segunda-feira, 16 de julho de 2012

Cemitério de NY guarda história de judeus do Brasil

Descendentes de famílias expulsas de Pernambuco por Portugal em 1654 se tornaram figuras proeminentes na sociedade americana

 
Estadão/SP - 14 de julho de 2012 | 17h 21

Gustavo Chacra, Correspondente, NOVA YORK
Entre prédios com tinta descascada no bairro de Chinatown em Manhattan, o cemitério dos judeus originários do Recife e seus primeiros descendentes é um dos mais bem guardados segredos de Nova York. Poucos conhecem pessoalmente as tumbas das primeiras famílias judias que viveram na metrópole com a segunda maior população judaica do mundo, depois de Tel Aviv. Muito menos sabem que elas vieram do Brasil.
Em Chinatown. Cemitério com os túmulos dos 23 judeus e seus primeiros descendentes é pouco conhecido - Gustavo Chacra/AE
Gustavo Chacra/AE
Em Chinatown. Cemitério com os túmulos dos 23 judeus e seus primeiros descendentes é pouco conhecido

Apesar do desgaste de séculos de chuva, sol e neve, ainda dá para ler em algumas tumbas sobrenomes como Fonseca, Seixas, Gomes, Nunes, Cardozo, Castro e Bueno de Mesquita. Todos judeus portugueses ou espanhóis, com passado ligado ao tempo de domínio dos holandeses no Recife, onde a primeira congregação judaica das Américas foi construída.

Em 1654, Portugal retomou o controle de Pernambuco, que estava nas mãos dos holandeses da Companhia das Índias. Era o fim de uma era de liberdade para os judeus nas terras brasileiras. Eles mais uma vez eram expulsos pela coroa portuguesa. Antes, durante a Inquisição, haviam sido obrigados a deixar Portugal e rumar para a protestante Holanda, onde não eram alvo de perseguição.

Piratas. Com a expulsão do Recife, alguns milhares de judeus seguiram para a Holanda em 17 barcos. Uma dessas embarcações se perdeu e foi atacada por piratas espanhóis.

“Resgatados por um navio francês, foram levados para Nova Amsterdã, hoje conhecida como Nova York. Eram 23 pessoas, em sua maioria mulheres e crianças”, afirma Zacharia Edinger, o shamash (diretor de ritual) da gigantesca sinagoga Hispano-Portuguesa, denominada Shearit Israel. Localizada diante do Central Park, é a herdeira da primeira congregação judaica de Nova York. Atualmente, são eles que possuem as chaves do cemitério em Chinatown, abrindo-o em raras ocasiões, como nesta visita do Estado.

Os descendentes desses judeus portugueses se transformaram em figuras proeminentes na sociedade americana. Um deles, Benjamin Cardozo, já falecido, alcançou o posto de juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos. Outro, Bruce Bueno de Mesquita, professor da Universidade de Nova York, é o mais destacado especialista de teoria dos jogos aplicada à ciência política.

Antes mesmo de entrar no cemitério, em um movimentado cruzamento, há uma placa, em inglês, com os dizeres “O Primeiro Cemitério da sinagoga Hispano-Portuguesa, Shearit Israel, na Cidade de Nova York”.

O tamanho do terreno é pouco maior do que o de duas quadras de tênis. Parte acabou sendo destruída quando uma rua foi construída décadas atrás. Ao redor, famílias chinesas observam muitas vezes sem entender o que existe de especial nesse cemitério unindo as histórias de Brasil, EUA, Portugal, Holanda e da diáspora judaica.

Inscrições. Algumas tumbas possuem inscrições em português, inglês e hebraico. Há palavras como “Faleceu” e “Aqui Jaz”. Uma delas tem o nome de Gershom Mendes Seixas, um dos rabinos mais importantes da história dos Estados Unidos e com um sobrenome que não esconde suas origens portuguesas. Ele era descendente dos judeus que vieram do Recife e foi líder da congregação na época da Revolução Americana.

“Visitar o cemitério foi como viajar no tempo. Ver sobrenomes portugueses no cemitério retrata uma face interessante de Portugal e do Brasil, mostrando que o elemento judaico é integrante do tecido social brasileiro e português, com nomes completamente portugueses”, afirma o executivo Sergio Suchodolsky, que visitou o cemitério com o Estado.

