem a possibilidade de conferir o voto.
38. Mas como erguer um sistema realmente democrático, com maior espaço para a democracia direta e capaz de assegurar que  a democracia representativa não mais seja a farsa que tem sido?
39. Como instituir sistema democrático sem transformação profunda na estrutura econômica e social? Ou será que teríamos de, antes, transformar as instituições políticas subordinadas aos concentradores da estrutura econômica?
42. Que fazer, então, diante do fato de que não há como sequer modificar superficialmente essas instituições enquanto elas estiverem de pé?
* - Adriano Benayon é doutor em economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento, editora Escrituras, SP.



     MENSALÃO E CORRUPÇÃO
Adriano Benayon * - 13.08.2012
Os principais jornais, revistas e  TVs, sempre alinhados com os interesses imperiais,  dão grande destaque ao julgamento, no Supremo Tribunal Federal, do mensalão, levado adiante nas instâncias do Estado, porque atinge principalmente José Dirceu, um líder centralizador de poder, e tido por ser de esquerda.  Além disso, pode abalar a popularidade de Lula
2. Em todo o mundo, os oligarcas estrangeiros e seus agentes e laranjas locais tratam de minar quaisquer lideranças que aspirem a voos próprios e se tornem, assim, menos dependentes dos dinheiros daqueles.
3. O sistema de poder mundial trata de fazer alternar no Executivo partidos que cumpram suas determinações. No Brasil, conquanto tenha como agentes preferenciais o PSDB e aliados, a oligarquia anglo-americana -  para dar espaço a Lula – se valera, em 1994, das fraudes que alijaram Brizola do segundo turno.
4. E ela não fez virar a mesa, quando, em 2002, Lula derrotou o candidato de FHC,  desgastadíssimo pelos efeitos sobre a  população dos desastres causados pelo governo do PSDB.  Lula foi logo anunciando nomeações de agentes da oligarquia, como Meirelles para presidir o Banco Centra e Marina Silva, ministra do Meio-Ambiente.
5. Por outro lado, embora o PSDB não seja palatável para a maioria dos eleitores, a oligarquia conta com o tempo decorrido desde 2002 e com a amnésia ministrada pela grande mídia para fazer esquecer a devastação tucana.
6. E, para ajudar nisso, nada melhor que expor a responsabilidade do PT num grande esquema de corrupção, não  porque o PT não esteja atendendo os interesses do poder mundial,  mas porque os concentradores preferem manter viva sua alternativa mais segura, o PSDB.
7. Ademais, a corrupção está entre os temas que têm suscitado maior preocupação ao povo brasileiro, e não apenas no seio da classe média, tradicionalmente moralista.
8. Alguns blogs independentes ou patrocinados pelo atual governo lembraram que os tucanos cometeram, nos oito anos de FHC, atos de corrupção causadores  de danos muito mais profundos para o País, e nisso esses blogs têm razão.
9. Falta, porém, razão aos que negam o mensalão. Mais relevante que isso: deixam de observar que a corrupção do mensalão comprou parlamentares de partidos menores, não para aprovar propostas favoráveis à sociedade brasileira, mas para aprovar emendas constitucionais e leis que deram continuidade à agenda do império, a do Consenso de Washington e do FMI.
10. Isso parece até contraditório, já que, para esse tipo de coisa, o PT poderia ter o apoio da “oposição”, PSDB, DEM, PPS e outros, fieis à agenda entreguista, embora houvesse a possibilidade de se oporem, como fez o PT, no período FHC, sabendo que ela seria adotada de qualquer modo.
11. Mais que isso: o PT julgou necessário garantir maioria estável no Congresso, ameaçada pela flutuação dos votos de grande parte dos parlamentares do PMDB e de outros partidos cujo apoio depende de cargos e vantagens.
12. De qualquer forma, o mensalão não passa de um caso da corrupção de varejo. Mas esse teve grande repercussão, ao contrário do mensalão tucano em Minas Gerais e da ainda mais grave compra de deputados para votarem a favor da emenda constitucional que permitiu a reeleição de FHC.
13. E que dizer dos casos de mega-corrupção tucana com as privatizações,  evasão de divisas no escândalo do BANESTADO etc.?
14. O que o povo brasileiro precisa saber, para agir em consequência, é que a corrupção no País é sistêmica. Que quer dizer isso? Que ela decorre da estrutura econômica, social e política existente.
15. E o que caracteriza essa estrutura? A concentração da propriedade dos meios de produção em mãos de grupos econômicos, hoje, basicamente estrangeiros ou desnacionalizados.
16. Provém desses grupos a corrupção ativa, os abusos do poder sobre o mercado, as fraudes em prejuízo dos consumidores e outras formas de corrupção. Corrompem não só políticos e agentes públicos, mas gente do setor privado dentro desses próprios grupos e em outras empresas.
17. Tudo isso resulta no empobrecimento da grande maioria dos brasileiros, apesar de o País ser extremamente rico em terras férteis, água, minérios preciosos e estratégicos.
18. Passa, em geral, despercebido  que a corrupção no setor público parte, amiúde, do setor privado. Concorre para essa falta de percepção a atitude seletiva da grande mídia, a qual  enfatiza a corrupção no âmbito do Estado. Embora aponte também casos com empresários no pólo ativo da corrupção, trata de acobertar grandes transnacionais e bancos.
