segunda-feira, 5 de maio de 2014

Governo do Estado libera R$ 200 mil para empreendedores de Bananeiras

Secom/PB.



Sábado, 03 de maio de 2014 - 19h49
O Governo do Estado liberou, neste sábado (3), o total de R$ 200 mil reais em créditos para 70 pequenos comerciantes da cidade de Bananeiras. A ação aconteceu por meio do Programa Empreender-PB, que comemora um ano da instalação da franquia na Princesinha do Brejo. A solenidade de entrega aconteceu durante a primeira Feira do Empreendedor, que acontece no munícipio até este domingo (4).
O governador Ricardo Coutinho ressaltou a importância do programa para o desenvolvimento das pequenas cidades. “O programa influi na cadeia produtiva de baixo para cima. Este é o espírito do Empreender-PB, que chega na lógica dos pequenos comerciantes. É uma grande política pública, onde as pessoas utilizam o talento e força de trabalho, e através do seu próprio esforço conseguem abrir e ampliar negócios que se revertem em uma vida mais digna e confortável para esses empreendedores e suas famílias. A Prefeitura de Bananeiras acreditou nesse programa, foi aqui que o Governo do Estado implantou a primeira franquia do Empreender”, frisou o governador.
E um ano depois da parceria com o Governo do Estado, o município comemora os números positivos. “Hoje o Empreender-PB é uma das políticas públicas mais fortes no nosso município. Nesse primeiro ano foram 400 comerciantes inscritos. Além do crédito recebido, os micro e pequenos empreendedores recebem apoio constante, são orientados por profissionais do jurídico, além de receber apoio e capacitação da Universidade Federal da Paraíba e Sebrae. Estes empreendedores estão mudando a vida econômica da nossa cidade. Agradecemos ao Governo do Estado por todo apoio e a nossa gente pela disposição, garra, coragem e por acreditar no programa”, ressaltou o prefeito.
De acordo com o subsecretário executivo do Empreender-PB, Eduardo Morais Filho, o programa já investiu quase R$ 2 milhões na região do Brejo.  Em Bananeiras, mais de 500 famílias já foram beneficiadas pelo programa. “Em Bananeiras o Empreender-PB apoia empreendedores individuais e coletivos. Entre as associações estão as de moto-taxistas; projeto piscicultura e agricultura familiar com uso de mandala. São centenas de famílias que mudaram de realidade a partir da abertura ou ampliação de um pequeno negócio e que hoje melhoraram, significativamente, a qualidade de vida”, enfatizou o secretário.
Também participaram da solenidade o vice-governador Rômulo Gouveia; o deputado federal Efraim Filho; deputado estadual Hervázio Bezerra; secretário executivo de Articulação Política, Ramalho Leite; secretário executivo da Comunicação, Célio Alves; presidente da Famup, Buba Germano; além de prefeitos, vereadores, populares e autoridades políticas da região.
Feira de Negócios – A Primeira Feira de Negócios da Cidade de Bananeiras expõe produtos dos micro e pequenos empreendedores que adquiriram crédito por meio do Programa Empreender-PB. A mostra é gratuita e acontece até este domingo (4), no Centro Cultural da cidade, ao lado do Ginásio “O Ramalhão”.

Sábado foi dia de festas na região do Brejo.



