domingo, 1 de julho de 2012

A "guerrilha" de Catolé do Rocha.(II)


69 em Catolé do Rocha/PB - histórias que cruzam. Segunda parte: Combatentes da Liberdade


Imagem 02 – Turma concluinte do ensino básico no Colégio Dom Vital (Catolé do Rocha/PB, possivelmente em 1967)

Passagem pouco conhecida da história recente, a sequencia de fatos que culminou com a formação da chamada “Guerrilha de Catolé” merece estudos mais aprofundados. Além de descobrirmos histórias sobre essa breve tentativa de reação armada contra a ditadura militar no Brasil, entre outras, iremos encontrar um exemplo único de reação radical contra o conservadorismo político e cultural que dominava uma cidade no interior paraibano.
As origens desse insipiente movimento guerrilheiro podem ser encontradas na própria conjuntura da cidade. A tentativa de se iniciar um foco guerrilheiro foi resultado e momento ápice de várias outras agitações políticas. 

 

Como vimos, o Brasil e Catolé do Rocha/PB viviam momentos de autoritarismo e repressão durante a década de 60. Catolé do Rocha, em específico, historicamente sempre foi considerada uma cidade violenta, onde, para além disso, as oligarquias davam a linha da política local.
 Em contrapartida, desde os anos 50 Catolé foi progredindo no que diz respeito a educação escolar. Chegou nos anos 60 contando com cinco escolas, inclusive três com 2° grau: “Colégio Dom Vital, o Estadual, Escola Técnica Comercial, o das Freiras Alemãs e outro que era mantido por Frei Marcelino” (jornal TRIBUNA, 1991) Segundo esse jornal o Dom Vital era o único estabelecimento de ensino de 1° e 2° grau que funcionava sem receber recursos da Prefeitura. Esse colégio também possuía uma gráfica, fato que tem relação com os acontecimentos narrados, como veremos mais a frente.
Diretor do colégio Dom Vital nos tempos da nossa história era o potiguar Frei Marcelino de Santana, “(...) um elemento que sempre foi um pouco a esquerda (...) queria prestar um serviço comunitário, isto é, criar colégios, cursos profissionalizantes, mas não acompanhava o trabalho dele com esse processo de conscientização política.” (TRIBUNA, 1991) Para ele era necessário romper com a “mentalidade atrasada” que dominava Catolé.
Diferente portanto das gerações anteriores de catoleenses, a nova geração que era jovem na década de 60 teve acesso a influências diversas, com base em escolas que atendiam a uma diversidade e maior quantidade de pessoas (como o Dom Vital) e que também propiciavam o contato desses jovens com indivíduos que possuíam preferências políticas mais humanistas ou, de certa forma, de esquerda, como o próprio Frei Marcelino.
Em 1965 um fato contribuiu extraordinariamente para a formação política de uma parcela da juventude de Catolé do Rocha: a chegada de Luiz de Aquino, natural de Upanema/RN e que morava em Mossoró/RN quando da mudança à Paraíba. Chegou para ser bancário e logo em seguida assumiu também o posto de professor de história no Colégio Dom Vital.
Esse indivíduo, em Mossoró no Rio Grande do Norte, fazia parte do Centro Estudantil Mossoroense (C.E.M.), inclusive era secretário quando o prédio do C.E.M. foi ocupado por militares em abril de 1964; teve sorte pois quando chegava pela rua, viu de longe o aparato militar e prontamente retornou.
Foi tão forte a influência de Luiz de Aquino nos acontecimentos que em parte narramos que o jornalista Luiz Gonzaga Cortez, no jornal TRIBUNA (Natal/RN,1991), escreve:

O ex-professor de História e bancário Luiz Ferreira de Aquino Filho, no tocante a revolução cultural (não proletária) ou ao movimento popular desencadeado na cidade paraibana de Catolé do Rocha, na década de 60, é comparável ao professor de uma cidade italiana, personagem interpretado por Marcelo Mastroianni, do filme “Os Companheiros”, dirigido por Mário Monicelli. No filme (...) o professor chega na pacata e pequena cidade, entra em contacto com os operários que, mais tarde, provocam uma tremenda agitação por causa de uma greve num fábrica têxtil, sufocada por uma violenta repressão.(...)” (TRIBUNA, 1991)

Alguns depoimentos colhidos por Edmilson Júnior (ver fontes ao final da terceira parte...) junto aos participantes das agitações políticas ocorridas em Catolé do Rocha na década de 60, confirmam a importância que teve Luiz Aquino:

Num primeiro momento, o grande protagonista, incentivador e estimulador de tudo foi o Bancário e Prof. de história Luis Ferreira de Aquino. Possuía uma boa biblioteca. Ele fez nossa cabeça. Era um homem de uma cultura fabulosa; tinha uma formação erudita e   caracterizava-se pela dinamicidade e solidariedade. [grifo nosso](José Soares)