19. O aspecto social da estrutura econômica mostra-se na concentração da renda, com 60% da população sem renda ou ganhando menos de dois salários mínimos. O quadro é tão deplorável, que os “especialistas” da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República definem como de classe média as famílias com renda, por pessoa, entre R$ 291 e R$ 1.019 mensais.
20. Do outro lado, são colossais os ganhos das transnacionais e dos bancos, que comandam a economia e a política. As transferências das transnacionais ao exterior descapitalizam o País de forma aguda, inviabilizando que os ganhos do mercado sejam reinvestidos na economia produtiva. 
21. Até mesmo os brasileiros ricos, que têm muito menos poder e incluem servidores oficiais e extra-oficiais dos concentradores, já detinham, no final de 2010, recursos financeiros em paraísos fiscais no exterior de US$ 520  bilhões.
22. Claro está que os partidos políticos e os resultados das eleições são controlados pelos grupos concentradores, os quais determinam, ademais, o acesso das pessoas aos meios de comunicação e o que, através destes, se “informa” e desinforma aos cidadãos.
23. É de concluir, pois, que a estrutura política é incompatível com o Estado democrático de direito e decorre da estrutura econômica concentrada e desnacionalizada.
24. As normas democráticas da Constituição permaneceram letra morta, como a que limita os juros reais a 12% aa., enquanto as favoráveis aos concentradores são rigorosamente aplicadas e foram acrescidas das reformas de FHC, instituídas conforme as receitas do Consenso de Washington, FMI e  Banco Mundial e mantidas e prorrogadas nos governos petistas.
25. Deveria também ser conhecido de todos que a Constituição de 1988 foi fraudada para privilegiar o “serviço da dívida” no Orçamento Federal e realizar descomunal sangria, que já passa de R$ 7 trilhões,  esvaziando do País os seus recursos.
26. Ninguém, entre os constituintes, reparou na fraude. Será? Se alguém notou, fingiu que não notou. Nem o  relator nem o presidente da Assembléia Constituinte, nem seus assessores, nem líder de partido algum.
27. O estelionato foi cometido através de requerimento de fusão de emendas  de redação aos atuais artigos 165/167, inserindo no 166 o dispositivo fraudulentamente acrescentado ao texto aprovado no primeiro turno, ao submetê-lo para aprovação em segundo turno.
28. Na página do requerimento em que o texto foi adulterado, está a rubrica de Nelson Jobim, agora nomeado por Sarney, presidente do Senado, para liderar o grupo de “notáveis” que elabora revisão do pacto federativo. Constituição cidadã? Não, demagogia!  
29. A concentração e a desnacionalização da economia intensificaram-se desde 1954, e, desde 1988, esse processo acelerou-se.  Daí vem a inviabilidade de ser praticado no País qualquer sistema de governo democrático.
30.  Está arraigada, nas universidades e nos demais meios de comunicação social a falsa ideia de que pluralismo de partidos, “liberdade” de imprensa e de informação e eleições periódicas são suficientes para caracterizar a democracia.
31. Que essas condições não garantem democracia alguma está sendo mais percebido nos países “desenvolvidos” abalados pelo colapso financeiro e pela depressão (recessão é eufemismo, mal fundamentado através da manipulação de dados estatísticos).
32. Naquelas “democracias”, como no Brasil,  os partidos e as eleições são controlados pelos concentradores financeiros “privados”, os grandes bancos e transnacionais, que são de propriedade privada, mas exercem poder público.
33. Isso está na raiz dos colapsos econômicos e não só impediu de moderar a natural tendência à concentração do sistema capitalista, mas a agravou através da legislação e da política econômica.
34. Desde a crise de 2007, os concentradores privados ganharam recursos e vantagens governamentais da ordem de US$ 30 trilhões, enquanto as condições sociais se agravavam.
35. Portanto, é a oligarquia financeira que origina a corrupção sistêmica e dela se beneficia. Ademais as “formas democráticas” não evitaram sequer que fosse instituído nos EUA o Estado policial, principalmente a partir do golpe de 11 setembro de 2001.
36. Só os menos informados ignoram ter havido, nesse dia, um golpe da oligarquia para facilitar novas guerras e agressões imperiais e eliminar as garantias constitucionais, a pretexto de combater um terrorismo inexistente ou facilmente contível.
37. A “democracia” brasileira  é calcada nesses modelos nada exemplares, e a iniquidade social é maior que nos países “desenvolvidos”. E, como se isso tudo não bastasse,  há, ainda,  a urna eletrônica sem a possibilidade de conferir o voto.
38. Mas como erguer um sistema realmente democrático, com maior espaço para a democracia direta e capaz de assegurar que  a democracia representativa não mais seja a farsa que tem sido?
39. Como instituir sistema democrático sem transformação profunda na estrutura econômica e social? Ou será que teríamos de, antes, transformar as instituições políticas subordinadas aos concentradores da estrutura econômica?
42. Que fazer, então, diante do fato de que não há como sequer modificar superficialmente essas instituições enquanto elas estiverem de pé?
* - Adriano Benayon é doutor em economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento, editora Escrituras, SP.



segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Governo federal vai se antecipar aos desastres naturais, diz presidenta

Publicação: 13 de Agosto de 2012 às 08:30

A presidenta Dilma Rousseff reiterou hoje (13) que o governo federal pretende se antecipar aos desastres naturais este ano por meio do Plano Nacional de Gestão de Riscos e Respostas a Desastres Naturais. O conjunto de ações foi lançado na semana passada.

"Esse plano é muito importante porque vai nos ajudar a salvar vidas. Com ele, o governo federal vai se antecipar e ajudar as pessoas a se prevenir contra os efeitos dos desastres naturais, das inundações, dos deslizamentos de terra e das secas prolongadas", ressaltou.

No programa semanal de rádio Café com a Presidenta, Dilma lembrou que a estimativa do governo é investir mais de R$ 18 bilhões no plano até 2014. O dinheiro será destinado à execução de obras, compra de equipamentos e ao monitoramento de áreas em situação de risco.

De acordo com a presidenta, as ações devem beneficiar populações de todas as regiões do país. Segundo ela, serão mapeadas inicialmente 821 cidades que mais sofreram com desastres naturais nos últimos 20 anos.

"É como uma radiografia de cada município. A partir dessa radiografia, nós podemos alertar a população sobre o risco de um deslizamento. Assim, essas pessoas podem sair de casa e deixar a área de risco para se proteger", explicou.

Segundo Dilma, mais de R$ 15 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) serão destinados a obras de prevenção aos desastres naturais, feitas em parceria com os estados. Ela citou como exemplo a necessidade de contenção de encostas e de drenagem na região serrana do Rio de Janeiro e na região da Bacia do Paraíba do Sul, na Baixada Campista.

"A tecnologia é importantíssima para acompanhar o clima, mapear, monitorar e avaliar as áreas de risco. Por isso, estamos comprando mais nove radares meteorológicos, 286 estações hidrológicas e 4,1 mil pluviômetros. Assim, teremos informações precisas, para agir antes que os desastres ocorram", destacou.

Fonte: Agência Brasil

sábado, 11 de agosto de 2012

ECOM 2012, maior projeto de inclusão digital comercial, estará em Natal no próximo dia 16. Evento percorrerá as 12 cidades-sede da Copa de 2014
Divulgação
O maior evento de informação, formação e capacitação profissional para o comércio, varejo, meio lojista e rede de serviços já iniciou a sua segunda edição. O ECOM 2012 – II Seminário Nacional de Comércio Eletrônico, Meios de Pagamento e Negócios na Web, que reuniu mais de sete mil pessoas no país em 2011, é um megaevento sobre comércio eletrônico e negócios na web, que tem por objetivo ajudar no preparo do Brasil para receber a Copa do Mundo de 2014. Em Natal, o ECOM 2012 acontecerá no próximo dia 16, a partir das 9h,no auditório do hotel Parque da Costeira – Via Costeira.
Em formato road show, a segunda edição do ECOM 2012 já iniciou a visitação pelas 12 cidades-sede da Copa de 2014 e mais duas capitais – Florianópolis e Belém – com o objetivo de promover uma inclusão digital comercial. “Nossa finalidade é ajudar o Brasil a se preparar para receber a Copa do Mundo, além de colaborar com o país no desenvolvimento econômico e da economia digital”, afirma o consultor empresarial, especialista em marketing estratégico e diretor-geral do ECOM 2012, Marcelo Castro.
O evento conta com o apoio da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do RN (FCDL/RN), Caixa Econômica Federal, SEBRAE, Vivo, Banco Santander, Ciashop, DEPF, APCF (Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais), ABEAT (Associação Brasileira de Especialistas em Alta Tecnologia), GS1 Brasil e T-Systems.
Com participações e inscrições gratuitas, o evento teve início no último dia 02 de agosto em São Paulo. Natal será a terceira capital a receber o evento. Na sequência, as outras 11 cidades receberão o evento até o mês de novembro. As inscrições podem ser feitas por meio do site http://www.ecom2012.com.br
ESTRUTURA DO EVENTO

