domingo, 3 de junho de 2012

Quer morrer mais cedo? Então, fume, fume muito.


Dia mundial sem tabaco

Desde de 1987, o dia 31 de maio foi estipulado pela Organização Muncial de Saúde como o dia mundial sem tabaco. Segundo a organização, todos os anos 200 mil pessoas morrem devido ao tabagismo. Se cerca de 3000 pessoas morreram no ataque das Torres Gêmeas, no  11 de setembro, é como se a indústria do tabaco realizasse, anualmente, 70 ataques terroristas pelo mundo, sem falar dos inúmeros seqüelados dos cânceres relacionados ao tabaco que sempre carregam em seus olhos o arrependimento de um dia terem posto um cigarro na boca.
Sou a favor de que uma carteira de cigarro custe 20 reais e o dobro disso, uma garrafa de cachaça. Há ainda os que se iludem e pensam que os impostos pagos pela indústria do tabaco e do álcool compensam o estrago que essas drogas fazem. Vamos fazer um trato – colocamos 0% de imposto nesses produtos e eles arcam com os custos sociais de seu consumo. Feito?
A ação do SUS engloba, além do tratamento e reabilitação de doentes, a prevenção de doenças e a promoção da saúde. Em virtude disso, desde 2005, houve um aumento de 470% nos investimentos do governo nos programas de abandono do tabagismo. E as medidas parecem dar resultado: em 2006, a população brasileira fumante era de 16,2% e agora está em 14,8%. Uma queda difícil por toda a mitologia criada ao redor do tabaco, porém prova-se que ela é possível. O objetivo é que até 2022 esse número seja reduzido para 9%.
Não podemos ser hipócritas e dizer que é fácil alguém se livrar do cigarro. Se fosse fácil, todo mundo faria. O auxílio de uma equipe profissional nesses casos pode ser de grande valia. Alguns anti-depressivos, como a bupopriona – teoricamente disponível na rede SUS – parecem auxiliar àqueles que querem largar o tabaco. Auxilia sim, mas nada retira a necessidade da força de vontade. A parte difícil não é parar de fumar, mas ter vontade de fazê-lo.
Se você está disposto a tentar, a desenvolver a força de vontade necessária para parar de fumar, procure seu médico. O tratamento é gratuito e disponível no Sistema Único de Saúde.


Paulo Tarcísio
Medicina UFRN

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