De fato a chegada do Professor de História Luiz de Aquino (que ficou na direção do Dom Vital enquanto Frei Marcelino foi fazer um curso nos Estados Unidos, entre 1966 e 1967) é apontado por todas as fontes que tivemos acesso como o fator preponderante para a disseminação de ideais  progressistas no meio de uma geração de jovens. Ele “fez a cabeça” da juventude.
Mas não foi só ele o responsável pela disseminação de uma “nova mentalidade” na cidade. Outros nomes “(...) como José Pinheiro de Medeiros, Simão Bolívar Vieira e outros foram de suma importância para o movimento daquela época, porque nos davam apoio logístico, fornecendo livros, proferindo palestras, escrevendo peças teatrais, etc.” (Neto de Boca Rica)
Com o crescimento relativo da cidade e a abertura de bancos, escolas e outras entidades, ocorreu entre finais de 50 e durante a década de 60 um certo “trânsito” de pessoas para Catolé, levando consigo pensamentos políticos diferentes daqueles que reinavam na cidade.
Outro jovem que chegou em 1965 foi Expedito Vieira de Figueiredo. Vibrava com Frei Marcelino. Candidatou-se a presidente do Centro Estudantil em 1966. Em 1967 recebeu um memorando do presidente do Banco do Nordeste, onde trabalhava, para que explicasse a homenagem que fizeram a Che Guevera por ocasião de sua morte. Para o jornalista Luiz Gonzaga Cortez, Expedito se tornou depois o “principal líder político contestador da oligarquia dominante.” Segundo o que nos consta, chegou a ser eleito vereador em 1968 (passagem que poderá ser tema de outro texto em específico...).
Além do contato direto com essas e outras influências, outro grande elemento ajudou na formação política e cultural dos jovens catoleenses: o rádio. Na fala de Ubiratan:

Na casa de meus bisavós, onde nasci, tínhamos um grande rádio Phillips a energia e bateria, tecnologia que meu Pai  trouxe de Natal na época da segunda guerra. Notava ele escutando noticiários que não eram estações locais sempre curioso comecei a sintonizar estas estações em ondas curtas. Então abriu-se um leque de informações, consegui sintonizar a BBC de Londres que Pai  escutava, rádio  Central de Moscou, rádio Tirana rádio Cairo, rádio Pequim radio Difusão e Televisão Francesa, rádio Havana Cuba, rádio Berlim Internacional, da Alemanha Oriental rádio Deutsche Welle, da Alemanha ocidental, rádio A Voz da América. Estas principais transmitiam programas em português em horários estabelecidos e nos inundavam de informações (...) (Ubiratan, entrevista escrita em fevereiro de 2012)

Com todas essas novas influências e com a possibilidade de maior acesso aos meios de informações, iniciou-se um novo processo.
Os jovens mantiveram conversas informais não só no Colégio Dom Vidal, mas também defronte a prefeitura e outros locais públicos: conversavam sobre a situação da cidade, política, cultura, música popular, cinema.
Com o tempo essas atividades (entre aspas) “espontâneas”, foram sendo organizadas de forma mais consciente e programada. As primeiras atividades realmente organizadas enquanto ação de um coletivo político em formação foram círculos de leitura. Liam em grupo jornais, revistas e livros.
Dentro do Colégio Dom Vital uns alunos começaram a influenciar os outros e, no final, praticamente todo ginásio estava envolvido com essa “nova mentalidade”.
No meio desses eventos, provavelmente em 1967, o jovem Edmilson se posiciona atrás de uma câmera fotográfica e eterniza a cena vista na IMAGEM 02 deste artigo. Na escadaria de acesso a quarta série ginasial do Colégio Dom Vital vemos: 1-Alcides, 2-Ubiratan, 3-Tupinambá, 4-Sebastião, 5-Marquinhos, 6-Chiquinho, 7-Joaquim,  8-Milton,  9-Helio, 10-Antonio, 11-Barreto, 12-Anchieta,  13-Ari,  14-Americo,  15-Odair,  16-Francimar, 17-Frei Dimas. Dentre eles Ubiratan, Ari, Barreto e Anchieta, juntamente com Edmilson que tirou a foto, eram da “linha de frente” das ações políticas que veremos mais a frente.