Com aproximadamente oito horas de duração, o ECOM 2012 terá 10 palestras de especialistas e autoridades nas temáticas abordadas, além de um workshop com profissionais que usam e dominam as mídias sociais.  “O megaevento permitirá o contato com recentes tendências tecnológicas, ferramentas de modernização dos negócios, troca de experiências e informações com especialistas e autoridades em negócios virtuais, segurança na web, logística, cloud computer, novas tecnologias (Rfid, Ercode), etc.”, afirma Castro.
Entre os temas de debates do evento estão: “Segurança e crimes cibernéticos/virtuais”, “Marketing moderno na era digital”, “Direito digital na era dos negócios eletrônicos”, “A mobilidade e conectividade revolucionando negócios”, “Logística na era digital”, “Publicidade e comunicação na era digital”, “Finanças e economia digital”, “CRM, cloud computer nos negócios modernos”, “A revolução do QR e do código de barras no comércio, serviços e redes hoteleiras”, entre outros. A programação completa do evento está disponível no www.ecom.com.br/palestras, clicando diretamente na sua cidade de preferência.
A novidade do ECOM 2012 é para o I Workshop Nacional de Redes & Mídias Sociais, que será realizado junto ao evento com um painel de debates e palestras de especialistas e membros da comunidade local de cada cidade-sede.
“Cada uma das capitais terá profissionais de mídias sociais para compartilhar ideias de sucesso e apresentar como é possível fortalecer os negócios através das redes sociais. O foco estará nos aplicativos de celulares, aparelhos mobile, como smartphones e tablets, e como eles podem ajudar a prover novidades aos clientes e criar oportunidades de negócios”, explica Castro.
Além da programação de palestras, os participantes do evento poderão contar ainda com o Expo Ecom 2012, que concentrará 12 empresas e cinco entidades apoiadoras que apresentarão produtos, serviços, tecnologias, além de prestação de serviços aos interessados.
OPORTUNIDADES
Na visão do diretor-geral do ECOM 2012, Marcelo Castro, os próximos anos vão exigir do empresariado brasileiro e dos profissionais de uma maneira geral, muito mais do que talento para vendas e negócios. A Copa de 2014 vai gerar um incrível movimento e iniciativas de fomento ao comércio eletrônico de todas as partes, assim como os próximos anos serão tendenciosos às transações comerciais, utilizando-se cada dia mais de novos meios de pagamentos e novas formas de compras, que vão atuar principalmente nas plataformas do celular, tablets e da TV a cabo.
“Todos serão afetados sem nenhuma restrição, a rapidez como reagimos e nos adaptamos aos novos tempos é que será definitiva para o sucesso ou a queda das vendas. Os próximos anos vão exigir do empresariado brasileiro muito mais do que talento para as vendas”, destaca.
Diante dos desafios e oportunidades, o ECOM 2012 vai apresentar questões, como:
- Uma loja virtual ou um comércio eletrônico são novas empresas?
- Como entrar no mundo dos negócios eletrônicos?
- É verdade que os pequenos negócios e os micros e pequenos empresários ou empreendedores têm mais chance de dar certo no comércio eletrônico?
- O comércio e varejo brasileiro estão preparados para receber os visitantes e turistas virtuais?
- Temos infraestrutura tecnológica para dar sustentação a maior e mais midiática Copa do Mundo de todos os tempos?
- Como estamos em termos de conectividade e interatividade na Web? Nossa banda larga aguenta?
- Quais são as oportunidades e ameaças que a Copa de 2014 vai trazer ao Brasil em termos de comércio eletrônico?
- Por que precisamos nos preparar e não esperar pelas iniciativas governamentais de infraestrutura tecnológica para crescer nos negócios?
Mais informações e inscrições gratuitas pelo site: www.ecom2012.com.br
Assessoria de Comunicação FCDL/RN


--
Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN em 8/10/2012 07:21:00 PM

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Energisa amplia fornecimento de energia em Campina Grande.

Consumidores industriais são beneficiados com a implantação da Subestação Aeroclube
Foto por assessoria: divulgação
Construída em apenas três meses e meio, a Subestação Aeroclube, em Campina Grande, foi energizada no último dia 30, beneficiando consumidores industriais como as unidades I e II da Alpargatas, Arbane e o Aeroporto.  A alimentação da SE Aeroclube se dá através de uma linha de transmissão de três quilômetros que faz a ligação com a subestação Catolé, também em Campina Grande. 
A subestação conta com um transformador de força em 10/12,5MVA, com possibilidade de expansão futura, além de setor de 13,8kV com barramento principal e de transferência composto de três alimentadores, também com possibilidade de expansão.