Governo do Estado libera R$ 12,5 milhões para a região de Guarabira

Fonte: Governo da Paraíba/Secom

I
Domingo, 04 de maio de 2014 - 12h14

O Governo do Estado realizou, na noite deste sábado (3), em Solânea, pela primeira vez nessa cidade, a audiência pública do Orçamento Democrático Estadual (ODE). A plenária, que ocorreu no ginásio da Escola Estadual José Soares Carvalho, teve a participação de mais de 2.000 pessoas representantes dos 24 municípios que integram a 2ª Região Geoadministrativa, sediada por Guarabira. Na abertura dos trabalhos foram assinadas ordens de serviços e convênios e entregues cheques do programa Empreender Paraíba, obras e ações no valor de mais de R$ 12,5 milhões.
Os municípios de Solânea, Bananeiras, Cacimba de Dentro, Araruna, Damião, Riachão, Dona Inês e Tacima serão beneficiados com a implantação do sistema de abastecimento d’água Jandaia. Foi assinada a ordem de serviço no valor R$ 9,5 milhões para a implantação da adutora que trará água da barragem Jandaia, numa extensão de 18 quilômetros. Essa obra beneficiará 100 mil habitantes da região. Para regularizar o abastecimento nessas cidades, além da adutora, serão construídas três Estações Elevatórias de Água Bruta e a Estação de Tratamento de Água de Cacimba de Dentro será ampliada.
O governador Ricardo Coutinho, acompanhando da primeira-dama do Estado, Pâmela Bório, do vice-governador Rômulo Gouveia, secretários de Estado e prefeitos da região, destacou que o Orçamento Democrático é um grande instrumento de avanço da Paraíba. Ele ressaltou que cada vez mais tem aumentado a participação popular nas plenárias e elogiou o nível de conscientização que têm as pessoas que fazem uso da fala apresentando pleitos, exercendo a cidadania.
O Governo do Estado também autorizou a pavimentação em paralelepípedo da Rua Pernambuco, de Solânea, numa extensão de 560 metros. Nessa obra serão investidos R$ 277,7 mil. Recursos na ordem de R$ 399 mil vão garantir a reforma do ginásio de uma escola municipal de Solânea. Cheques do Empreender Paraíba no valor de R$ 624 mil foram entregues a 312 pequenos empreendedores da região. Com o governo federal, por meio do programa Água para Todos, foi assinado convênio no valor de R$ 1,6 milhão em benefício de 410 famílias rurais.
O prefeito de Solânea, Beto Brasil, disse que o Orçamento Democrático representava o diálogo entre o povo e o governo. Este ano estão sendo realizadas 16 audiências públicas nas 14 Regiões Geoadministrativas. Iniciadas no dia 21 de março, as plenárias serão encerradas no próximo dia 24 de maio, em João Pessoa, sede da 1ª Região. As próximas audiências serão realizadas em Monteiro dia 9, Campina Grande dia 10, Cuité dia 17, e João Pessoa, em 24 de maio.
Participaram da audiência pública em Solânea o deputado federal Efraim Filho, os deputados estaduais João Gonçalves e Hervázio Bezerra e vários prefeitos de municípios da região.

sábado, 3 de maio de 2014

Felipe Tiago Gomes, um nome na história da educação brasileira.


Descrição: Descrição: http://www.cnec.br/portal2/areas/img/logo_cnec.jpgPRIMEIRO DE MAIO
UM DIA PARA SER LEMBRADO NA HISTÓRIA DA CNEC
CAMPANHA NACIONAL DE ESCOLAS DA COMUNIDADE.



Antônio J C da Cunha
Associado Representativo da CNEC/RJ


Em homenagem ao dia do nascimento de FELIPE TIAGO GOMES, apresento-lhes um pouco da História da Instituição por ele criada e que, hoje, em menores números, continua prestando relevantes serviços, ao Brasil, na área da educação, com mais de 150 unidades de ensino espalhadas pelo território nacional.
FELIPE TIAGO GOMES é um nome para ser lembrado na História da Educação Brasileira ao se considerar que durante os 70 anos de existência da CNEC, muitos, milhares homens e mulheres tiveram oportunidades na educação graças ao movimento educacional criado por este cidadão nascido no dia 1° de Maio de 1921, no Município de Picuí (PB).

A CNEC conta ainda com aproximadamente 120.000 alunos distribuídos em 151 unidades educacionais, que atendem desde a educação infantil até o nível superior. Destas, 18 são de Educação Universitária: 1 na Bahia – 1 no Espírito Santo – 1 em Mato Grosso – 3 em Minas Gerais – 1 no Paraná – 4 no Rio de Janeiro – 5 no Rio Grande do Sul – 2 em Santa Catarina e 1 em São Paulo.

História - A inesquecível saga de Felipe Tiago Gomes inicia-se em 1º de maio de 1921. Nascido no Sítio Barra do Pedro, município de Picuí, (PB), viveu sua infância enfrento muitas adversidades. Como o próprio Felipe me contava, pois com ele trabalhei, a partir de 1960, sua meninice foi semelhante à de milhares de outras crianças sertanejas: pés descalços e picados por espinhos impiedosos, mãos calejadas pela enxada, incômodos “beliscões” das juremas e da colheita do juá, pequeno fruto com grandes caroços e a parte comestível mínima. E dele se serviam no dia a dia.
Era o filho caçula de Elias Gomes Correia e Ana Maria Gomes. Nas horas vagas recebia lições de sua irmã Francisca, que havia concluído o curso primário na cidade. Depois, teve aulas na escola de Dona Nativa, pessoa adorável que se dedicava ao ensino das crianças. Após ter frequentado a escola pública de Picuí, de 1933 a 1935, Felipe Tiago Gomes foi conduzido pelo Professor Pereira do Nascimento ao Colégio Pio XI, localizado na cidade de Campina Grande, Paraíba. Lá terminou o ginásio que, infelizmente, coincidiu com a morte de sua mãe..
Não tendo mais condições financeiras para manter-se em Campina Grande, Felipe viu-se obrigado a retornar a sua cidade natal, Picuí. Restava agora voltar à lavoura, vivendo no tormento da vida do agricultor sertanejo. Porém, Felipe Tiago Gomes obteve auxílio do Juiz de Direito, José Saldanha, e do dentista Doutor Morais, que o hospedou em sua casa no Recife.
Convidado por um colega, Everardo Luna, Felipe foi morar na Casa do Estudante. Passou a trabalhar como porteiro e logo em seguida conseguiu o posto de bibliotecário. Do contato diário na biblioteca, ele pôde ter acesso a diversas obras literárias. Dentre elas, O Drama da América Latina, do escritor John Gunther, onde é retratada uma experiência de Haya de La Torre para a alfabetização de índios no Peru. Essa obra o influenciou e o despertou para a criação de uma instituição que visasse assegurar o direito de estudar aos milhares de jovens pobres. E assim, em 29 de julho de 1943, foi criada a Campanha do Ginasiano Pobre - CGP, com a criação do Ginásio Castro Alves. Depois CNEG – Campanha Nacional de Educandários Gratuitos que em 1968 passou para Campanha Nacional de Escolas da Comunidade - CNEC.
Mas a luta para vencer dificuldades continuou por muitos e muitos anos.
Para obter o reconhecimento oficial do Ginásio Castro Alves, em Recife.