O israelense Efrahim Gil afirmou que esperava desde 1966 para ir ao local nesta inédita visita.

O rabino brasileiro Mendy Weitman, do Jewish Latin Center, em Manhattan, disse ser “uma honra entrar no cemitério e ver como 23 judeus vindos do Brasil conseguiram construir a maior comunidade judaica fora de Israel, em Nova York” - seu pai, o rabino David Weitman, da Congregação Beit Yaacov, em Higienópolis, região central, escreveu o livro Bandeirantes Espirituais, justamente sobre os judeus do Recife.




Na sinagoga diante do Central Park, nomes em português


Os judeus do Recife mantiveram como herança nomes e influências portuguesas. Embora a maioria da Congregação Hispano-Portuguesa não descenda dos pioneiros que vieram de Pernambuco a Nova York, ritos da sinagoga diante do Central Park ainda usam expressões em português.

As cadeiras do presidente e vice da congregação são “bancos”. Quem carrega a Torah é o “levantador”. O coral ainda executa cânticos em português arcaico. “As diferenças entre os diferentes grupos de judeus pelo mundo não têm a ver com questões teológicas, mas históricas e de costumes, como algumas orações e rituais específicos; com roupas, comidas e inclusive línguas diferentes, apesar de o hebraico ser o idioma base dos ortodoxos. Os judeus portugueses tiveram uma forte influência da cultura católica portuguesa, que foi perpetuada em Amsterdã e Hamburgo”, afirma o professor da Unifesp Bruno Feitler.

Segundo Daniel Breda, do Arquivo Histórico Judaico no Recife, cristãos-novos portugueses adotaram nomes portugueses.

Feitler acrescenta que “alguns dos convertidos espanhóis adotaram sobrenomes específicos, como Santa Fé, mas a maioria dos convertidos simplesmente tomou sobrenomes comuns ou de padrinhos. Há casos de inquisidores julgando judeus que tinham o mesmo sobrenome que eles! A ideia de que sobrenomes portugueses baseados em nome de árvore ou animal têm origem judaica é mito infundado”. / G.C.N






domingo, 15 de julho de 2012

Temos mais bactérias 10 vezes mais do células humanas.




O uso de antibióticos e suas conseqüências.


Texto de Paulo Tarciíio Neto. 

Causou grande polêmica a decisão do Ministério da Saúde em proibir a venda livre de antibióticos nas farmácias. Dando a “César o que é de César”, deve-se reconhecer a vitória do governo federal tanto contra a indústria farmacêutica, que certamente teve seus lucros muito reduzidos com a medida, contra o vício de nossa população de automedicar-se indiscriminadamente.

O estopim para a mudança, lembremos, foi o surgimento de uma cepa de bactérias do gênero Klebisiella sp. com grande resistência aos antibióticos correntes. Mas por que não podemos tomar livremente antibióticos? Essa é a pergunta que será respondida nesse curto artigo.

As bactérias não são más: quando controladas com “rédea curta” são nossas grandes aliadas. Elas habitam nosso corpo, em verdade, numa proporção fantástica: existem 10 vezes mais bactérias do que células humanas no corpo humano. Assustador, não? O que permite que elas permaneçam “sob controle” é nosso sistema de defesa, um potente exército com diversos mecanismos de contenção desses pequenos seres que, assim controlados, nos fazem um grande bem.

O problema do uso equivocado de antibióticos, seja em subdoses, seja por um tempo mais curto que o determinado pelo médico é que quando uma bactéria não é morta pela medicação ela pode aprender a combatê-la e tornar-se resistente a ela, de modo que se sinto uma dor de garganta, vou na farmácia e tomo dois comprimidos de amoxicilia (dose que não serve para nada), a única coisa que faço é ensinar àquelas bactérias que moram no meu corpo a “destruir” a amoxicilia. Deste modo, quando eu realmente precisar desse antibiótico, pode acontecer de ele ser ineficaz contra minha infecção.

O mesmo efeito ocorre quando meu médico me orienta a tomar a medicação por 7 dias, mas, como eu já “me sinto melhor” no 3º, suspendo seu uso. Ai, aquele inimigo que parecia “morto” na verdade só estava moribundo e na próxima infecção que ele aparecer, possivelmente será ainda mais forte do que antes.