A automação da SE Aeroclube foi realizada dentro dos parâmetros definidos para subestações inteligentes, com suporte de monitoramento remoto e redundância de comunicação garantida com a instalação de uma torre de telecomunicações. Esse é um investimento que significa um importante aumento de capacidade de atendimento na região de Campina Grande.
“A construção da Subestação Aeroclube apresenta dois aspectos muito importantes, sendo o primeiro deles a concretização de um compromisso assumido e cumprido pelo Grupo Energisa junto a seus clientes, ou seja, investir em melhoria contínua no atendimento a seus serviços e o outro a constatação do  alto grau de integração alcançado entre as diversas áreas da Energisa Paraíba, onde Operação, Manutenção, Construção da Distribuição, Automação, Telecomunicação e Obras Civis, sob coordenação do Departamento de Construção da Transmissão funcionaram como uma perfeita engrenagem, onde cada uma deu a sua contribuição.”, afirmou Júlio Ragone, diretor corporativo de Engenharia e Construção.
  
Viviane Keller Peixoto
Analista de Comunicação
Energisa Paraíba


--
Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN em 8/09/2012 08:41:00 PM

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

João Pessoa também cresce para cima.

Verticalização passa a ser considerada uma boa solução para assegurar qualidade de vida nas grandes cidades
Divulgação
A cada dia que se passa parece mais difícil achar espaço para abrigar uma população mundial de mais de sete bilhões de pessoas e que não para de crescer. Com isso a verticalização das cidades, que chegou a ser mal vista por ambientalistas e urbanistas, ganha cada vez mais adeptos como forma de abrigar de maneira sustentável todo esse contingente. As vantagens da verticalização são muitas e vão muito além da econômica (mas que não pode ser ignorada) como, por exemplo, o aproveitamento de infraestrutura e a economia de tempo nos deslocamentos.
Uma publicação recente divulgada pela Mercer, entidade internacional independente, especializada em estudos sobre qualidade de vida, mostrou que entre as cidades mais adensadas, tanto no Brasil quanto na Europa e Estados Unidos, as que proporcionam melhor qualidade de vida a seus habitantes, são as mais verticalizadas.

Em João Pessoa o mercado já atentou para essa mudança de paradigma. Uma prova disso é que mesmo na região sul da cidade, antes caracterizada pela grande quantidade de casas e prédios de no máximo quatro pavimentos, já apresentam empreendimentos maiores, com mais andares que primam em assegurar a qualidade de vida dos moradores.
O empreendimento da Construtora Albatroz, o edifício Tierras de España, planejado para ter quatro torres, cada um com 17 pavimentos se configura como um bom exemplo de verticalização inteligente. “A verticalização pode ser vista como uma boa solução para contornar o adensamento da cidade”, defende Paulino Teixeira de Carvalho, sócio-cotista da Teixeira de Carvalho Imóveis, responsável pela venda das unidades do Tierras de España.
A três primeiras torres foram um sucesso de venda e a quarta será lançada neste sábado. “A zona sul da cidade comporta atualmente os bairros mais populosos e que mais crescem atualmente. Um empreendimento feito com planejamento e aliado a uma infraestrutura adequada é um caminho bastante racional e atende a esta demando da localidade. Por isso investimos nas vendas do Tierras de Espanã”, conclui Paulino.
Além de proporcionar uma melhor qualidade de vida, esses empreendimentos oferecem várias opções de lazer. A exemplo do Tierras de España que possui cerca de 10 itens de lazer sem cobrar um preço alto pelo condomínio. “Na verdade a verticalização agride menos o meio ambiente, além disso, gera uma significativa economia em vários aspectos para os moradores da cidade. O Bairro dos Bancários, por exemplo, é bastante central e tem acesso fácil tanto ao Centro quanto às praias e shoppings”, detalha Paulino, lembrando que o condomínio do empreendimento se configura como um dos mais baixos da categoria.
Ainda falando em qualidade de vida, o Tierras de España, tem uma vantagem adicional fica localizado próximo à Mata do Buraquinho, o que além de uma bela paisagem, propicia um clima mais agradável à região. Além disso, fica perto de universidades e de uma grande rede de supermercados. O prédio conta com apartamento de dois e três quartos todos voltados para o nascente.
Lançamento
 A quarta torre do o Tierras de España ,chamada Santander, está sendo lançada neste sábado (04) com muitas atividades e principalmente promoções. No próprio empreendimento foi montado um stand de vendas e quem visitar o local e quiser fechar negócio na hora, ganha 50% de desconto no valor do sinal. “A proposta é aprovada de imediato e o cliente só precisa dar encaminhamento ao fechamento do contrato com vendedor. Simples e prático!”, explica o diretor administrativo-financeiro da Construtora Albatroz, José Nunes Filho.
O stand funcionará das 9h às 17h. Para quem quiser levar os filhos, isso não será um problema. Palhaços, pula-pula e brinquedos serão colocados no local para entreter os pequenos enquanto os pais visitam o apartamento decorado ou fazem negociações.
I2 INTELIGENCIA