Todas essas novas relações e influências agitaram parte dessa juventude.  Foi tão forte a sede por informações, o contato com pensamentos de esquerda e a tentativa de serem protagonistas políticos do seu tempo, que chegaram a manter comunicações constantes com países do bloco comunista em plena ditadura militar no Brasil.
Entre essas comunicações (também trocadas com outros países como Estados Unidos, Egito, etc), a própria União Soviética foi destino e remetente de várias cartas e outros materiais, como calendários, selos e revistas. Abaixo, imagens de 1967, 1968 e 1969 demonstrando os materiais recebidas por Ubiratan Cortez pelos correios, da URSS.
 Imagem 03 – Material da URSS (1967)

Imagem 04 – Material da URSS (1968)

Imagem 05 – Correspondência da URSS (1969)



Se atentarmos ao texto dessa última carta, podemos imaginar o que pode ter pensado os agentes da ditadura militar brasileira. Passagens como“Agradecemos muito as suas palavras amistosas dirigidas ao nosso programa para o Brasil” ou “como prova de nossa amizade”, escritas e remetidas ao Brasil por Valentina Leonova de Moscou em janeiro de 1969, devem ter arrepiado os cabelos dos agentes da segurança pública da Paraíba.
Por conta dessas comunicações ocorreu o que possivelmente foi o primeiro inquérito policial movido pela ditadura em Catolé do Rocha...


Tivemos em 68 o primeiro IPM na nossa cidade um pessoal do exercito vindo do Tiro de Guerra de Patos ou do Grupamento de Engenharia de Caicó, indiciou eu, Benedito Fernandes, que viria a ser prefeito, uma irmã do próprio. Minha parte foi qual o motivo de eu ter correspondência com emissoras internacionais e o recebimento de revistas do bloco socialista. Quem comandava era um oficial jovem até simpático e eu disse que era estudante, tinha sede de saber e que procurava absorver todo o conhecimento de todos os países e também tomar conhecimento dos sistemas socialistas e comunistas que vigoravam entre as nações. Depois com nossa militância sabíamos que mais cedo ou mais tarde seríamos descobertos pela repressão (...) (Ubiratan, entrevista escrita em fevereiro de 2012,)


Paralelamente e em consequência disso tudo que estamos narrando, o movimento estudantil na cidade entrou em efervescência.
Entre 1965 e 1968 a agitação estudantil nacional chegou em Catolé do Rocha. O núcleo do movimento era o Centro Estudantil Catoleense. 
Articularam grêmios em vários colégios. Realizaram debates e seminários. Até o presidente da UBES (União Brasileira de Estudantes Secundaristas) passou por Catolé nessas épocas. Chegaram mesmo a fazer uma homenagem a Che Guevara no ano de sua morte.
Outras ações que realizaram: panfletagens (imprimiam manifesto na gráfica do Colégio Dom Vital, contestando a situação local e nacional, e durante a noite normalmente da sexta para o sábado, dia de feira, colocavam os panfletos por baixo das portas); só para termos uma ideia das pichações que faziam, existia uma na parede da delegacia com o dizer “costa é pior que bosta” (referindo-se ao presidente Costa e Silva que deu início a fase mais brutal da ditadura a partir do AI-5).
Na cultura organizaram apresentações de peças de teatro entre elas uma que foi escrita pelo garoto chamado Bolivar. Fundaram a biblioteca Castro Alves em 1967 com livros conseguidos em campanha. Realizaram exposições de pinturas de artistas locais. Entre outros exemplos de atividades de cunho cultural.
Essa agitação pública certamente pressionou os pais dos jovens. Por fim, toda a cidade acabou se envolvendo, no mínimo para criticar.
Um fato em específico demonstra muito bem o que estava ocorrendo em Catolé do Rocha. Num dia de sábado, durante a realização de um seminário (por volta de 1968), foi divulgada a notícia de uma tentativa de agressão ao Frei Marcelino, possivelmente por parte dos correligionários de José Sérgio Maia. Parte dos estudantes e da população local realizaram então uma passeata (as 21 horas, com provável participação de mais de mil pessoas), “(...) o povo de braços dados, cantando “caminhando e cantando, seguindo a canção” e gritando palavras de ordem.” (TRIBUNA, 1991). Esse trecho faz referência a música “Pra não dizer que não falei das flores” , de Geraldo Vandré.
A polícia local, na figura do Tenente Nilton, chamou alguns participantes da passeata para dar depoimentos na delegacia. Possivelmente ele comunicou o fato a Secretaria de Segurança Pública em João Pessoa e esses certamente passaram o comunicado para outros agentes da Ditadura Militar, talvez para o próprio exército. Ninguém foi processado por isso, mas certamente algumas das lideranças ficaram identificadas pelos órgãos da repressão.
Toda essa agitação política de uma forma ou de outra modificou a pequena cidade de Catolé do Rocha. Alguns jovens começaram a usar cabelo grande em uma cidade conservadora que não admitia essa estética para os homens: “Edmilson tinha o cabelo nos ombros (...) que ele passava na rua, o pessoal assobiava (?) de mulher.” (Luiz de Aquino, através do Jornal TRIBUNA, 1991). Alguns exibiam calças desbotadas.
Era então uma nova moral sendo imposta na cidade.