Ouve-se por ai que ainda existem farmácias que vendem antibióticos sem receita. Para o seu bem e o bem daqueles que lhe cercam, não os compre, não os utilize sem a orientação de seu médico. Do mesmo modo, nenhum médico quer que o paciente sofra tomando doses desnecessárias de antibióticos e se ele disse que é pra tomar 3 vezes ao dia por 10 dias, confie no seu médico. Ele certamente sabe o que faz.

Paulo Tarcisio Neto é doutorando em medicina.

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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN em 7/15/2012 08:28:00 AM

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Cientistas detectam mal de Alzheimer antes dos sintomas aparecerem

  • SPL
    Pacientes com tendência a Alzheimer possuíam níveis anormais de uma proteína no cérebro. Pacientes com tendência a Alzheimer possuíam níveis anormais de uma proteína no cérebro.
Um grupo de cientistas americanos desenvolveu uma técnica para detectar sinais do mal de Alzheimer 25 anos antes da doença apresentar seus primeiros sintomas.
A pesquisa é a porta de entrada para novos tipos de tratamentos precoces que podem se tornar a melhor chance da medicina para combater a enfermidade.
Os cientistas, da Escola de Medicina da Universidade de Washington, selecionaram para o estudo pacientes britânicos, americanos e australianos que possuem risco genético para desenvolver a doença.
Dos 128 pacientes examinados, 50% têm chances de herdar uma das três mutações genéticas conhecidas pela ciência que provocam o mal de Alzheimer.

Amor entre idosos na luta contra o Alzheimer

Foto 12 de 12 - Após a partida de Mónica, Marcos enfrenta provavelmente o momento mais duro de sua vida. Não somente pela solidão e a saudade da esposa, mas pelo desafio de, aos 89 anos, ter de dar início a uma reconstrução Mais Alejandro Kirchuk
O grupo também tem chance aumentada de começar a sofrer da doença a partir dos 30 ou 40 anos - muito mais cedo que a maioria dos pacientes de Alzheimer, que desenvolvem o mal na casa dos 60 anos.

MÉDICO ENSINA COMO IDENTIFICAR

Os pesquisadores analisaram os pais dos pacientes para descobrir com que idades eles haviam desenvolvido a doença. A partir disso começaram a tentar avaliar quanto tempo antes disso era possível detectar os primeiros sinais da enfermidade.
Foram realizados exames de sangue, de líquor (fluído espinhal), de imagens do cérebro e também avaliações de habilidades mentais nos pacientes.
Os pesquisadores descobriram, então, que era possível detectar pequenas mudanças no cérebro de quem possuía alguma das mutações que no futuro levarão ao surgimento do Alzheimer.
Por volta de 15 anos antes do aparecimento da doença, pacientes já apresentavam níveis anormais de uma proteína de células que podem ser encontradas no fluído espinhal.

Veja dicas de especialista para prevenir o alzheimer

Foto 11 de 11 - Tome café com moderação - doses moderadas de cafeína também podem proteger o cérebro do declínio cognitivo, segundo o neurocientista Gary Small Mais Shutterstock
Além disso, imagens do cérebro revelaram encolhimento em algumas regiões do cérebro desses pacientes.
Dez anos antes dos primeiros sintomas foram detectados problemas de memória e um processamento anormal da glicose no cérebro dos estudados.
Em pacientes que não possuiam as mutações, não foram detectadas alterações nesses marcadores.
Os resultados da pesquisa foram publicados no New England Journal of Medicine.
"Essa importante pesquisa mostra que mudanças-chaves no cérebro, relacionadas à transmissão genética da doença acontecem décadas antes do aparecimento dos sintomas. Isso pode gerar grandes implicações para o diagnóstico e o tratamento no futuro", afirmou Clive Ballard, diretor de pesquisa da Sociedade de Alzheimer.
"Os resultados de pacientes com Alzheimer herdado por fatores genéticos parecem similares às mudanças provocadas em casos não-genéticos, na forma comum da doença", disse Eric Karran, diretor de pesquisa da Sociedade Britânica do Alzheimer.
"É provável que qualquer novo tratamento para Alzheimer deverá ser começado mais cedo para ter a melhor chance de sucesso".
"A habilidade para detectar os primeiros estágios da doença de Alzheimer não só permite que as pessoas planejem e tenham acesso aos cuidados e tratamentos existentes mais cedo, mas também permitirá que novas drogas sejam testadas nas pessoas certas, na hora certa".