domingo, 5 de agosto de 2012

Estrada vai sair do papel? Dizem que vai. Moradores afirmaram ontem que a estrada que liga Bananeiras  ao açude Jandaia, vai ser asfaltada pelo Governo do Estado, apesar de não ter placa sobre o projeto da obra que, até a agora, só houve a terraplenagem para tirar os "calombos" e buracos. Poucos piquetes entre o bairro Cidade Alta e a Chã do Lindolfo, com quatro quilômetros previstos para o asfaltamento prometidos há mais de 30 anos. Ontem, um topógrafo disse que é verdade e não é promessa de campanha. Vamos aguardar.Há dúvidas quanto a parceira entre Governo do Estado, Prefeitura e Empresa Privada, sem autorização legal e específica, disse uma fonte. Mas se existe o amparo legal, então aguardemos o seu anúncio, antes do inicio do tão aguardado asfaltamento. A estrada asfaltada possibilitará o desenvolvimento da região, inclusive propiciará o acesso a um dos pontos turísticos inexplorados de Bananeiras, como a àrea da Gruta de Antonia Luzia, onde originou o Lesô, uma dança de roda praticada há mais de 100 anos por parte dos seus moradores.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Saiba mais como estão entregando as nossas riquezas.

  O custo da desnacionalização

Adriano Benayon* – 29.07.2012

1. Venho mostrando que a desnacionalização está na raiz das travas ao desenvolvimento econômico e social do País, que  se traduzem em suplícios diariamente vivenciados pela imensa maioria dos brasileiros.

2. Entre os aspectos da vida em que nossa população é mais sacrificada está o transporte para ir ao trabalho e de lá voltar, em que se perde, em muitos casos, seis horas diárias, ademais de passá-las em extremo desconforto.

3. Isso atinge mais duramente os que dependem totalmente dos meios de transporte públicos, mas não poupa os que têm veículo próprio, emperrados no trânsito urbano e nas estradas deficientes e congestionadas, ou exploradas por concessionárias vorazes na extorsão dos pedágios exorbitantes.

4. Esses prejuízos e os decorrentes dos preços dos veículos mais altos do mundo - que, por vezes, passam do dobro do que pagam os consumidores de outros países -  são os mais visíveis, mas não são os únicos nem os maiores.

5. As colossais transferências de recursos financeiros que as subsidiárias das transnacionais efetuam em favor de suas matrizes são a causa principal dos déficits das contas externas e o fator básico do endividamento.

6. Este,  por seu turno, deu lugar aos abusos que fizeram exponenciar a dívida pública, através da composição de juros extorsivos e de numerosas e injustificáveis taxas, sem falar na estatização de dívidas privadas.

7. Assim, nos últimos 30 anos o “serviço da dívida” come a parte do leão das receitas públicas, fazendo minguar os investimentos na infra-estrutura, na saúde e na educação.  Para cúmulo, a insuficiência quantitativa é grandemente agravada pela escolha “errada” em onde investir e como investir.

8. Quanto ao onde, priorizou-se, entre os transportes, o rodoviário. Mas quem induziu ao erro? Há erros tão grosseiros, que não podem ocorrer só por ignorância: alguém exerceu poder para que eles fossem cometidos. Esse é o fulcro da maior – e menos comentada – corrupção existente no País.

9. Os juristas da Roma Antiga recomendavam procurar a quem o crime aproveita. A quem, senão  à indústria automotiva e ao cartel do petróleo, cujos interesses, em âmbito mundial, são, em grande parte, os mesmos?

10. Quanto ao como, os investimentos são feitos antes para propiciar ganhos às grandes empresas mundiais que em proveito do País. Omitindo as verdadeiras causas do “custo Brasil”, os que reclamam dos impostos altos, energia e transportes caros não sabem do falam, ou fingem não saber.

11. De fato, não fosse a dívida inflada por obra do modelo dependente, não teríamos, como hoje, de usar quase metade da receita de  impostos e contribuições  no serviço dessa dívida.  Além disso, as alíquotas poderiam ser reduzidas para a metade das atuais, gerando  o dobro da receita, se tivessem ficado no País e fossem investidos sensatamente os recursos apropriados e transferidos ao exterior pelas transnacionais.