Do dia livro História da CNEG, escrito por Felipe Tiago Gomes, em 1962.
Primeiros Exames Oficiais da Campanha -  No dia 10 de abril de 1946, depois de alguns esforços, os diretores da CAMPANHA DO GINASIANO POBRE, iniciavam, no prédio do Colégio Oswaldo Cruz, os exames de admissão ao primeiro ginásio gratuito a funcionar como iniciativa totalmente particular no Brasil. Nessa mesma data, eu, Caubi de Oliveira e Edgar Ataíde dávamos entrevista no “Diário de Pernambuco” sobre as atividades do Movimento e seus projetos para o futuro.
No ano de 1946, há um fato interessante a se registrar: a CAMPANHA DO GINASIANO POBRE passou a chamar-se CAMPANHA DOS GINÁSIOS POPULARES. Nesse ano também foi realizada, com grande sucesso, a Terceira Semana de Cultura.

CAMPANHA DOS GINÁSIOS POPULARES – Inicialmente, era o Movimento denominado de CAMPANHA DO GINÁSIO POBRE. Surgiram várias sugestões para a mudança do nome: “Esse nome é deprimente!” diziam uns. Resolvemos, então, muda-lo para CAMPANHA DOS GINÁSIOS POPULARES. O Partido Comunista estava no apogeu: havia elegido uma bancada respeitável de deputados federais e o seu líder conseguiu tornar-se senador pelo antigo Distrito Federal. A CAMPANHA DOS GINÁSIOS POPULARES parecia, na época, a alguns, que se tratava de uma obra comunista. A palavra “popular” era propriedade do Partido Comunista. Os Diretores da Campanha, por via das dúvidas, resolveram mudar o nome da organização para CAMPANHA DOS EDUCANDÁRIOS GRATUITOS.

OS MILIONÁRIOS (Rubem Braga)- Não conheço esse rapaz do Recife, chamado Felipe Tiago Gomes, que meteu na cabeça a ideia de que é preciso democratizar o ensino no Brasil. E que escolheu como tarefa sua e de seus companheiros fundar ginásios gratuitos, e já pôs a funcionar cinco: no Amazonas, em Pernambuco, Paraíba, Paraná e Estado do Rio.
Essa “Campanha Nacional de Educandários Gratuitos” propõe-se a fundar, em todo o País, 68 ginásios. Sua ambição inicial é proporcionar a um número maior de pessoas os quatro primeiros anos do curso secundário; ainda não pode pensar no que fazer quando chegar o momento de seus estudantes se encontrarem na encruzilhada entre o clássico e o científico. Os próximos Estados a serem beneficiados são o Espírito Santo e a Paraíba, com dois ginásios cada um. Minha bela Cachoeiro de Itapemirim contará, o mês que vem, com seu ginásio noturno, que virá abrir novas perspectivas aos jovens trabalhadores beneficiados pela Campanha de educação primária do Estado e do Município a que Professora Zilma Coelho Pinto, fundando 25 cursos, deu impulso tão belo e generoso.
Há mais camadas pobres de nossa população – e ainda outro dia citei um exemplo disto – uma verdadeira sede de aprender. As razões principais serão, certamente, de ordem econômica. São também elas as que merecem, em primeiro lugar, atenção, em um País que está em fase de desenvolvimento econômico em que precisa contar com um número cada vez maior de trabalhadores de certo nível cultural.
Os homens “práticos” ou “realistas”, que ainda nos pregam as vantagens do analfabetismo popular são flores murchas do “espírito” de uma sociedade que já não existe.  Seus paradoxos fáceis ou cínicos – perdem qualquer valor diante desse irresistível impulso das novas gerações para escalar níveis melhores de vida cultural. Em alguns anos o Brasil já realizou bons começos de uma grande obra de ensino profissional, principalmente no campo da indústria e do comércio. Esse bando de padres que foi invernar na Universidade Rural para aprender alguma coisa que possa ensinar aos seus fieis da roça mostra como é sensível, sob pressão de fatores econômicos e sociais, a necessidade de progresso educacional.