A "guerrilha" de Catolé do Rocha/PB ocorreu em 1968.


69 em Catolé do Rocha/PB - histórias que cruzam. Segunda parte: Combatentes da Liberdade (continuação)

Imagem 06 –  “Antiga Cadeia Pública” de Catolé do Rocha/PB (não sabemos data da fotografia)



A opção por elevarem o nível de luta, com a tentativa de implantar uma Guerra de Guerrilhas em Catolé do Rocha, está ligada ao fato de alguns estudantes terem ido dar continuidade aos seus estudos em João Pessoa.  
Lá passaram a ter contato com um movimento estudantil muito atuante e conhecer suas lideranças. Tiveram também contato com partidos e personalidades políticas,  e com situações de embate entre os movimentos sociais e a ditadura militar.


Mas, e a decisão pela Guerra de Guerrilhas? Para responder como se deu essa decisão seria necessário uma investigação mais aprofundada e ao mesmo tempo mais espaço para escrita, pois aqui não podemos nos alongar demasiadamente. Temos alguns indícios sobre isso, mas a entrada nessa história de agremiações políticas (PCB “partidão” e PCBR) merece maior estudo. Temos que saber quais articulações foram estabelecidas, pois inclusive nesse ponto pode haver uma ligação direta ou indireta com a história que segue na terceira parte deste artigo.
O que pretendemos nesse momento é compreender o que foi propriamente a “Guerrilha de Catolé”. Aqui ficamos com as palavras de um dos participantes mais ativos nos acontecimentos. Nesse caso ele atribui o nome de “Guerrilha de Capim-Açu”, nome da serra que serviu como espaço geográfico para os treinamentos:

A guerrilha de Capim-Açu, teve início com uma primeira subida a serra, em que participaram um pessoal mais intelectualizado, Whasingnton líder estudantil ligado ao PCBR um pessoal de Campina da AP, Expedito Figueiredo presidente do Centro Estudantil Catoleense, Pererinha do Banco do Brasil, José Soares e José Cidalino de Almeida estudantes. Houve debates sobre a conjuntura nacional e internacional e a possibilidade de início de um foco guerrilheiro. A segunda subida já foi mais completa e organizada dentro das técnicas da guerrilha rural, nossos equipamentos já indicavam uma preparação para combates com mochilas facões cordas redes coturnos e botas. (...) livros de Chê Guevara, GUERRA de GUERRILHAS, REVOLUÇÃO na REVOLUÇÃO de Carlos Debray, o LIVRO VERMELHO de MAO, um manual de contra guerrilha do exército e tudo que sabíamos sobre Canudos, Zumbi, Lampião, Princesa todo conhecimento sobre guerra de resistência da Revolução chinesa Russa, Guerra do Vietnã. (Ubiratan, entrevista escrita, fevereiro de 2012)

Escolheram a Serra do Capim-Açu, nas imediações de Catolé do Rocha, não por acreditarem que nela era possível fazer movimentações militares, mas por estar mais próxima da cidade e por ser suficientemente grande para realização de trilhas, subida em pedras, montagem de acampamento e outros treinamentos. Imaginavam que a serra era isolada das demais, o que facilitaria o cerco e dificultaria ações de fuga durante os futuros combates.
Para os pais, amigos e vizinhos, diziam que estavam indo caçar. Alguém chegou a “pensar alto” que eles eram “os escoteiros”.
Além dos livros e do conhecimento, tinham como armas: uma submetralhadora cal. 38 de fabricação caseira com pente, mas que dava apenas um tiro e depois tinha que ser rearmada; um mosquete cal. 38 fabricado a partir de um mosquetão por um armeiro “nas margens do Rio Piranhas”; um histórico “Rifle Papo Amarelo do meu avô que pertenceu ao meu bisavô trazido do acre e que foi usado na guerra do Acre sob o comando de Plácido de Castro” (Ubiratan, fev/2012); uma pistola Luger 7mm sem munição; dois revolveres 38; uma espingarda de cartucho; e uma “soca-soca”. A maior parte foi conseguida entre os bens familiares.
Algumas dessas armas resistiram ao tempo e ainda hoje existem, como a pistola Luger, mas não tivemos a possibilidade de ver e realizar uma fotografia pessoalmente. O único material de época que encontramos foi o desenho abaixo (feito possivelmente em 1968): um projeto para fabricação de submetralhadora. Pelo que sabemos até agora, ela foi construída, mas tinha um problema na alimentação e, após um disparo, engasgava e tinha que ser novamente armada. 