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Caminhos do Frio da Paraíba.



09 de julho de 2012 às 15:47

Rota Cultural Caminhos do Frio, no Brejo paraibano, começa na próxima semana

Parece a Estação Papary, em Nísia Floresta, onde funciona o restaurante Marinas Camarões. Mas é a estação ferroviária de Bananeiras, onde haverá festival gastronômico em meio ao projeto cultural Caminhos do Frio
As cidades de Areia, Bananeiras, Serraria, Pilões, Alagoa Nova e Alagoa Grande, que integram a região serrana do Brejo paraibano, promovem mais uma edição da Rota Cultural Caminhos do Frio.
De 16 de julho a 26 de agosto estão previstos apresentações culturais, festivais gastronômicos, oficinas de artes, atividades de ecoturismo e feira de artesanato, entre outras atrações.
A expectativa, segundo os organizadores do evento, é de que cerca de 30 mil turistas devem participar das atividades do projeto, que chega este ano a sua sétima edição.
Um dos diferenciais do roteiro é o clima frio, já que o inverno na serra paraibana tem temperaturas em torno de 12° graus, algo atípico no Nordeste.
Outro fator positivo é a localização estratégica do Brejo, próximo a Campina Grande, João Pessoa e Natal.
O projeto começará em Areia, com a programação “Areia: Frio, Cachaça e Arte”, de 16 a 22 de julho. A abertura terá apresentação da Filarmônica Abdón Milanez, no Adro do Solar José Rufino.
Já o município de Bananeiras, muito conhecido pelos norte-rio-grandenses, alguns dos quais investiram em casas e chalés em condomínios de segunda residência, fará sua programação de 23 a 29 de julho. Haverá festival gastronômico, competições em trilhas ecológicas e até apresentação da Orquestra Sanfônica.
Entre os dias 6 e 12 de agosto a rota cultural será realizada em duas cidades: Serraria (Natureza, Seresta e Engenhos) e Pilões (Festa das Flores, Banana e Artes).
Em Alagoa Nova, as atividades só terão inicio no dia 13 de agosto e seguem até o dia 19 de agosto, com a Festa da Civilização do Açúcar. Na abertura, no Teatro Municipal, a partir das 19h, será realizado um Tributo aos 100 anos do Rei do Baião.
Os Caminhos do Frio serão encerrados com a rota cultural de Alagoa Grande, com a programação do Festival de Artes Populares Jackson do Padeiro, entre os dias 20 e 26 de agosto.
Fonte: blog do meu colega Antonio Roberto - E-Turismo.

sábado, 7 de julho de 2012

Ex-governador será sepultado em Campina Grande.

Corpo de Ronaldo segue em cortejo para Campina Grande

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Sábado, 07 de julho de 2012 - 19h23
Uma multidão acompanhou com aplausos a saída do corpo do ex-governador Ronaldo Cunha Lima, do Palácio da Redenção, às 18h15, com destino ao Parque do Povo, em Campina Grande. Familiares, populares e autoridades seguiram em cortejo fúnebre pela Avenida Cruz das Armas em direção à BR-230.
Em Campina Grande o corpo de Ronaldo Cunha Lima será velado na Pirâmide do Parque do Povo, onde uma multidão aguarda a chegada dos funerais. O Parque é uma das obras mais simbólicas do então prefeito Ronaldo Cunha Lima, consolidando o que hoje é conhecido no Brasil e no exterior como o “Maior São João do Mundo”.
Ronaldo, que lutava contra um câncer no pulmão diagnosticado ainda em meados de 2011, teve nos últimos dias um agravamento de seu quadro clínico. Ele faleceu na manhã deste sábado (7), rodeado pelos familiares, em seu apartamento no bairro de Tambaú, onde estava montada uma UTI para assisti-lo.
Após a confirmação pela família da morte do poeta, o governador Ricardo Coutinho decretou luto oficial de três dias no Estado, dando início aos rituais oficiais fúnebres com honras de chefe de Estado.
O corpo do poeta foi velado no hall principal do Palácio da Redenção desde às 14h. Familiares, autoridades e o povo deram o último adeus ao ex-governador, ex-senador, ex-deputado federal, ex-deputado estadual, ex-prefeito e ex-vereador. O sepultamento de Ronaldo Cunha Lima será neste domingo (8), às 16h, no cemitério Monte Santo, em Campina.
Fonte: Secom- Governo da Paraíba.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Tribuna do Norte.