Duque de Caxias, RJ, 1° de Maio de 2014
Antônio Joaquim Coelho da Cunha
Associado Representativo da CNEC/RJ



Descrição: MEC Foto balcão

Felipe Tiago Gomes, o Comendador da Educação Comunitária.


Aos picuienses, cenecistas e admiradores do trabalho desenvolvido por Felipe Tiago Gomes, o dia 1º de maio tem um significado especial. Há 93 anos, nesta emblemática data, nascia o Comendador da Educação Comunitária, o paraibano que fundou a Campanha Nacional de Escolas da Comunidade. 

De muito trabalho se fez a vida do Professor Felipe Tiago Gomes e não por acaso, após longos anos de luta e dedicação, aquele estudante pobre do seridó paraibano concretizava seu maior sonho, a criação daquela que seria a maior instituição filantrópica das Américas, voltada à educação de crianças e jovens que não tinham a oportunidade de custear seus estudos.

Em tributo ao legado deixado por este picuiense, o Memorial Dr. Felipe Tiago Gomes incentiva a preservação da história de vida e obra do Fundador da CNEC, alcançando, atualmente, mais de 16.800 visitas. Que outros tantos vistantes conheçam a história desse homem que viveu em prol de um ideal, trabalhou por uma justa causa e se enriqueceu de sonhos que, apesar de não lhes pertencer, habitavam seres que viram na CNEC o meio único de se tornarem cidadãos.

Valdemiro Severiano - sobrinho do Fundador da CNEC e idealizador do Memorial Dr. Felipe Tiago Gomes.


segunda-feira, 28 de abril de 2014

Desinternacionalização prematura?

Rubens Ricúpero

Não contente com a contribuição que deu à desindustrialização precoce, a fúria arrecadadora ameaça colocar ponto final em mais um episódio prematuro de internacionalização das empresas brasileiras.
O episódio anterior, envolvendo a Interbras, a proliferação de agências do Banco do Brasil, do finado Banespa e da Petrobras, prosperou na era Geisel e acabou vítima da crise da dívida a partir de 1982. Uma das consequências foi a liquidação do ciclo dos grandes projetos de infraestrutura.
Antes do desastre, o setor público investia 6% do PIB em infraestrutura. Essa idade de ouro terminou para sempre quando o investimento desabou para menos de 2%. O encolhimento deixou capacidade ociosa em construção, que teve de se expatriar para não morrer.
Ajudadas pelos créditos do BNDES, duas ou três companhias de excelência no ramo da construção provaram ser capazes de vencer no competitivo mercado mundial. Mais tarde, a duras penas, lograram repetir a proeza algumas poucas empresas de excelência tecnológica das quais a Embraer é expressão emblemática, seguidas pelos exportadores de produtos oriundos de recursos naturais: minérios, grãos, carnes, cosméticos.
O êxito desses exemplos de internacionalização é notável por ter sido alcançado contra todas as chances. Na experiência mundial, as firmas que se tornaram multinacionais foram impulsionadas por longos períodos de crescimento acelerado de seus países, caso do Japão, da Coreia do Sul e agora da China. No Brasil, é o contrário: o baixo crescimento, a crise econômica é que forçaram a internacionalização.
Na origem do fenômeno, a Inglaterra vitoriana, a acumulação de superávits crescentes no balanço de pagamentos gerou os excedentes de capital que possibilitaram os investimentos externos britânicos, suplantados depois de 1914 pelos EUA e hoje da China. Nesse particular, o Brasil também é anomalia, pois sofre de problema crônico no balanço de pagamentos e de carência de poupança e capital doméstico.
As multinacionais brasileiras vinham sendo pressionadas de três lados: baixo crescimento, alto custo de capital e assustador aumento do deficit em conta corrente. A isso se somavam inflação crescente, ameaça de rebaixamento de crédito, taxa de câmbio errática.
Pelo menos uma multinacional que se tornara brasileira, fugindo da Argentina, decidiu virar americana para melhorar seu custo de capital e escapar do risco Brasil.
Ora, é nesse momento que o governo resolve aprovar a MP 627 criando alíquota de 35% sobre lucros no exterior de empresas que enfrentam já concorrentes favorecidas em todos esses quesitos!
Trata-se do mesmo governo que, através do BNDES, até ontem estimulava a criação de "campeões nacionais" para competir lá fora.
Não há escolha: como a escala da competição é global, e não nacional, quem não se globaliza acaba comprado, como ocorreu com a Metal Leve, a Cofap e uma infinidade de antigas estrelas da indústria. Ao liquidar as multinacionais brasileiras, o governo arrisca estimular a colonização do Brasil pelas multinacionais estrangeiras.
Fonte: folha de s. paulo


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domingo, 27 de abril de 2014

Tudo no Maranhão é ão.