12. Quanto à energia o  Brasil tem todas as condições naturais para que seja barata, e assim seria se não se importassem, com enormes sobrepreços, as turbinas e outros equipamentos dos cartéis mundiais, sob o esquema da dependência financeira e tecnológica. Depois, a dívida resultante subiu para estratosfera.

13. A energia seria muitíssimo mais barata se se tivesse desenvolvido corretamente a da biomassa, com óleos vegetais substituindo o diesel de petróleo e o álcool combinado com a agropecuária.  Mesmo sem isso, seria muito mais módica, se FHC não tivesse favorecido as estrangeiras British Gas, Shell e Enron com os contratos para importar gás da Bolívia, destinado a antieconômicas termelétricas. Seria ainda mais competitiva sem  as corruptas privatizações e concessões.

14. O Brasil é superdotado em recursos aquaviários, base da modalidade mais econômica dos transportes: extensíssima costa marítima e abundância de rios navegáveis, ou transformáveis em tal, e interligáveis por canais. Há 70 anos, o Prof. Affonso Várzea elaborou o projeto “Ilha do Brasil”, que incluía a ligação entre as bacias do Prata e do Amazonas. E, até hoje, nada!

15. Se tivesse investido em ferrovias e material rodante, prosseguido com as estatais e estimulado o desenvolvimento de tecnologia, não se teria aprofundado a desvantagem em que o País se encontrava há 56 anos, quando a política passou a exacerbar as falhas da malha ferroviária, ao invés de corrigi-las.