Administração Penitenciária da Paraíba divulga nomes dos presos transferidos para Mossoró

Publicação: 05 de Julho de 2012 às 07:39

A Secretaria de Administração Penitenciária divulgou na tarde desta quarta-feira (4), a lista oficial dos dez presidiários paraibanos que foram transferidos na manhã desta quinta-feira (4) para a Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Segundo o gerente do sistema penitenciário, o tenente-coronel Arnaldo Sobrinho, a relocação dos presos - considerados de alta periculosidade - foi uma medida preventiva para evitar o confronto entre facções rivais no Complexo Penitenciário de Segurança Máxima Romeu Gonçalves de Abrantes em João Pessoa, PB1 e PB2.

A operação de transferência, que foi batizada de Perseu II, será comandada pelo Sistema de Administração Penitenciária e feita via terrestre com o apoio da Polícia Militar e Rodoviária Federal. Um helicóptero foi utilizado no esquema de segurança. Os presos são:

Flávio de Lima Monteiro, conhecido por "Fatoca" - Responde a processos por tráfico em João Pessoa

Helder Guimarães Ramos - Responde a processos por tráfico e roubo em João Pessoa, Cabedelo e Pombal

Francinaldo Barbosa de Oliveira, conhecido por "Vaqueirinho" - Responde a processos por tráfico em João Pessoa

Gilson Marques Mendes Madureira, o "Gilson Beira mar" - Responde a processos por tráfico em Campina Grande e processo na Operação Hidra em Patos

Jarbas Jácome de Oliveira, conhecido por "Jarbas Jaburu" ou "Jarbas do Jogo"; Obs: Já custodiado no Acre - Responde a processos por tráfico por roubo e homicídios em diversos Estados. Integrava a quadrilha de José Valdetário Benevides

Marcos Vinicius Padilha, o "Marcos Padilha" - Responde a processos por tráfico, homicídio e roubo em João Pessoa

Osmano Canuto de Araujo, o "Cavanhaque" - Responde a processos por tráfico em João Pessoa e sucessor da "Okaida" e braço direito de Pinino e Fão

Ronaldo Adriano da Silva Soares, o "He-Man" - Responde a processos por tráfico e homicídio em João Pessoa e Santa Rita

Robson Machado de Lima, conhecido por "Rô" ou "Psicopata" - Responde a processos por tráfico e homicídios em João Pessoa

Severino José Leite, o "Coroa Boy" - Responde a processos por tráfico em João Pessoa
Fonte: Blogue de Sidney Silva.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

A guerrilha de Catolé do Rocha, na visão do militante Ubiratan.