ÃOS E INHAS

Públio José – jornalista

                                     
                   Todos sabem que no Maranhão os superlativos começam pelo nome do estado, com um ão no final. E, ao se dar uma espiada mais acurada em sua história ao longo do tempo, vê-se que no Maranhão tudo é ão mesmo. A miséria maranhense é ão; a pobreza generalizada é ão; o analfabetismo também não fica atrás e é ão; a escravidão política do povo maranhense também é ão; a educação por lá também é ão pela péssima qualidade; a saúde não fica atrás de ruim e se perfila aos demais aspectos da realidade do estado também sendo ão; a economia, de tão concentrada, também é ão; as estradas, quase inexistentes, também são ão; enfim, tudo no Maranhão é ão. Tudo lá é aumentativo – com viés e essência negativos. Para completar a realidade ão do Maranhão, a Procuradoria Geral da República está em vias de entrar na Justiça do Estado pedindo a intervenção pela crise de segurança que atinge o Maranhão.
                        E, numa região do Brasil em que tudo é ão, aparece um diminutivo para confundir as coisas e criar um paradoxo digno das criações mais tresloucadas do mais tresloucado roteirista. Refiro-me ao CDP – Centro de Detenção Provisória de Pedrinhas. Ironizando ainda mais a história do Estado, esse CDP que atende pelo nome de Pedrinhas é a instituição mais ão do Maranhão, uma verdadeira casa de horrores. Segundo levantamento do jornal Folha de São Paulo, o inha do Maranhão é responsável pela morte de sete detentos só nos quatro meses deste ano, de um total de dez assassinatos ocorridos no interior do sistema prisional maranhense. E são mortes de deixar boquiabertos os piores matadores da história da humanidade, a ponto de chamar a atenção da imprensa internacional e levar a Procuradoria Geral da República, como já dito, a solicitar à Justiça a intervenção federal no Estado.
                        Segundo a Folha, para a imprensa estrangeira, “Pedrinhas tornou-se, desde o ano passado, sinônimo de violência e barbárie do que ocorre nas cadeias brasileiras”. Ou seja, do bárbaro, insano e bestial sistema prisional brasileiro, Pedrinhas se destaca por ser ainda mais bárbaro, mais insano, mais bestial. Por lá, com a capacidade gerencial ão do governo, as coisas alcançaram o mais alto patamar do ão, do absurdo. Vídeo da Folha mostra em detalhes o horror de três presos sendo decapitados, “enquanto seus algozes comemoram, com deboche, o assassinato frio”. E isso tudo acontecendo em um Estado dominado pelo poderoso senador José Sarney, cujo staff – entre asseclas, correligionários, lideranças as mais diversas e familiares em abundância – faz o Maranhão permanecer no mais baixo degrau da escala da pobreza, da miséria, da ignorância, da violência, do analfabetismo.   
                        E Pedrinhas? Não é uma graça esse nome? Pedrinhas... Parece até literatura infantil. Pedrinhas... Em criança, lembro de passar tempo na praia recolhendo pedrinhas. Com elas eu cultivava a imaginação, além de usá-las para várias atividades de lazer. Pedrinhas eram dinheiro nos jogos da meninada; pedrinhas eram munição para baladeiras; pedrinhas eram veículos nas estradas da imaginação; pedrinhas eram elementos de decoração na sala de estar da família; pedrinhas, nas aulas de desenho da escola, eram elementos para exercitar os dotes artísticos de futuros pintores e desenhistas. Tudo muito inocente; tudo muito inhas. Hoje, o Brasil descobre que em um ambiente ão, como o do Maranhão, o inha representa o lado mais negro, mais sórdido da perversidade humana agregada à incompetência – a ponto de tornar o já enorme ão do Maranhão muito mais ão. Pedrinhas... Pobre Maranhão...

A arquitetura dos sertões nordestinos.