 
Imagem 07 –Desenho para fabricação caseira de um submetralha (1968)



Quanto ao grupo dos envolvidos, ele era “(...) bastante heterogêneo, constituído, em sua grande maioria de jovens menores de 18 anos, sem nenhuma experiência política, com pouca formação política. (...) Ari, juntamente com Ubiratan, começaram a organização da militância em torno da perspectiva revolucionária.” (José Soares)
Alguns nomes podem não constar a seguir, mas entre os que participaram dos treinamentos estão: Ariosvaldo da Silva Diniz, os irmãos Francisco Alves Dantas e Flavio Alves Dantas, os irmãos Ubiratan Cortez Costa, Irapuan Cortez Costa, Ubiraci Cortez Costa, Jose Soares Dantas, Carlos Ribeiro de Sá, Rogério Ribeiro de Sá, Manoel  Pedro e irmão, Ronaldo de Jeová, Orinaldo, Luiz Gonzaga, Gildásio de Rui, Santino Rocha, João Salustiano e Noel Veras.
Parece que os jovens catoleenses estavam tão instigados com a ideia de revolução e tão dispostos a pegar em armas por conta disso que ironicamente chegou a surgir uma dissidência formando um novo grupo de guerrilheiros.

(...) depois do exercício da serra, do primeiro treino nas férias de julho de 69 voltamos à capital, dando continuidade aos estudos e a resistência. Em Catolé havíamos sentido uma aproximação de Zezito, Jose Otavio de Vasconcelos filho de Jose Sérgio o “coronel” que vinha do movimento estudantil do Rio Grande do Norte. Achávamos que era um “infiltrado” da oligarquia local mas suas atitudes e coerência  traduzia um honesto interesse pela causa revolucionária mudou essa opinião, então no vazio criado pela nossa ausência, ele junto com Cacheado (Francisco Alves Dantas) e Zeínha (Rogério Ribeiro de Sá) se organizaram e fundaram uma dissidência denominada MR-8 ou  MR-3, morte de Chê ou Ho-Chi-Min e começaram juntando algumas armas, expropriaram o mimíografo do Colégio Estadual, feita antes de uma visita do Governador João Agripino, acelerou uma tomada de posição dos orgãos de segurança uma máquina de descrever da Escola Agrícola, isso no intervalo das férias de julho e o mês de outubro quando fomos presos. (Ubiratan, entrevista por escrito, fevereiro de 2012)

Outras fontes apontam a formação desse “segundo grupo guerrilheiro na mesma cidade e suas ações”, como sendo provavelmente o fator que acelerou o início da repressão contra as movimentações que estavam ocorrendo. Além da expropriação do mimeógrafo ocorrida entes da visita a Catolé do Rocha do então governador do estado em 1969, esse grupo chegou a tramar um plano para matar o delegado da cidade, mas não executaram tal ação.
Possivelmente ao ter conhecimento com maiores detalhes sobre o que ocorria em Catolé do Rocha, e possivelmente tendo recebido uma ordem superior, o secretário de segurança pública do Estado da Paraíba mandou prender os envolvidos.

As prisões aconteceram na cidade quase todas ao mesmo tempo, com exceção de Ariosvaldo da Silva Diniz que, segundo Ubiratan, foi preso no Colégio Liceu, em João Pessoa. Edmilson foi preso em outra circunstância, enquanto distribuía panfletos em João Pessoa.
Acima, na IMAGEM 06, podemos ver a Antiga Cadeia Pública de Catolé do Rocha, com inscrição “Onde fomos prêsos em 22/10/69”.
Parece que os menores de idade permaneceram em Catolé, em prisão domiciliar (não sabemos se a decisão foi judicial ou prática), enquanto que os maiores de idade seguiram para João Pessoa.
Talvez os primeiros que tenham sido levados de Catolé foram Ubiratan e Neto de Boca Rica (este foi presidente do Centro Estudantil). Foram levados para Patos e de lá agentes do DOPS os levaram para a capital. Ficaram por 15 dias incomunicáveis; passaram pela delegacia da polícia federal e pelo quartel da polícia. Aí ficaram por alguns meses até julgamento.
       Através de dois documentos oficiais da ditadura (Certidão emitida pela Auditoria da 7ᵃ Circunscrição Judiciária Militar em Recife/PE, 19 de julho de 1971, e Declaração de Soltura da Penitenciária Modelo de João Pessoa/PB, 29 de outubro de 1970), ficamos sabendo um pouco da história processual de Ubiratan Cortez Costa, depois de ter sido preso:

* em 12 de janeiro de 1970 foi denunciado pelo Ministério Público Militar, com base no decreto-lei 510/69 que seguiu o AI-5 (Ato Institucional n° 5), sendo acusado pelos: “Art. 33 – Incitar: I – à guerra ou à subversão da ordem político-social; II – à desobediência coletiva às leis; (...) IV – à luta pela violência entre as classes sociais; (...) Pena: Detenção, de 1 a 3 anos.” e “Art. 40 – Importar, fabricar, ter em depósito ou sob sua guarda, comprar, vender, doar, ou ceder, transportar ou trazer consigo armas de fogo ou engenhos privativos das Fôrças Armadas, ou quaisquer instrumentos de destruição ou terror. Pena: Reclusão, de 1 a 3 anos";

* foi processado, julgado e condenado pelo Conselho Permanente de Justiça do Exército em sessão realizada em 11 de maio de 1970, sendo condenado a pena de um (01) ano de detenção;

* a defesa recorreu ao Superior Tribunal Militar na data de 01 de junho de 1970;

* Ubiratan Cortez Costa foi solto da Penitenciária Modelo em João Pessoa/PB no dia 29 de outubro de 1970, por cumprimento de pena;

* depois de cumprida a pena e da soltura, o Superior Tribunal Militar informa em comunicado oficial (datado de 17-05-1971) que foi discutido e resolvido o caso, sendo o réu obsorvido de apenas uma das acusações, restando a acusação referente a fabricação, porte e transporte de armas.

     Poderíamos continuar com essa mesma linha investigativa. Falar o que aconteceu com os jovens catoleenses na prisão, os diferentes tipos e níveis de tortura que passaram. Falar dos anos seguintes a saída da prisão, o engajamento deles no movimento hippie, entre outras histórias. Entretanto, para não nos alongarmos em um texto já longo, a partir de agora iremos trilhar os caminhos da nossa outra história.

     Em outubro de 1969 é divulgada uma notícia que agitou Catolé do Rocha: a morte de um estudante por afogamento, tendo seu corpo sido encontrado no açude Olho D’água. Depois confirmaram a identidade do falecido, e este era João Roberto.
   Estudando e militando em João Pessoa, João Roberto se tornou uma grande liderança do movimento estudantil paraibano. Vinha sendo perseguido pela ditadura militar desde a primeira vez que foi preso e fichado pelos órgãos da repressão, no mais que conhecido Congresso da UNE em Ibiúna/SP (1968).    
   Já vimos que a “Guerrilha de Catolé” foi desbaratada ainda na fase muito inicial, quando alguns envolvidos com o movimento foram presos possivelmente em 22 de outubro de 1969.
    Por sua vez, João Roberto “apareceu” morto em 10 de outubro de 1969.

Continua...

sexta-feira, 29 de junho de 2012

O foliaduto paraibano leva prefeitos à cadeia.


Prefeitos são presos por desvio de verba na PB

Publicação: 29 de Junho de 2012 às 00:00


João Pessoa (AE) - A Polícia Federal prendeu nesta quinta, durante a "Operação Pão e Circo", deflagrada na Paraíba, três prefeitos e outras 25 pessoas acusadas de envolvimento no desvio de recursos públicos supostamente destinados à contratação de atrações artísticas (principalmente bandas de forró) para apresentações em festas de Revéillon, São João, São Pedro e Carnaval em 13 municípios do Estado.

Os prefeitos são Renato Mendes (Alhandra), João Clemente Neto (Sapé) e Francisco de Assis Melo (Solânea). A esposa do prefeito de Solânea também foi presa. As assessorias dos prefeitos acusados não quiseram falar sobre o assunto e vão esperar orientações dos advogados. Em Alagoas, a PF cumpriu mandado de prisão contra o empresário Carlos Abílio Ferreira da Silva, que atuava na Paraíba. 



Além deles, foram presos três secretários municipais e servidores das prefeituras investigadas. Segundo o procurador-geral de Justiça da Paraíba, Oswaldo Trigueiro do Valle Filho, os desvios de recursos federais, estaduais e municipais chegam a R$ 65 milhões. Foram R$ 15 milhões em recursos federais e R$ 50 milhões em recursos estaduais e municipais. Trigueiro Filho disse que vai pedir à justiça a cassação dos mandatos dos três prefeitos. 



De acordo com a PF, os prefeitos vão responder por falsificação de documentos públicos e privados, falsidade ideológica, crime contra a ordem tributária (sonegação), corrupção ativa e passiva, fraude em licitação, desvio de verba pública, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. 