16. Veículos automotores em excesso atravancam as vias urbanas, pois faltam densas linhas de metrô nas metrópoles, enormemente infladas em suas periferias pela migração decorrente da estrutura fundiária e da baixíssima renda das massas, gerada pelo modelo. Nos transportes interurbanos e interestaduais dá-se problema semelhante.
17. Conforme estudo do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), as transnacionais montadoras servem-se da pesquisa tecnológica, feita aqui, para remeterem, como despesa, seu lucro real às matrizes, muitíssimo mais que introduzir inovações em processos produtivos.
18. O IPT observa:"O Brasil tem no mundo o maior número de marcas produzidas internamente, mais até que os Estados Unidos.”  Aduz O pesquisador do IPT, Mário Sérgio Salerno: “Isso não é bom para o produto, porque cria uma pulverização, e essa indústria depende de escala para ser competitiva".
19. O engenheiro Carlos Ferreira comenta: “4º  maior mercado de veículos e 6º maior montador. Nenhuma marca nacional. Entretanto, fartura de subsídios às transnacionais, que aqui produzem veículos de baixa tecnologia,  e remessas de bilhões para suas matrizes no exterior. Algumas delas já teriam desaparecido sem este “eldorado dos trópicos”.
20. Como aponta Salerno, as montadoras realizam, em geral,  testes, e não, pesquisa e desenvolvimento (P&D), já que a parte substantiva dos modelos é projetada nas matrizes. Assim, o País paga elevados royalties em favor delas, que contabilizam, como investimento em P&D, numerosas horas de engenharia aplicadas nos testes.
21. Essa é, portanto, uma das rubricas usadas pelas transnacionais para remeter ganhos ao exterior, obtidos com os elevados preços do mercado brasileiro, acrescidos dos subsídios que o “poder público” brasileiro presenteia as montadoras, ademais das isenções  e reduções fiscais.
22. Os insumos importados a preços superfaturados são outro grande conduto de recursos para o exterior, resultando, ao mesmo tempo, no preço final elevadíssimo no mercado brasileiro.
23. Os mais importantes deles são os motores, que não são desenvolvidos no Brasil. Fabricam-se aqui, mas sempre por transnacionais, como ocorre com a maior parte das autopeças, indústria que, até os anos 70,  era controlada em cerca  de 80% por empresas de capital nacional.
24. Esses são dados da realidade  demonstrativos de que, embora tenha crescido quantitativamente, a produção no Brasil decaiu qualitativamente. O atraso é espantoso não só em relação aos países asiáticos - que se industrializaram muito depois do Brasil - mas também em relação aos progressos havidos, enquanto teve governo passavelmente autônomo, i.e., na Era Vargas.
25. A Fábrica Nacional de Motores (FNM), fundada em 1942,  produziu motores aeronáuticos, tendo o primeiro avião com motor FNM saído em 1946. Embora a tecnologia fosse norte-americana, Curtiss-Wright, a produção sob controle nacional viabilizaria o desenvolvimento de tecnologia brasileira.
26. Com a deposição de Vargas em 1945, deu-se o primeiro retrocesso, convertendo-se a produção para motores de eletrodomésticos. Em 1949, a FNM iniciou a fabricação de caminhões, retomada em 1951, em associação com a estatal italiana Alfa-Romeo, com Vargas de volta.
27. Depois, a fábrica de Xerém, RJ, produziu novo modelo do exitoso caminhão FNM e depois o automóvel de passeio Alfa-Romeo JK, mas, em 1968, o governo do novo golpe militar fez alienar a FNM para a empresa italiana, mais tarde privatizada em favor da Fiat.
28. A política econômica do modelo dependente promoveu a crescente apropriação do mercado interno brasileiro pelas transnacionais, inclusive através das barreiras à importação. A partir da abertura radical à globalização, iniciada por Collor, os veículos produzidos no Brasil foram tendo conteúdo decrescente de insumos locais, e cresceram as importações de veículos. 
29. O resultado disso espelha-se na balança comercial do 1º quadrimestre de 2012: as exportações de automóveis somaram US$ 1,2 bilhão, enquanto as importações atingiram US$ 3,3 bilhões.
30. Segundo o estudo do IPT, Volkswagen, General Motors e Fiat desenvolveriam alguma tecnologia local, em produtos aqui concebidos, como o Fox, da Volks, e a Meriva, da GM.
32. Mas não são desenvolvimentos significativos.  Pior: em qualquer caso, pode-se ter certeza que eles se tornam propriedade das transnacionais, protegida por patentes.
33. Na realidade é para isto que a Volkswagen ganhará mais um subsídio: o financiamento pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), no montante de nada menos que R$ 342 milhões, para “desenvolver” um subcompacto e um sedã, e  “modernizar” modelos existentes.
34. Como assinala o economista Paulo Kliass, em artigo publicado em 13.07.2011, “Prioridades do governo, BNDES e indústria do automóvel”, trata-se de modelos já vendidos em outras praças, como o supercompacto “Up”. O crédito, da linha “Proengenharia” do BNDES, serve para gerar valor agregado no exterior.
35. Aduz Kliass: “Os projetos chegam aqui prontos e acabados”. Lembra, ainda, que o  BNDES já havia favorecido a Renault, em projeto semelhante, com R$ 374 milhões para “adaptação de veículos ao clima e às condições de ruas e estradas do País. Uma loucura!”
36. Poder-se-ia concluir que o BNDES – com “N” de “Nacional” – dissipa recursos fazendo de conta que as transnacionais sejam brasileiras, por ocuparem os mercados do País e exercerem poder sobre o “governo”.
37. Leonardo Sakamoto, em 03/07/2012, no seu blog,  apud Folha SP informa que as montadoras planejam demitir, apesar do aumento de vendas trazido pela redução de IPI. GM e Volkswagen abriram programas de demissão voluntária, e a GM estuda fechar a linha de montagem em São José dos Campos e extinguir 1.500 vagas, segundo o sindicato de metalúrgicos local.
38. Cita, ademais, matéria do Estado de São Paulo, conforme a qual, desde a crise internacional, o governo brasileiro abriu mão de R$ 28 bilhões em impostos para a indústria automobilística, e esta enviou, ao exterior, no período, US$ 14,6 bilhões. Saliento que essa cifra não inclui o grosso da transferência real dos lucros.
39. Sakamoto assinala que, na lógica que as transnacionais impingem ao “governo”, o Estado ajuda as empresas, mas estas não devem sofrer intervenção alguma: “um liberalismo de brincadeirinha, com o Estado atuante, mas subserviente ao poder econômico, em que o (nosso) dinheiro deve entrar calado ...”
40. Recorda  Gabriel Barros, do Instituto Brasileiro de Economia da FVG: “A indústria automotiva do Brasil tem 60 anos e a da Coreia do Sul, 35, e eles são tão mais competitivos, que o consumidor consegue perceber isso simplesmente entrando no carro”.  Ele não explica, porém, que na Coréia do Sul a indústria  é de capital nacional.
41. Nos âmbitos estadual e municipal, os subsídios não são menos escandalosos que na esfera federal. Ancelmo Gois, em O Globo,  de 20.06.2012, informa que Andrea Calabi, secretário de Fazenda de São Paulo ficou “escandalizado” com o incentivo fiscal dado a duas montadoras por Sérgio Cabral, “governador” do Rio de Janeiro:

“O governo fluminense vai financiar 80% do ICMS em 50 anos, com 30 de carência, para Nissan e PSA (Peugeot/Citroen).  Juntos, os benefícios chegam a R$ 10 bilhões.  A medida é insana.  Outras empresas e setores vão querer as mesmas condições...” 

* - Adriano Benayon é doutor em economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento, editora Escrituras SP.