Outros sertões

Estudo revela a arquitetura rural do século XIX no interior do Nordeste
JULIANA SAYURI | Edição 216 - Fevereiro de 2014
© NATHÁLIA DINIZ
Casa da fazenda Sabugi, no Rio Grande do Norte
Casa da fazenda Sabugi, no Rio Grande do Norte
O sertão é do tamanho do mundo, dizia Guimarães Rosa. Dizia como ainda dizem os que se enveredam pelos tortuosos caminhos dos rincões nordestinos em busca de histórias, respostas, saberes. Não raro, porém, muitos retornam dessas terras ainda mais intrigados com novas questões. A pesquisadora Nathália Maria Montenegro Diniz mergulhou diversas vezes nesse território. Ali nasceram a dissertação de mestrado Velhas fazendas da Ribeira do Seridó (defendida em 2008) e a tese de doutorado Um sertão entre tantos outros: fazendas de gado nas Ribeiras do Norte (em 2013), ambas realizadas sob orientação de Beatriz Piccolotto Siqueira Bueno, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Nessas empreitadas, ela encontrou não apenas respostas a seus estudos sobre a arquitetura rural do século XIX sertão adentro, mas também questionamentos novos que deram fôlego para um novo projeto de pesquisa, vencedor da 10ª edição do Prêmio Odebrecht de Pesquisa Histórica – Clarival do Prado Valladares, divulgado em dezembro. O projeto O conhecimento científico do mundo português do século XVIII, de Magnus Roberto de Mello Pereira e Ana Lúcia Rocha Barbalho da Cruz, também foi premiado. Os vencedores foram escolhidos entre 213 trabalhos inscritos pela originalidade dos temas. O prêmio inclui a produção e publicação de um livro, sem valor predeterminado.
É difícil desvencilhar a história pessoal de Nathália Diniz de seu itinerário intelectual. De uma família de 11 filhos originária de Caicó, na região do Seridó, interior do Rio Grande do Norte, ela foi a primeira a nascer na capital potiguar. Em 1975, a família mudou-se para Natal – professores de matemática por ofício, os pais pretendiam oferecer melhores condições educacionais para os filhos. Nas férias e feriados todos retornavam à pequena cidade, onde ficavam em uma das casas das fazendas que pertenceu ao tataravô da pesquisadora. “Logo cedo pude notar as visões diferentes construídas sobre o sertão nordestino. As casas que eu via não eram as mesmas retratadas nas novelas de época, da aristocracia rural. Era outro sertão”, lembra.