A PF cumpriu 93 mandados judiciais expedidos pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 5ª Região (sediado em Recife) e pelo Tribunal de Justiça da Paraíba. Foram 28 mandados de prisão temporária, sete de condução coercitiva e 65 de busca e apreensão. Na Operação, a PF também prendeu um funcionário da Prefeitura de João Pessoa acusado de envolvimento em irregularidades na contratação da empresa responsável pelo show pirotécnico no último Revéillon. 



Para chegar aos acusados, a PF analisou mais de 40 mil horas de gravações telefônicas autorizadas pela Justiça. Os policiais também apreenderam documentos, veículos nacionais e importados, R$ 56 mil em dinheiro, HDs, armas, documentos e uma lancha. 

Fonte: Tribuna do Norte - Natal/RN.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Vende-se uma casa no alto de Bananeiras.

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Vende uma confortável casa na parte mais elevada de Bananeiras, situada no loteamento Residencial Parque dos Chalés, na Chã do Lindolfo, com dois quartos, sala, banheiro e suíte, varanda, jardim, piso com cerâmica nova e de qualidade, em terreno de 15m x 20 m, quitada. Preço: 130 mil. Tratar com o proprietário: Ozanaldo Donato. Fones (83) 3243.5523 - 9983.0034.

Produção de Mução diz que ele é inocente

quinta-feira, 28 de junho, 2012 por Wagner Oliveira às 13:33

Os produtores do radialista Rodrigo Vieira Emereciano, 35 anos, mais conhecido como Mução, afirmam que ele é inocente. Mução está sendo ouvido neste momento pela Polícia Federal (PF) de Fortaleza, após ter sido preso temporariamente. Além dele, que está sendo acompanhado por uma advogada, funcionários do programa A hora do Mução, que está no ar há 16 anos, também estão sendo interrogados. Segundo a PF, o radialista seria suspeito de disponibilizar material de pornografia infantil na internet. A informação foi confirmada nesta manhã durante entrevista coletiva concedida pela Superintendência da Polícia Federal em Pernambuco sobre a operação DirtyNet.

Segundo o produtor de Mução, Rogério Emereciano, existem provas de que o humorista é inocente e que em breve será divulgada uma nota explicando o que teria acontecido. O programa A hora do Mução é transmitido para 45 rádios de todo o Nordeste. Mução foi detido na casa onde mora, no bairro de Meireles, em Fortaleza. De acordo com investigações realizadas pela PF, o radialista faria parte de um círculo fechado de 160 pessoas, 97 estrangeiras e 63 brasileiras, que trocavam conteúdo ilegal com imagens de adolescentes e crianças em situações pornográficas.
Além do mandado de prisão temporária contra Mução, os policiais federais também cumpriram mandados de busca e apreensão em imóveis do radialista no bairro da Imbiribeira, no Recife, em Fortaleza e em Natal e ainda na emissora de rádio onde ele atua, no bairro de São José, no Recife. Nos locais foram apreendidos materiais como computadores, Cds e DVDs. Ainda de acordo com a PF, caso os agentes encontrem entre o material recolhido conteúdo de pornografia infantil, será decretada a prisão preventiva, diante das provas de materialidade do crime.






Humorista Mução é preso em operação da Polícia Federal

quinta-feira, 28 de junho, 2012 por Wagner Oliveira às 10:02

O apresentador de rádio Mução foi um dos suspeitos presos na manhã desta quinta-feira pela Polícia Federal (PF) que está realizando uma operação de combate à pedofilia e pornografia infantil nos estados de Pernambuco, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Ceará, Maranhão, Rio Grande do Norte e no Distrito Federal. O humorista que apresenta um programa diário numa rádio local foi detido em Fortaleza. A superintendência da PF em Pernambuco realiza nesta manhã uma entrevista coletiva para apresentar o balanço da ação.
mucao
Segundo a PF, pelo menos quatro dos 15 mandados de prisão expedidos pela Justiça já foram cumpridos. A operação DirtyNet (internet suja), como foi batizada, pretende cumprir ainda 50 mandados de busca e apreensão. O objetivo é desarticular uma quadrilha que compartilhava material de pornografia infantil pela internet. Os suspeitos vinham sendo investigados há cerca de seis meses. Durante esse período os integrantes do grupo foram flagrados trocando arquivos com cenas de adolescentes, crianças e bebês em contexto de abuso sexual. Os suspeitos também relatavam crimes de estupro cometidos contra os próprios filhos, além de sequestros, assassinatos e atos de canibalismo.

Governo do Estado e MDA entregam retroescavadeiras em Campina

Fonte: Assecom/Governo da Paraíba.