CATOLÉ DO ROCHA

23 de Outubro de 2009 Humberto Vital
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Tivemos no final dos anos sessenta as décadas mais férteis no tocante ao desempenho intelectual dos povos do chamado terceiro mundo, como também o desempenho revolucionário transformador que mudou por completo a mentalidade, visão crítica e corrupção social dos povos da América Latina, Ásia e África, forçando e criando condições subjetivas para a formação de uma sociedade mais justa e mais humanitária.
Toda juventude mundial se empenhou, lutou e se martirizou na busca da liberdade. Era a época das ditaduras que subjugavam os povos apoiados pelo imperialismo americano, cuja ação principal se materializava no sudeste asiático com a Guerra do Vietnã, um dos maiores crimes de guerra cometidos pelos americanos depois das bombas atômicas lançadas contra Hiroxima e Nagasaki.
Todos os movimentos de libertação política se direcionavam em, através dos exércitos populares de libertação, quebrar estes grilhões que sufocavam estes povos, tanto socialmente, economicamente e politicamente. Foram décadas de intensa movimentação cultural em que todas as áreas progressistas de cada povo eram direcionadas em adquirir conhecimento como forma de superar as imensas diferenças que separavam os países ricos e exploradores dos países pobres, como também mudar em definitivo as relações de trabalho que existem até hoje nas formas de produção, a exploração do homem pelo homem.
Da mesma forma como historicamente o feudalismo substitui o escravagismo, o socialismo através da força das revoluções populares onde temos e tivemos como referência a Revolução Cubana aqui na nuestra América cujo objetivo era libertar os povos do domínio americano e ao mesmo tempo eliminar para sempre a exploração do homem pelo homem, onde as riquezas de cada nação são concentradas nas mãos de poucos, tornando impossível que as camadas mais baixas da sociedade possam usufruir destas riquezas, gerando assim as desigualdades sociais existentes como: pobreza extrema, mortalidade infantil, violência cada vez mais exarcebada ao ponto de comprometer o futuro da juventude e o desenvolvimento de cada país.
Devemos ampliar as fontes de informações históricas sobre uma fase da vida política brasileira – os anos 60 – cujo dinamismo cultural e efervescência política tiveram repercussões profundas na mudança de comportamento até mesmo numa pequena cidade do interior paraibano: Catolé do Rocha.
Todos aqueles que vivenciaram a experiência tumultuada dos anos 60 contribuíram enormemente para a redemocratização do nosso país. Naquela época éramos felizes e sabíamos que éramos felizes. Mesmo assim, no processo da luta, muitos de nossos tombaram assassinados pelos órgãos da repressão.
No pó destes lutadores por um ideal comum estávamos nós, estudantes catoleenses organizados para a luta popular de resistência armada, inicialmente na trincheira do PCB* na ‘’Juventude Comunista’’, PCBR – Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, e logo depois já na prisão ingressamos na ALN, Aliança Libertadora Nacional.
Os estudantes Ubiratan Cortez Costa (foto), Ariosvaldo da Silva Diniz e Francisco Alves Dantas (cacheado) amargaram durante 12 longos meses, jogados e condenados pelo 2º Exército em Recife, por ousarem lutar pela Liberdade. Estamos orgulhosos pelo ideal e missão cumprida e orgulhosos de elevar a chama da luz e evitar a escuridão.
Era uma vez... Nos anos 60, uma geração que amava os Beatles e os Rolling Stones, mas gostava igualmente da Bossa Nova e da música popular brasileira de protesto; que se encantava com a ‘’estética da fome’’ do cinema novo; protestava contra o ‘’imperialismo americano’’ em suas várias facetas, sobretudo na sua intervenção na Guerra do Vietnã; participava intensa e apaixonadamente dos acontecimentos culturais e políticos da época; aprendeu com o exemplo dos fellahs (guerrilheiros argelinos) e com os camponeses e guerrilheiros cubanos que a violência tinha um efeito transformador e libertador: e que era eficiente.
Essa geração como observou Hannah Arendt, tinha em termos psicológicos uma espantosa coragem e vontade de agir e de uma confiança não menos espantosa nas possibilidades de uma mudança. E, por isso desempenhou papéis ricos e contraditórios: heróis trágicos do destino, românticos em busca do absoluto moral, cruzados da justiça e da liberdade. Essa geração – igual a Prometeu em sua rebeldia contra os deuses – ousou tornar tomar os céus de assalto. Seu nome em Catolé do Rocha? – Geração Capim-Açu. 
* - Partido Comunista Brasileiro. 
Por: Ubiratan Cortez Costa - Catolé  do Rocha - PB
Dom Vital 
Tu és a chama que ilumina e fecunda
As mortes dos jovens catoleenses
Abraças a todos que a ti chegam
Num esforço inaudito aclamas a cultura
O conhecimento em tuas salas é rotina
Nos tempos negros da supressão das idéias
Fostes trincheira da resistência estudantil popular
O exemplo maior em toda Nação o nosso grito
Contra a obscuridade, a união do Povo se fez
Na luta desigual contra os generais do mal
Que buscavam, junto com o império do norte
Colocar grilhões nos povos Latinos
Ásia e oriente unidos na época
Em que falar lutar e pensar significavam libertação
Jogamos por terra o ideal opressor
Hoje somos livres, pensamos, criamos e amamos
Porque no Colégio que ensina para a vida
Aprendemos a Lição da Liberdade.

domingo, 1 de julho de 2012

A "guerrilha" de Catolé do Rocha (1).