Graduada em arquitetura e urbanismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Nathália quis explorar os outros sertões esquecidos no século XIX, mais especialmente no Seridó, uma microrregião do semiárido que ocupa 25% do território do estado. Lá o povoamento se iniciou no século XVII com as fazendas de gado e o cultivo de algodão. Ainda estudante, deu o primeiro passo nessa direção quando participou de um projeto de extensão que investigou os núcleos de ocupação original do Seridó a partir de registros fotográficos e fichas catalográficas feitas por estudantes e pesquisadores. Descobriram, assim, que essas casas, posteriores ao período colonial, mantinham características herdadas da arquitetura colonial ao lado de elementos ecléticos modernos.
Uma vez bacharel, Nathália viajou a São Paulo para participar de um encontro de arquitetos e deparou com o processo seletivo para mestrado na FAU. Decidiu, então, despedir-se do Nordeste para estudar na capital paulista. “Foi preciso partir para poder redescobrir os sertões”, diz ela. Para seu projeto de dissertação, a jovem arquiteta tinha um trunfo: a originalidade da pesquisa sobre as casas de Seridó. “Quase ninguém conhece aquele patrimônio. Quis apresentar essa realidade nas minhas pesquisas.”
Acervo arquitetônico
Nathália investigou o acervo arquitetônico rural do Seridó, de formas simples e austeras, sem o apelo estético de outros exemplares do litoral nordestino. Essas construções, entre casas de famílias, casas de farinha e engenhos, representam um tipo de economia do século XIX alicerçado no pastoreio e no cultivo de algodão. Embora fundamental para a identidade da região, segundo o estudo, esse acervo composto por 52 edificações conta com poucas iniciativas concretas para tornar viável sua preservação.
© NATHÁLIA DINIZ
Casa da fazenda Almas de Cima, também no Rio Grande do Norte: preservação  ainda precária
Casa da fazenda Almas de Cima, também no Rio Grande do Norte: preservação ainda precária
No início do século XVII, com o povoamento do interior do Rio Grande do Norte, sesmeiros pernambucanos fincaram raízes no Seridó. Foi no século XVIII que surgiram as casas na região feitas de taipa, com madeiramento amarrado com couro cru, chão de barro batido e térreas, com telhado de beira e bica. Lentamente, as casas de taipa passaram a alvenaria, com tijolos apenas na fachada. Por fim, no século XIX, o Seridó ficou marcado pela construção de grandes casas de fazenda, habitadas pelo proprietário, familiares, agregados e escravos.
No doutorado, a arquiteta expandiu horizontes, territoriais e teóricos. Por um lado, debruçou-se sobre a arquitetura rural vinculada às fazendas de gado nos sertões do Norte (atuais estados da Bahia, Paraíba, Pernambuco, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte). Ela mapeou um acervo de 116 casas-sede a partir de levantamentos arquitetônicos do Piauí, Ceará e Bahia. A fim de melhor compreender o patrimônio material e imaterial nas habitações rurais dessa região, entrou nos campos da história social e da história econômica.
Do inventário de 116 casas-sede alicerçadas em pedra bruta, erigidas em diferentes ribeiras (Ribeira do Seridó, do Piauí, da Paraíba, dos Inhamuns e do São Francisco e Alto Sertão Baiano), a pesquisadora notou a heterogeneidade das construções arquitetônicas nas rotas do gado no Nordeste, que mantinham um mercado interno agitado, embora desconhecido, no calcanhar da economia do litoral exportador. Eram ainda construções pensadas para a realidade sertaneja, com sótãos e outras estruturas propícias para arejar os ambientes castigados pela alta temperatura e pelo tempo seco.
© NATHÁLIA DINIZ
Exemplos da arquitetura sertaneja na Paraíba:  sede da fazenda Sobrado
Exemplos da arquitetura sertaneja na Paraíba: sede da fazenda Sobrado
Contornando ribeiras e atravessando sertões, Nathália Diniz construiu suas investigações a partir de vestígios de tijolo, pedra e barro. Muitas casas de taipa, mencionadas nos arquivos, não resistiram ao tempo e desapareceram. Restaram fazendas formadas por casas-sede e currais. Entre as características da maioria das construções estavam à disposição dos ambientes: os serviços nos fundos do terreno, com tachos de cobre, pilões, gamelas; e a intimidade da vida doméstica no miolo das edificações, com mobiliário trivial, como mesas rústicas e redes, assentos de couro e de sola, baús e arcas de madeira. Em muitas fazendas, em paralelo a criação de gado, cultivaram-se cana-de-açúcar e mandioca, de onde viriam a rapadura e a farinha, que, ao lado da carne de sol, tornaram-se a base da alimentação sertaneja. “A arquitetura rural não segue modelos”, diz Nathália. “Os primeiros proprietários dessas casas eram filhos dos antigos senhores de engenho do litoral. Se a arquitetura rural tivesse um modelo, eles teriam construído casas similares às de seus pais no litoral, o que não ocorreu. A arquitetura dos sertões mostra a formação de uma sociedade a partir da interiorização dos sertões do Norte, de uma economia marcada pelo gado.”
Depois do doutoramento em São Paulo, a pesquisadora retornou a Natal, onde é professora de história da arte e de arquitetura no Centro Universitário Facex. Seu projeto atual é aprofundar a análise arquitetônica das casas-sede, explorando uma lacuna na historiografia brasileira sobre as relações sociais e suas consequências materiais nos sertões, ainda hoje um universo inóspito e incógnito, marcado por longas distâncias e imensos vazios. Esses territórios ficaram esquecidos, apesar de presentes na literatura e nos relatos memorialistas. Daí brotaram generalizações sobre o Nordeste e sua arquitetura rural, ainda compreendida a partir dos padrões dominantes da Zona da Mata pernambucana e do Recôncavo Baiano – o que, nas palavras da pesquisadora, não condiz com a realidade.
© NATHÁLIA DINIZ
A casa da fazenda Santa Casa
A casa da fazenda Santa Casa
Originalidade do tema
O novo trabalho será bancado com o prêmio ganho em dezembro e desenvolvido com o apoio de Beatriz Bueno, da FAU-USP. “O projeto de Nathália foi escolhido pela originalidade do tema e pela oportunidade que nos proporciona de compreender o processo de ocupação do sertão brasileiro e suas dimensões econômica, histórica e social”, diz o coordenador do Comitê Cultural da Odebrecht, Márcio Polidoro. Na economia, ela destacará o ferro que marcava o gado e que permitia identificar a fazenda à qual pertencia – até agora, a pesquisadora já coleciona 653 desenhos de ferro diferentes. “Num sertão disperso, sem fronteiras claramente visíveis, pontuado por tribos indígenas inimigas, o gado carregou a representação do território e da própria propriedade dos que vinham de outros lugares”, define. Na sociedade, ao cruzar os inventários post-mortem encontrados nos arquivos e nas casas, pretende compreender e revelar a vida cotidiana do sertanejo que se desenrolava a morosos passos no século XIX. Fará novas viagens para refazer fotografias e rever anotações. Mais uma vez, um retorno às suas raízes e às terras, tão diferentes das que via nas novelas na sua infância. “Ainda procuro o que buscava desde o início: quero mostrar o que eram esses outros sertões. Nós conhecemos a riqueza da arquitetura litorânea, a arquitetura do açúcar e do café. Falta a arquitetura sertaneja”, conclui.
Projeto
Paisagem cultural sertaneja: as fazendas de gado do sertão nordestino (nº 2009/09508); Modalidade Bolsa de Doutorado; Pesquisadora responsável Beatriz Piccolotto Siqueira Bueno; Bolsista Nathália Maria Montenegro Diniz; Investimento R$ 130.587,92 (FAPESP).
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domingo, 13 de abril de 2014

O sertão vai virar mar/ e o mar vai virar sertão ?