Quinta-feira, 28 de junho de 2012 - 15h38
O Governo do Estado e o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) entregam nesta sexta-feira (29) 42 retroescavadeiras a municípios paraibanos. A solenidade de entrega das máquinas adquiridas com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC 2) acontecerá às 9h, no Parque de Exposições de Animais Carlos Pessoa Filho, em Campina Grande, com a presença da secretária executiva do MDA, Márcia da Silva Quadrado. Para a aquisição dos equipamentos, o Ministério investiu a quantia de R$ 7,3 milhões.
Os equipamentos serão usados, principalmente, para abertura e recuperação de estradas vicinais, ligando municípios à zona rural, possibilitando o escoamento da produção e o desenvolvimento da agricultura familiar no Estado. A lista completa dos municípios selecionados, em ordem alfabética e por região, está disponível para consulta no Diário Oficial da União e no portal do Ministério do Desenvolvimento Agrário (www.mda.gov.br). A consulta ao andamento da proposta de cada município (histórico) também está disponível no portal do Ministério.
Segundo informações do MDA, até agora foram entregues 831 máquinas, beneficiando 849 municípios brasileiros. Neste primeiro momento, serão entregues 1.275 máquinas a 1.299 municípios, ao custo total de aproximadamente R$ 212 milhões. O Rio Grande do Sul foi o primeiro estado a receber os equipamentos, em dezembro de 2011. Recentemente, foi anunciada pela presidenta Dilma Rousseff a doação de retroescavadeiras para mais 3.591 municípios e de mais 1.330 motoniveladoras.
Na solenidade desta sexta-feira, o Governo do Estado vai assinar termo de adesão à Rede Brasil Rural, que prevê uma soma de esforços de produtores, indústrias, agente de logística e setor público para dar mais eficiência à cadeia produtiva da agricultura familiar. Através dessa ferramenta, a população em geral pode adquirir produtos com sabores e texturas da biodiversidade brasileira.
Durante o evento, o Governo também vai aderir à realização do Mutirão de Documentação da Trabalhadora Rural (PNDTR), que faz parte do Programa Territórios da Cidadania, do Plano Social Integrado de Registro Civil de Nascimento e Documentação Civil Básica, com intuito de reduzir as desigualdades e oportunizar a essas mulheres trabalhadoras acesso às políticas públicas desenvolvidas em todo o Estado.
Municípios – As 42 cidades contempladas na Paraíba são: Alagoa Nova, Arara, Areial, Baía da Traíção, Braúna, Borborema, Cacimba de Dentro, Cabimbas, Caldas Brandão, Capim, Casserengue, Congo, Coxixola, Cuité, Desterro, Esperança, Itapororoca, Jacaraú, Livramento, Lucena, Mãe D’Água, Mari, Massaranduba, Monteiro, Parari, Pedras de Fogo, Pedro Régis, Pitimbu, Prata, Queimadas, Remígio, Riachão do Poço, Rio Tinto, São José dos Cordeiros, São José dos Ramos, São Miguel de Taipu, São Sebastião de Lagoa de Roça, Sapé, Sobrado, Sumé, Teixeira e Zabelê.
Foram considerados os seguintes critérios:
a) pertencer ao Programa Territórios da Cidadania (quatro pontos);
b) maior participação do PIB agrícola no PIB total do município (até três pontos);
c) possuir maior extensão territorial (até três pontos);
d) ter maior presença de agricultores familiares em relação ao total dos produtores rurais registrados no município (até quatro pontos);
e) distribuição mais equilibrada entre as regiões brasileiras.

Municípios beneficiados com a primeira entrega das retroescavadeiras na Paraíba
Território de Borborema
Alagoa Nova
Arara
Areial
Borborema
Casserengue
Esperança
Queimadas
Remígio
São Sebastião de Lagoa de Roça
Massaranduba
Território de Curimataú
Baraúna
Cacimba de Dentro
Cuité
Território de Mata Sul
Caldas Brandão
São José dos Ramos

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Continua escondido matador da professora.

A delegada Júlia Walesca de Sá, que investiga o homicídio, confirmou que o acusado realmente cocomprou passagens para o estado do Pará (conforme antecipou o Portal Correio), porém, não efetuou o embarque. “Gilberto Strucker está na Paraíba”. “Tivemos informação de que ele comprou passagens com destino à Belém do Pará por duas vezes, no entanto, os bilhetes foram cancelados por ele mesmo”. [Fonte: Portal Correio Notícias]
A professora universitária Briggida Rosely de Azevedo foi assassinada e encontrada morta em seu apartamento no dia 19 de junho em João Pessoa (PB). Três dias depois, o pai do acusado deu uma entrevista para a TV Globo local e disse que o filho iria se entregar à policia.

A delegada Júlia Walesca de Sá, que investiga o homicídio, confirmou que o acusado realmente comprou passagens para o estado do Pará (conforme antecipou o Portal Correio), porém, não efetuou o emb



Gilberto Stucker é fotógrafo.