69 em Catolé do Rocha/PB - histórias que cruzam. Primeira parte: Contextualizações necessárias

Imagem 01 – detalhe Capa do Livro BRASIL NUNCA MAIS



No Brasil, e também em grande parte do mundo, os ânimos políticos andavam alterados em 1969. No Brasil, a ditadura que já era por demasiado dura, nesse ano escancarou de vez suas portas para repressão, violência, terrorismo de estado.


Implantada em 1964 através de golpe contra o governo democraticamente eleito, a ditadura militar logo colocou em prática seus objetivos e táticas: derrubaram o presidente da república e seu governo, assim como alguns governadores de estado, cassaram direitos políticos, perseguiram lideranças e entidades dos movimentos sociais, reprimiram com violência manifestações populares, prenderam, torturaram e mataram opositores. Com essas práticas tentavam desarticular os setores progressistas.

É bom lembrar que a ditadura militar brasileira não foi fato isolado. Na mesma época vários regimes ditatoriais se impuseram na América Latina. O mundo estava então dividido entre os blocos capitalista (Estados Unidos) e o comunista (União Soviética). Qualquer movimento que ameaçasse o domínio dos Estados Unidos sobre o continente americano era logo reprimido, daí eles terem apoiado e financiado diretamente várias ditaduras no continente, como forma de evitar o crescimento dos movimentos de esquerda.
Quanto ao nosso país,

A ditadura militar brasileira atravessou pelo menos três fases distintas. A primeira estendeu-se do golpe de Estado, em abril de 1964, à consolidação do novo regime. A segunda começou em dezembro de 1968, com a decretação do Ato Institucional no 5 (AI-5), e desdobrou-se nos chamados anos de chumbo, quando a repressão atingiu seu mais alto grau. A terceira e última fase abriu-se com a posse do general Ernesto Geisel, em 1974, que iniciou uma lenta abertura política, mantida durante o governo Figueiredo até o fim do período de exceção, em 1985. (Luta, substantivo feminino, pág. 22)



Por essas épocas em Catolé do Rocha, pequena cidade no sertão paraibano próxima da fronteira com o Rio Grande do Norte, o contexto local não era menos autoritário que o contexto nacional. Catolé do Rocha também vivia seus anos de chumbo.

Na década de 60 Catolé possuia inúmeros problemas sociais e econômicos. 
     Já carregava desde muito tempo a fama de ser uma cidade violenta.
Essa realidade se devia a própria cultura e história da cidade que sempre foi lugar de coronéis e das oligarquias.  
Por décadas a governança municipal tinha sido disputada e alternada entre famílias rivais.
Como resultado, nos anos 60 na época da ditadura, o município estava abandonado, com escuridão e lamaçais tomando conta da periferia (segundo o que nos informa o historiador Luiz Ferreira de Aquino, através do jornal A Tribuna, Natal/RN, de 1991).
Apesar disso, Catolé tinha certa relevância em relação a outras cidades vizinhas. Sua população possuía, entre outros pontos positivos, boa escolaridade. Essa realidade acabou influenciando diretamente nos processos de que trataremos na segunda parte deste texto.
De toda forma, a cidade era marcada por um nível de politização muito baixo, com uma oposição tímida ou mesmo quase inexistente.
 Era, acima de tudo, uma cidade conservadora como tantas outras.
O maior líder político nos anos de chumbo da década de 60, era José Sergio Maia. Podemos dizer que a população de Catolé era submissa e obediente a orientação desse chefe político. Hoje o nome do seu pai batiza o Distrito de Coronel Maia, lugar que hospeda parte de uma das nossas histórias, como poderemos ver mais a frente.
Na época da ditadura militar a família Maia administrou a Paraíba através do governador João Agripino Filho (entre 66 e 71). Na cidade de Catolé, nesse mesmo período, os prefeitos que passaram como representantes dos Maias foram: Arione Maia (entre 65 e 68) e Benedito Alves Fernandes (entre 69 a 72), este sendo filho do gerente de uma das fazendas de José Sergio Maia, quem mandava de fato na administração pública.