Meio Ambiente

Cientistas apontam saídas para desastre climático global

Estudo de especialistas da ONU mostra que planeta ainda pode reverter previsões sombrias de catástrofes naturais. Para isso, emissões de gás do efeito estufa precisam ser reduzidas a no mínimo 40% até 2050.
Apesar de todos os esforços globais para tentar reduzir a emissão de CO2 prejudicial ao clima, a liberação de gases causadores do efeito estufa teve maior aumento entre os anos 2000 e 2010 do que em qualquer outra década anterior, desde 1970.
O balanço consta do terceiro relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), publicado neste domingo (13/04) em Berlim. O documento, elaborado por 195 cientistas nos últimos quatro anos, vinha sendo discutido desde o início da semana passada por representantes de vários governos nas Nações Unidas, reunidos na capital alemã.
Apesar da perspectiva sombria, o relatório intitulado Mitigação da mudança climática traz esperança de que a situação pode mudar. Segundo seus autores, só será possível limitar os drásticos efeitos de catástrofes naturais – como inundações e secas – se os países conseguirem manter o aumento anual da temperatura do planeta em até 2 graus Celsius.
Mas para tal, os autores do estudo apontam a necessidade de se estabelecer um conjunto de medidas políticas e técnicas. "A mensagem científica é clara: a fim de evitar danos perigosos ao sistema climático, as coisas não podem continuar como estão", explica o cientista alemão Ottmar Edenhofer.
O relatório divulgado agora é a terceira parte de um levantamento sobre mudanças climáticas. A primeira parte foi publicada em 2013 em Estocolmo, Suécia; a segunda, há poucas semanas em Yokohama, Japão.
Reflorestamento pode ser chave para gerações futuras
Menos CO2 até 2050
Os especialistas do clima apontam que a meta dos 2 graus Celsius só poderá ser alcançada se as taxas de emissão de gases-estufa caírem entre 40% e 70% até 2050. Para garantir o futuro das próximas gerações, as emissões de CO2 e similares terá que ser praticamente nula, até o fim deste século.
No entanto, ressaltam, não basta diminuir a liberação de gases no meio ambiente. Para se chegar à ambiciosa meta de redução das mudanças climáticas, Edenhofer e seus colegas Ramón Pichs-Madruga, de Cuba, e Youba Sokona, do Mali, consideram ser essencial ter uma atmosfera completamente livre de CO2.
O trio de cientistas não tem dúvidas de que a comunidade internacional precisa ser ágil em aplicar uma série de medidas a fim de limitar o aquecimento anual em apenas 2 graus Celsius. Por isso é fundamental cumprir a meta básica inicial de estabilizar a concentração dos gases responsáveis pelo efeito estufa na atmosfera. Para conseguir isso, é necessário reduzir as emissões em todos os setores, seja na geração e consumo de energia, na produção de bens de consumo, alimentação, meios de transporte ou moradia.
Cooperação internacional
Fontes alternativas de energia ajudam a reduzir lançamento de CO2 na atmosfera
Os cientistas enxergam um grande potencial no desenvolvimento da eficiência energética e reflorestamento. Para eles, a adoção de tecnologias menos poluentes oferece uma grande chance de diminuir os custos que seriam empregados para minimizar as mudanças climáticas.
Um melhor uso da terra é outro componente-chave desta equação. Desmatamento em menor escala e maiores áreas de reflorestamento podem, na avaliação dos especialistas, não apenas estancar a emissão de CO2 como até reverter o risco atual. Segundo o relatório do IPCC, o reflorestamento orientado pode até mesmo eliminar os gases-estufa da atmosfera.
Os cientistas afirmam que o uso de biomassa e o armazenamento subterrâneo de CO2 podem surtir o mesmo efeito, mas alertam sobre os riscos que essas técnicas acarretam. Assim, o objetivo principal deve ser buscar maneiras de desatrelar o crescimento econômico da necessidade de emitir gases poluentes, ressalta Sokona no relatório. Edenhofer complementa: "A chave para reduzir o aquecimento global está no trabalho de cooperação internacional."
"Este relatório é muito claro sobre o fato de estarmos perante uma questão de vontade mundial, e não de capacidade", afirmou o secretário americano de Estado, John Kerry, num comunicado em que comenta o relatório do IPCC.

DW.DE