Nacionalmente, a repressão e o autoritarismo cresciam com o passar da ditadura.
Marcando definitivamente uma nova fase do governo militar, foi editado nos finais de 1968 o AI-5 (Ato Institucional n° 5). Em seguida, ao longo de 1969, outros atos e dispositivos do governo militar elevaram ainda mais o nível de brutalidade do regime. 

O AI-5 foi considerado um verdadeiro “golpe dentro do golpe”. O Congresso Nacional foi fechado, as cassações de mandatos foram retomadas, a imprensa passou a ser completamente censurada, foram suspensos os direitos individuais, inclusive o de habeas-corpus. O Conselho de Segurança Nacional teve seus poderes ampliados e a chamada Linha Dura assumiu o controle completo no interior do regime. (...)
Com o afastamento de Costa e Silva, em agosto de 1969, por motivos médicos, uma Junta Militar ocupou de forma provisória o poder, impedindo a posse do vice-presidente civil, Pedro Aleixo. De imediato, a junta editou, em setembro de 1969, uma nova Lei de Segurança Nacional, com elevação drástica do conteúdo repressivo e introduzindo a pena de morte. Na disputa sucessória então deflagrada, o general Médici foi o vencedor em uma votação direta entre generais do Alto-Comando. Médici pertencia ao grupo palaciano que havia apostado no fechamento político do Estado e sua posse abriu a fase de repressão mais extremada em todo o ciclo de 21 anos do regime militar. (Direito a Memória e a Verdade, pág. 26)


Lutando contra essa realidade, durante todos os 21 anos em que durou a ditadura, sempre a sociedade brasileira manifestou sua oposição, das mais variadas formas possíveis, através dos movimentos sociais, da cultura e até da luta armada.
Dentro desse contexto de endurecimento do regime (desde 67 e mais intensamente a partir de 68 e 69), alguns setores de esquerda

(...) optaram pela luta armada como estratégia de enfrentamento do poder dos militares. Nasceram diferentes grupos guerrilheiros, compostos por estudantes em sua grande maioria, mas incluindo também antigos militantes comunistas, militares nacionalistas, sindicalistas, intelectuais e religiosos. Essas organizações político-militares adotaram táticas de assalto a bancos, seqüestro de diplomatas estrangeiros para resgatar presos políticos, atentados a quartéis e outras modalidades de enfrentamento, o que, por sua vez, também produziu inúmeras vítimas entre agentes dos órgãos de segurança e do Estado. (Direito a Memória e a Verdade, pág. 24)


Por outro lado a repressão por parte da ditadura militar também avançou:

(...) Alguns “equipamentos” ficaram famosos como o pau-de-arara (barra onde o prisioneiro era pendurado amarrado pelas mãos e pelos pés, como uma caça), Maricota (aparelho para produzir descarga elétrica tocado a manivela), o submarino (tanque com água geralmente suja de escrementos onde submergiam a cabeça dos presos) e cadeira do dragão (um tipo de cadeira elétrica, com assento, apoio de braços e espaldar de metal onde a pessoa era amarrada com as pernas afastadas para trás por uma travessa de madeira, o que fazia com que a cada espasmo causado pelo choque, os membros inferiores batessem violentamente contra a travessa) Outras técnicas aplicadas na época foram: espancar com palmatórias ou barras de ferro em várias partes do corpo; deixar o prisioneiro durante horas, ou mesmo dias, em pé, encapuzado e, geralmente nu, sobre uma superfície irregular que lancinava os pés; extrair as unhas; asfixiar com sacos plásticos; obrigar o torturado a comer fezes e a beber urina; queimar com cigarro ou com ácido; impedir a pessoa de evacuar ou urinar; interromper o sono com luzes fortes e músicas estridentes; deixar o preso em lugares insalubres com lixo e insetos e sem local para depositar as necessidades físicas; obrigar a assistir as torturas e violações sexuais de outros companheiros e/ou familiares; violar homens e mulheres; quebrar ou machucar membros já feridos; simular fuzilamento e atropelamento; ameaçar familiares e amigos. (Historias de meninas e meninos marcados pela ditadura, pág. 27)


Nesse contexto tiveram espaço nossas histórias. Nesse contexto temos marcos das duas narrativas que seguem: 22/10/69 e 10/10/69.